A UE prestes a investigar a integração de recursos de IA no WhatsApp pela Meta: relatório

  • A UE planeja uma investigação antitruste sobre a implantação de IA da Meta no WhatsApp.
  • A Itália já está investigando a Meta por suposta dominância no lançamento da IA do WhatsApp.
  • A investigação ocorre enquanto as tensões entre EUA e UE aumentam devido à regulamentação das grandes tecnológicas.

A União Europeia está se preparando para iniciar uma investigação sobre como a Meta Platforms Inc. integrou recursos de inteligência artificial ao WhatsApp, marcando a mais recente escalada na fiscalização do bloco sobre grandes empresas de tecnologia dos EUA.

De acordo com um relatório do Financial Times, espera-se que a Comissão Europeia abra a investigação nos próximos dias, com foco no lançamento do sistema "Meta AI" da Meta, que começou em março.

Embora os detalhes da investigação ainda não estejam claros, o FT informou que a investigação será conduzida sob as regras tradicionais antitruste, e não sob a Lei dos Mercados Digitais (DMA), o amplo arcabouço regulatório projetado para conter o poder de mercado das maiores plataformas digitais.

O relatório observou que a administração Trump vê a DMA como uma tentativa da UE de conter a influência tecnológica dos EUA na Europa.

A Itália já está investigando a Meta sobre o lançamento da IA do WhatsApp

A possível investigação da UE ocorre enquanto a autoridade antitruste italiana continua sua própria investigação contínua sobre Meta.

Reguladores italianos estão analisando alegações de que a Meta aproveitou sua posição dominante para integrar recursos de IA ao WhatsApp sem antes obter o consentimento dos usuários.

No mês passado, as autoridades italianas ampliaram a investigação para incluir mudanças nos termos do WhatsApp Business e nas novas ferramentas de IA, argumentando que as políticas atualizadas "podem limitar a produção, o acesso ao mercado ou desenvolvimentos técnicos no mercado de serviços de Chatbot de IA."

A investigação ampliada ressalta preocupações mais amplas na Europa sobre as implicações competitivas de incorporar ferramentas de IA em plataformas de comunicação amplamente utilizadas.

Crescente pressão europeia sobre as grandes empresas de tecnologia

A UE intensificou ações contra grandes empresas de tecnologia nos últimos anos, focando cada vez mais em prevenir possíveis abusos de mercado à medida que a pegada digital das empresas de tecnologia dos EUA se expande pela região.

A investigação iminente da Meta segue novas investigações relacionadas a DMA abertas sobre o ranking da Alphabet dos veículos de notícias nos resultados de busca e sobre as práticas de computação em nuvem da Amazon e Microsoft.

Reguladores europeus enfatizaram que continuarão a aplicar as regras digitais, apesar das críticas de Washington e dos alertas sobre possíveis retaliações.

A investigação mais recente pode aumentar as tensões transatlânticas, especialmente à medida que autoridades americanas se tornam mais vocais em sua oposição às medidas da UE que visam as grandes tecnológicas.

Crescentes tensões entre EUA e União Europeia sobre regulação tecnológica

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, fez lobby junto ao governo Trump contra as regulamentações digitais da UE, argumentando que regras excessivamente restritivas deixariam a Europa atrás tanto dos EUA quanto da China na corrida global da IA.

O presidente Donald Trump criticou repetidamente as políticas antitruste e tecnológicas da UE que, segundo ele, prejudicam empresas americanas.

Em agosto, Trump ameaçou tarifas e restrições à exportação sobre tecnologia avançada e semicondutores em resposta aos impostos sobre serviços digitais impostos por outras nações.

Tanto Trump quanto o vice-presidente JD Vance se opuseram publicamente às regulamentações da UE após reuniões com Zuckerberg e sua equipe de lobby.

No mês passado, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, pediu que Bruxelas relaxasse seu regime regulatório digital durante uma visita à capital da UE.

Meta, recém-saído de vitória sobre o sistema antitruste nos EUA

A ação futura da UE ocorre poucas semanas após Meta vencer em um caso antitruste de grande repercussão nos Estados Unidos.

A Comissão Federal de Comércio havia tentado forçar a empresa — agora avaliada em cerca de US$ 1,6 trilhão — a desfazer suas aquisições do WhatsApp e do Instagram, mas um tribunal decidiu a favor da Meta.

A nova investigação europeia sinaliza que, apesar da vitória legal da Meta no país, a pressão regulatória no exterior continua a se intensificar, especialmente à medida que a IA se torna mais profundamente integrada nos serviços ao consumidor.