A inflação brasileira deve atingir o nível mais baixo em mais de um ano, enquanto analistas preveem alívio em novembro

A inflação brasileira deve atingir o nível mais baixo em mais de um ano, enquanto analistas preveem alívio em novembro
Noris Soto
09 de dez. de 2025, 12:19 PM
  • A inflação no Brasil deve diminuir para 4,49% em novembro, seu nível mais baixo em mais de um ano.
  • A inflação mensal deve acelerar para 0,20%, impulsionada pelo aumento dos custos de eletricidade, hotéis e viagem.
  • Os formuladores de políticas devem manter a taxa principal em 15%, enquanto a inflação pegajosa dos serviços mantém a pressão sobre o banco.

A inflação brasileira deve ter caído em novembro para seu nível mais baixo em mais de um ano, segundo uma pesquisa da Reuters, embora as pressões subjacentes permaneçam altas.

Essa desaceleração é uma reversão em relação aos primeiros meses de 2024, quando o afrouxamento era fraco e a inflação geral atingiu seu nível mais alto desde fevereiro de 2023.

Analistas esperam que a inflação de 12 meses até novembro tenha se moderado para 4,49%, ante 4,68% em outubro.

A previsão é a menor desde setembro de 2024, quando a inflação estava em 4,42%, e mostra o número uma fração abaixo do limite superior do corredor-alvo do banco central de 3%, com uma faixa permitida de 1,5 ponto percentual em ambos os lados.

Ele se beneficiou da postura monetária ortodoxa do banco central e do fortalecimento do real brasileiro. Ao longo do ano, ambos os fatores realmente ajudaram a moderar as tendências de preços ao consumidor.

No entanto, os custos de energia e serviços têm sido persistentes e limitaram a desinflação mais ampla.

A inflação mensal está acelerada

Embora a taxa anual deva cair, a inflação mensal deve aumentar. Analistas esperam um aumento de 0,20% em novembro, em comparação com 0,09% em outubro. Os dados oficiais devem ser divulgados na quarta-feira.

Segundo analistas do Barclays, a aceleração mensal se deve ao aumento dos preços da eletricidade, bem como ao aumento dos gastos com acomodação e transporte associados à Cúpula do Clima COP-30, que ocorreu no mês passado na cidade de Belém, no norte.

O evento parece ter contribuído para aumentos localizados de preços, que agravaram as pressões de curto prazo.

A inflação no setor de serviços continuava sendo uma grande preocupação. Condições fortes no mercado de trabalho impulsionaram a demanda no setor, com o desemprego caindo para um nível historicamente baixo em outubro.

Segundo o Barclays, a inflação básica dos serviços deve permanecer em 0,33% mês a mês, o mesmo de outubro.

Em termos anuais, espera-se que tenha desacelerado levemente para 6,03% ante 6,31% no mês anterior. Embora isso implique algum alívio, o nível permanece alto, o que mantém os formuladores de políticas em alerta.

Banco Central mantém uma postura cautelosa

As autoridades monetárias brasileiras querem monitorar de perto a inflação dos serviços.

Embora alguns formuladores acreditem que a melhora constante da economia reduzirá as pressões sobre os preços no curto prazo, eles são cautelosos ao tirar conclusões precipitadas.

As expectativas de inflação ainda caem, mas lentamente. A abordagem cautelosa do banco central também se deve a esse ajuste gradual.

O Banco Central do Brasil deve manter sua taxa de juros de referência em 15% para a reunião de 10 de dezembro, segundo uma pesquisa da Reuters.

A determinação do banco em manter condições monetárias apertadas será comunicada, com uma pista de uma possível queda nas taxas no próximo trimestre.

O esfriamento simultâneo da inflação e a política estável reforçam o dilema em que os funcionários se encontram.

Embora os números principais se aproximem da faixa alvo, os componentes centrais continuam a mostrar força residual em algumas categorias, o que torna isso complicado de alcançar.

Implicações políticas para Lula

A tendência da inflação pode dar um pequeno impulso eleitoral ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Se os preços ao consumidor terminarem 2025 abaixo do nível máximo de 4,50%, conforme previsto por uma pesquisa semanal de bancos centrais com economistas, Lula pode reivindicar crédito por estabilizar o poder de compra durante seu mandato.

Por enquanto, as estatísticas de novembro serão um indicador importante para formuladores de políticas e mercados.

A redução contínua da inflação geral aumentaria a confiança no plano do banco central, mas a persistência dos componentes centrais enfatizaria os obstáculos restantes.

À medida que o Brasil se aproxima do novo ano, a interação entre a diminuição da atividade econômica, expectativas em mudança e pressões setoriais definirá a trajetória da inflação e as ações políticas futuras.