Queda da Oracle no pré-mercado após resultados gerarem preocupações sobre a lucratividade da nuvem

Queda da Oracle no pré-mercado após resultados gerarem preocupações sobre a lucratividade da nuvem
Ananthu C U
11 de dez. de 2025, 08:21 AM
  • As ações da Oracle caem 11% após perda de receita, apesar do forte crescimento das nuvens e de uma perda nos lucros.
  • O excesso de gastos com a nuvem e o aumento da dívida aumentam a lucratividade e as preocupações com risco de crédito.
  • Um atraso de 523 bilhões de dólares melhora as perspectivas, mas a execução, a alavancagem e a pressão na margem preocupam os investidores.

As ações da Oracle caíram 11% nas negociações pré-mercado na quinta-feira, estendendo as perdas da sessão anterior após a empresa ter divulgado resultados trimestrais que destacaram tanto a promessa quanto a pressão de suas ambições aceleradas na nuvem.

Embora os lucros ajustados tenham superado as expectativas dos analistas por uma ampla margem, a receita ficou aquém, levantando novas questões sobre a sustentabilidade da agressiva expansão da infraestrutura da Oracle em um momento em que a empresa está assumindo níveis de dívida sem precedentes.

Perda de receita pesa sobre o sentimento apesar da derrota nos lucros

A Oracle reportou receita trimestral de 16,1 bilhões de dólares, ficando atrás da estimativa de Wall Street de 16,2 bilhões de dólares.

A falta ocorreu apesar da demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial e do forte crescimento dos serviços em nuvem.

O lucro ajustado por ação atingiu $2,26, muito acima dos $1,64 esperados e um aumento notável em relação a $1,47 no ano passado.

Grande parte desse ganho, no entanto, foi impulsionada pela venda de US$ 2,7 bilhões da participação da Oracle na Ampere, que aumentou os lucros antes de impostos em 91 centavos por ação.

A receita em nuvem aumentou 34% ano a ano, chegando a quase US$ 8 bilhões, representando agora quase metade da receita total da empresa.

O negócio de infraestrutura em nuvem — alugando servidores e poder de computação para clientes — cresceu ainda mais rápido, com um salto de 68% nas vendas.

Enquanto isso, o negócio de software empacotado legado da Oracle caiu 1% em relação ao ano anterior.

Apesar do forte impulso das nuvens, a orientação da empresa decepcionou os investidores, desencadeando uma queda ainda mais profunda nas ações.

As ações da Oracle caíram para $197,8 no início das negociações, uma queda acentuada em relação às recentes altas.

Outros nomes ligados à IA também sofreram pressão: Nvidia, Microsoft, CoreWeave e AMD negociaram em baixas pré-mercado.

O aumento dos gastos de capital e dos níveis de dívida levanta sinais de alerta

A expansão da Oracle para a infraestrutura em nuvem remodelou seu perfil financeiro.

A empresa gastou US$ 35 bilhões em gastos de capital nos últimos 12 meses, resultando em prejuízos de fluxo de caixa livre de US$ 13 bilhões.

Analistas dizem que a transição para a nuvem — que possui margens menores que o software tradicional da Oracle — está pesando na lucratividade.

A margem operacional ajustada caiu para 41,9%, ante 43,4% no ano anterior.

A empresa tem contado cada vez mais com a dívida para sustentar esses investimentos.

A Oracle arrecadou US$ 18 bilhões em uma venda de jumbo bond em setembro, uma das maiores já realizadas pelo setor de tecnologia.

Também garantiu bilhões em empréstimos para construção vinculados a novos data centers no Novo México e em Wisconsin.

O analista do Citi, Tyler Radke, estima que a empresa pode precisar levantar entre 20 e 30 bilhões de dólares em dívida anual nos próximos três anos.

Os mercados de crédito tomaram nota: o preço da dívida da Oracle caiu, enquanto os preços dos swaps de inadimplência — uma medida do risco de inadimplência — subiram.

Após um breve alívio, os preços dos swaps começaram a subir novamente após a divulgação dos resultados.

O backlog na nuvem cresce, mas os riscos de execução persistem

O acúmulo de atrasos plurianuais da Oracle atingiu US$ 523 bilhões, um aumento de US$ 68 bilhões em relação ao trimestre anterior, impulsionado em parte pelo enorme contrato da empresa com a OpenAI.

A dimensão desse acordo, no entanto, tem sido alvo de escrutínio devido às substanciais exigências de financiamento da OpenAI.

As ações da Oracle caíram 33% desde que surgiram preocupações sobre a viabilidade de cumprir tais compromissos.

Os analistas continuam divididos.

Alguns destacam a oportunidade de longo prazo da demanda por infraestrutura de IA, enquanto outros alertam que gastos elevados, aumento da alavancagem e margens reduzidas representam riscos.

A Oracle mantém que pode financiar sua expansão enquanto preserva sua classificação de crédito de grau de investimento.

O CEO Clay Magouyrk disse que o financiamento necessário ficaria abaixo dos US$ 100 bilhões previstos por alguns analistas.

À medida que a Oracle intensifica a construção do Project Stargate — um esforço bilionário para construir data centers de próxima geração — os investidores parecem cada vez mais focados em saber se a empresa consegue equilibrar a rápida expansão na nuvem com disciplina financeira.