Flavio Bolsonaro, do Brasil, corteja mercados enquanto a candidatura presidencial enfrenta ceticismo

Flavio Bolsonaro, do Brasil, corteja mercados enquanto a candidatura presidencial enfrenta ceticismo
Noris Soto
17 de dez. de 2025, 11:56 AM
  • Flávio Bolsonaro se encontra com banqueiros e investidores para testar o apoio do mercado para uma campanha em 2026.
  • Investidores questionam a seriedade de sua candidatura e a falta de detalhes políticos.
  • Os mercados se agitaram depois que Jair Bolsonaro endossou seu filho em detrimento de rivais experientes.

O senador brasileiro Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso, está se reunindo esta semana com figuras do setor empresarial e financeiro enquanto se prepara para concorrer à presidência no próximo ano, segundo pessoas familiarizadas com suas intenções.

Essa abordagem ocorre enquanto investidores questionam a seriedade de sua candidatura e a falta de clareza em torno de seu programa econômico.

As discussões seguem um almoço realizado na quinta-feira nos escritórios da UBS em São Paulo, onde os convidados questionaram a viabilidade da ambição de Bolsonaro.

Desde então, o senador agendou reuniões com bancos, fundos de investimento, executivos empresariais e um podcast focado no mercado, segundo duas pessoas.

Devido à sensibilidade da situação, os indivíduos optaram por não ser identificados.

Segundo a Reuters, Flavio Bolsonaro não respondeu a um pedido de comentário.

Campanha ainda falta de detalhes de políticas

Uma fonte próxima ao senador disse que ele dificilmente articularia políticas específicas sobre a economia antes de fevereiro.

Bolsonaro tem uma agenda repleta de ações com reuniões do setor privado e viagens ao exterior planejadas, culminando em uma viagem aos Estados Unidos.

Duas das fontes disseram que o atual esforço visa mostrar aos líderes empresariais que ajudaram a entregar a presidência para seu pai em 2018 que sua candidatura é séria.

Após perder a eleição presidencial de 2022, Jair Bolsonaro foi condenado por um golpe no início deste ano e, neste mês, declarou que deseja que seu filho mais velho seja candidato ao mais alto cargo do Brasil em 2026.

Esse endosso abalou os mercados.

Os investidores reagiram mal à notícia, e a moeda e a bolsa de valores do Brasil caíram, destacando a frustração daqueles que esperavam que Jair Bolsonaro tivesse apoiado uma pessoa mais experiente e com experiência executiva, como o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, ex-ministro, para concorrer contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisas e incerteza política

Lula atualmente lidera claramente a disputa. Em situações hipotéticas de segundo turno, ele lidera Tarcisio de Freitas e Flavio Bolsonaro por 10 pontos percentuais, segundo uma pesquisa divulgada na terça-feira pela empresa de pesquisa Quaest.

O ceticismo em relação à candidatura do jovem Bolsonaro aumentou no último domingo, quando ele sugeriu que poderia retirar sua candidatura, mas que isso viria "a um preço", enquanto seus apoiadores no Congresso faziam lobby para reduzir a pena de prisão de seu pai.

Desde então, o senador prometeu permanecer na disputa, prometendo propor uma agenda favorável ao mercado e se posicionando como "um Bolsonaro mais centrista."

Equipe econômica permanece indefinida

Durante sua campanha de 2018, Jair Bolsonaro delegou preocupações de política econômica a Paulo Guedes, um economista formado na Universidade de Chicago que eventualmente se tornou Ministro da Economia.

No entanto, Flavio Bolsonaro ainda não nomeou um representante para organizar suas recomendações políticas.

De acordo com a presença no almoço da UBS, o senador afirmou que seu programa será semelhante às ideias pró-mercado de seu pai, como privatização e disciplina orçamentária.

Ele especulou que a liderança econômica pode vir de Guedes, do ex-chefe do banco central Roberto Campos Neto, do ex-chefe do banco de desenvolvimento Gustavo Montezano, ou de alguém com uma formação semelhante.

Pessoas próximas a Guedes e Campos Neto afirmaram que não foram contatadas para participar da campanha nascente e não têm desejo de fazê-lo.

Guedes informou a seus associados que hesita em retornar à política de linha de frente devido à profunda divisão do Brasil, segundo as mesmas fontes. Campos Neto tornou-se vice-presidente do Nubank em julho.

Montezano, atual CEO da empresa de investimentos YvY Capital, participou do almoço do UBS, mas declarou por meio de seu escritório de imprensa que estava lá apenas como convidado a convite dos organizadores.

"A pessoa escolhida será alguém que trabalhou com Guedes, é próximo dele ou compartilha sua agenda", disse uma fonte próxima ao senador, acrescentando que ainda era cedo para decidir sobre um único nome.

Contato inicial com ex-funcionários

Segundo duas pessoas próximas a ex-autoridades econômicas, Flavio Bolsonaro entrou recentemente em contato com Adolfo Sachsida, que anteriormente liderou a secretaria de política econômica do Brasil sob Guedes e depois atuou como ministro da energia.

Segundo uma das fontes, o chat deles focava em apoio político em vez de uma posição específica de campanha.

Por enquanto, a estratégia de Bolsonaro parece estar voltada para garantir que sua campanha seja viável, apesar de questões críticas sobre liderança e políticas ainda não terem sido respondidas.