Israel testa o apetite dos investidores com a primeira venda de Eurotítulos desde o cessar-fogo em Gaza

Israel testa o apetite dos investidores com a primeira venda de Eurotítulos desde o cessar-fogo em Gaza
Diya Poddar
06 de jan. de 2026, 09:56 AM
  • A oferta abrange vencimentos de cinco, dez e trinta anos, após feedback positivo dos investidores.
  • Os gastos relacionados à guerra geraram um endividamento interno recorde durante 2024.
  • Os indicadores de risco de crédito diminuíram, embora as agências de classificação permaneçam cautelosas.

Israel retornou aos mercados internacionais de dívida com uma nova venda de Eurobond em vários tranches, marcando seu primeiro esforço global de arrecadação de fundos desde o cessar-fogo em Gaza, há quase três meses.

A emissão ocorre após um longo período em que o governo dependeu fortemente do endividamento interno para financiar os gastos elevados em defesa e segurança durante a guerra.

O acordo, conforme reportado pela Bloomberg, visa captar vários bilhões de dólares e segue uma série de reuniões com investidores nos EUA, Europa e Ásia.

Funcionários envolvidos no processo disseram que o feedback de investidores globais tem sido positivo, levando Israel a expandir a estrutura da venda além de seus prazos habituais.

A medida destaca uma mudança de retorno ao financiamento internacional após meses de emissão recorde no país.

Os mercados globais voltam ao foco

A venda de Eurobond inclui vencimentos de cinco, dez e 30 anos, conforme a Bloomberg.

Antes da oferta, autoridades israelenses se reuniram com dezenas de investidores institucionais em grandes centros financeiros para avaliar a demanda e aprimorar os preços.

As notas de cinco anos estão sendo comercializadas com uma diferença de cerca de 120 pontos-base sobre as obrigações do Tesouro dos EUA.

A tranche de 10 anos está indicada em cerca de 130 pontos-base, enquanto os títulos de 30 anos estão sendo apresentados com cerca de 150 pontos-base acima do índice de referência.

Israel tocou os mercados globais de dívida pela última vez em fevereiro do ano passado, quando levantou US$ 5 bilhões por meio de títulos de cinco e dez anos.

A inclusão de uma tranche de 30 anos na venda atual segue a demanda dos investidores por vencimentos mais longos, aumentando a duração do perfil de dívida externa de Israel.

Aumento de empréstimos impulsionado pela guerra

O retorno de Israel aos mercados globais ocorre após um período de endividamento excepcional desencadeado por sua guerra de dois anos contra o Hamas, que também se espalhou para outras frentes envolvendo Irã e Líbano.

O conflito inflacionou significativamente os gastos com defesa e remodelou as necessidades de financiamento do governo.

A Bloomberg afirma que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu iniciou um programa recorde de empréstimos que totalizou quase 280 bilhões de shekels, ou cerca de 89 bilhões de dólares, em 2024.

A maior parte dessa emissão foi absorvida pelos mercados domésticos, limitando o engajamento de Israel com investidores internacionais durante o auge da guerra.

Espera-se que os níveis de empréstimos no ano passado tenham ultrapassado 200 bilhões de shekels, colocando-os entre os maiores totais anuais em décadas, excluindo o período da pandemia de Covid-19.

Sinais de risco de crédito estabilizados

Medidas de mercado que acompanham o risco soberano de Israel mostraram sinais de afrouxamento nos últimos meses.

Os preços dos swaps de crédito de inadimplência a cinco anos, comumente usados por investidores para se proteger contra o risco de inadimplência, caíram para cerca de 69 pontos.

Isso representa uma queda acentuada em relação ao pico de 144 pontos atingido em agosto de 2024, quando as preocupações com o conflito e a pressão fiscal estavam no auge.

A queda sugere uma percepção reduzida de estresse no curto prazo entre os investidores, já que o cessar-fogo se manteve vigente.

Apesar da estabilização dos indicadores de mercado, a situação de crédito soberana de Israel continua sob escrutínio.

Durante a guerra, as três principais agências de classificação rebaixaram a classificação de Israel em dois graus, citando riscos geopolíticos e fiscais acrescidos.

O SandP revisou a perspectiva de classificação de Israel para estável, vindo de negativo em novembro.

Moody's e Fitch mantêm perspectivas negativas, refletindo preocupações contínuas sobre níveis de dívida e condições de segurança regionais.