Meta exclui 550.000 contas enquanto a Austrália impõe proibição de redes sociais infantis

Meta exclui 550.000 contas enquanto a Austrália impõe proibição de redes sociais infantis
Diya Poddar
12 de jan. de 2026, 03:57 AM
  • A lei exige que as plataformas bloqueiem usuários menores de 16 anos ou enfrentem multas de até 50 milhões de dólares australianos.
  • O Instagram foi o responsável pela maior parcela de remoções de contas, seguido pelo Facebook e pelo Threads.
  • A Austrália é a primeira democracia a introduzir uma proibição nacional de redes sociais para crianças menores de 16 anos.

A Meta Platforms Inc. afirmou que removeu quase 550.000 contas na Austrália para cumprir as novas regras. A ação abrange várias plataformas pertencentes à Meta e foi divulgada em um post no blog da empresa detalhando sua resposta inicial à legislação.

A decisão da Austrália de proibir crianças de usar as redes sociais tradicionais está passando de legislação para uma aplicação em larga escala.

Menos de um mês após a entrada em vigor da lei, o impacto já é visível em todas as principais plataformas que operam no país.

A Meta afirmou que removeu cerca de 330.000 usuários com menos de 16 anos do Instagram, 173.000 do Facebook e 39.000 dos Threads entre 4 e 11 de dezembro.

A proibição mínima de idade na Austrália entrou formalmente em vigor em 10 de dezembro, embora a Meta tenha começado a ser aplicada uma semana antes.

Espera-se que o governo Albanese publique dados esta semana mostrando quantos jovens australianos foram removidos em todas as plataformas afetadas.

Meta questiona a eficácia do banimento

Em uma atualização divulgada durante a noite, a Meta argumentou que a proibição não estava alcançando o objetivo declarado do governo de melhorar a segurança e o bem-estar dos jovens.

A empresa sediada nos EUA afirmou que a política corre o risco de isolar adolescentes vulneráveis e levá-los a espaços online menos regulados.

Meta também criticou as abordagens de verificação de idade usadas para fazer cumprir a lei, descrevendo-as como inconsistentes.

A empresa questionou a justificativa subjacente da legislação.

"A premissa da lei, que impede menores de 16 anos de manter uma conta em redes sociais para não serem expostos a uma 'experiência algorítmica', é falsa", disse Meta em um post no blog.

"Plataformas que permitem que adolescentes ainda os usem em estado desconectado ainda utilizam algoritmos para determinar o conteúdo que o usuário pode ter interesse – embora de forma menos personalizada e que possa ser adequadamente adaptada à idade da pessoa."

Apesar de suas objeções, a Meta afirmou que continuaria a cumprir a lei australiana.

Objetivos governamentais e penalidades regulatórias

A Austrália aprovou suas leis mínimas de idade mínima para redes sociais em 2024, posicionando-se como um dos reguladores mais agressivos do mundo para o acesso dos jovens às plataformas sociais.

A legislação foi criada para proteger as crianças de algoritmos direcionados e conteúdos prejudiciais.

De acordo com a lei, as empresas enfrentam multas de até A$50 milhões se não tomarem "medidas razoáveis" para impedir que menores de 16 anos mantenham contas.

As regras se aplicam a uma ampla lista de plataformas, incluindo Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok, X, YouTube, Reddit, Twitch, Threads e Kick.

A eSafety Commission, que supervisiona a fiscalização, alertou que plataformas adicionais poderiam ser adicionadas caso atendam aos critérios de inclusão.

No entanto, o arcabouço inclui isenções para serviços onde jogos, saúde ou educação são o uso predominante.

As plataformas podem adotar uma variedade de métodos para verificar a idade dos usuários, incluindo identificação emitida pelo governo, estimativa facial da idade e tecnologias de inferência de idade.

Meta instou o governo australiano a trabalhar mais de perto com empresas de tecnologia em soluções alternativas, em vez de depender de proibições gerais.

"Pedimos ao governo australiano que se engaje construtivamente com a indústria para encontrar um caminho melhor, como incentivar toda a indústria a elevar o padrão de oferecer experiências seguras, preservadoras de privacidade e adequadas à idade online, em vez de proibições gerais."