O chefe da Exxon diz que a Venezuela é 'não investida': saiba mais

O chefe da Exxon diz que a Venezuela é 'não investida': saiba mais
Wajeeh Khan
12 de jan. de 2026, 01:16 AM
  • Darren Woods disse recentemente ao presidente Trump que a Venezuela é inacessível para investimento.
  • Outros líderes de empresas americanas também não estão animados em investir na Venezuela.
  • O Energy Select Sector SPDR Fund ainda tem subido nas sessões recentes.

O presidente Donald Trump reiterou que empresas americanas investirão pelo menos "100 bilhões de dólares" para reconstruir o setor energético da Venezuela sob garantias de segurança americanas.

No entanto, os principais executivos do setor petrolífero não chegaram a se comprometer com um retorno rápido ao se reunirem com o presidente dos EUA no fim de semana.

Na verdade, o líder da Exxon, Darren Woods, chegou a chamar a Venezuela de "inacessível".

Ainda assim, o Fundo SPDR do Setor Seleto de Energia (XLE) subiu gradualmente nas últimas sessões – refletindo a crença dos investidores de que o episódio da Venezuela representa mais oportunidades do que risco para as ações de petróleo.

CEO da Exxon explica por que a Venezuela não é empolgante para investir

O executivo da Exxon, Darren Woods, foi direto em sua avaliação do clima de investimentos na Venezuela.

Ele lembrou a Trump que a Venezuela já apreendeu os ativos da XOM duas vezes no passado – deixando o gigante com bilhões em reivindicações arbitriais não resolvidas.

"Se olharmos para as estruturas e estruturas legais e comerciais vigentes na Venezuela hoje, é impossível de investir", acrescentou Woods.

"Já tivemos nossos bens apreendidos lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente aqui."

Segundo ele, a Exxon está disposta a enviar uma equipe técnica para avaliar o estado da infraestrutura petrolífera venezuelana, mas Woods enfatizou que, sem reformas fundamentais, a empresa não pode justificar a reentrada.

O que precisa mudar na Venezuela para atrair investimentos

Executivos de outras grandes empresas de energia dos EUA ecoaram preocupações semelhantes.

Por exemplo, Ryan Lance – diretor executivo da ConocoPhillips – parabenizou o presidente Trump pelas mudanças políticas, mas enfatizou que o peso da dívida da Venezuela e o sistema financeiro quebrado também precisam ser enfrentados.

Ele acredita que o setor bancário precisará reestruturar bilhões em obrigações para restaurar a credibilidade.

Lance também pediu uma reformulação completa da estatal Petróleos de Venezuela – dizendo: "À medida que pensamos em grande e ousado, precisamos também pensar em até mesmo reestruturar todo o sistema energético venezuelano, incluindo a PDVSA."

A Chevron, que ainda opera uma joint venture na Venezuela, observou que poderia dobrar imediatamente os levantamentos e expandir a produção em 50% em dois anos – mas até mesmo seu otimismo cauteloso ressaltou a necessidade de estruturas disciplinadas de investimento.

O que esperar das ações de petróleo dos EUA em 2026

Para as ações de petróleo dos EUA, o debate sobre a Venezuela destaca tanto oportunidades quanto riscos.

Por um lado, o acesso às vastas reservas do país pode proporcionar crescimento de longo prazo às grandes empresas caso reformas se concretizem. Por outro lado, a hesitação da Exxon e da Conoco mostra que os investidores não devem esperar ganhos rápidos.

O secretário do Tesouro, Scott Besset, sugeriu que independentes menores e exploradores podem agir mais rápido, observando: "As grandes petrolíferas que avançam devagar, que têm conselhos corporativos, não estão interessadas."

Essa dinâmica pode direcionar o fluxo de capital para jogadores ágeis em vez de gigantes estabelecidos.

Em 2026, os estoques de petróleo dos EUA continuam sustentados por uma forte produção doméstica e investimentos de capital disciplinados – mas o caminho incerto da Venezuela faz com que Wall Street trate todos os anúncios com cautela.