As tarifas dos EUA sobre importações afetam mais os consumidores americanos, revela novo estudo

As tarifas dos EUA sobre importações afetam mais os consumidores americanos, revela novo estudo
Diya Poddar
19 de jan. de 2026, 10:57 AM
  • Exportadores do Brasil e da Índia mantiveram os preços estáveis apesar das altas tarifas.
  • Os volumes de comércio caíram, mas os preços dos países exportadores permaneceram os mesmos.
  • As tarifas funcionavam como um imposto sobre o consumo doméstico, e não como pressão estrangeira.

As tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos estrangeiros foram em grande parte absorvidas por importadores americanos, não por exportadores internacionais.

Um novo estudo de um instituto econômico alemão mostra que quase todo o custo do aumento das tarifas está sendo repassado para empresas e residências dos EUA.

Apesar das alegações de que as tarifas obrigam empresas estrangeiras a pagar, os dados revelam uma história diferente. Os consumidores em casa estão carregando o peso.

A maior parte do custo fica nos EUA

A análise, divulgada pelo Instituto de Kiel para a Economia Mundial, constatou que os importadores americanos são responsáveis por quase 96% dos custos adicionais das tarifas. Os exportadores estrangeiros, em contraste, ajustaram muito pouco.

Em vez de reduzir os preços para manter seus produtos atrativos, as empresas estrangeiras mantiveram os níveis de preços, deixando os compradores domésticos arcar com os custos extras.

Com poucas reduções nos preços no atacado, o aumento das tarifas criou uma reação em cadeia.

Os importadores ou absorvem as despesas maiores ou as repassam para fabricantes americanos, varejistas e, por fim, para os consumidores do dia a dia.

O relatório ressalta que isso cria um efeito cascata que afeta estratégias de precificação e margens de negócios em vários setores.

Os países alvo tiveram mudanças limitadas de preço

O estudo destacou exemplos envolvendo Brasil e Índia, cujas exportações sofreram aumentos significativos de tarifas em 2025.

O Brasil enfrentava uma taxa de 50% sobre certos produtos, mas os exportadores mantiveram os preços estáveis.

A Índia teve uma trajetória semelhante, começando com uma tarifa de 25%, que depois foi dobrada.

Em ambos os casos, os exportadores continuaram a enviar mercadorias aos preços em dólares anteriores, mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas.

Em vez de ajustar os preços, os países exportadores responderam com volumes de embarque menores.

Isso sugere que as empresas priorizaram as margens de lucro em detrimento da participação de mercado.

O relatório indicou que os exportadores frequentemente optam por reduzir as vendas em vez de reduzir preços, especialmente quando têm a opção de migrar para mercados menos restritos.

Política comercial não funcionando como esperado

Os pesquisadores de Kiel usaram registros de navegação que abrangem 25 milhões de transações individuais e cerca de 4 trilhões de dólares em comércio para compilar suas descobertas.

O estudo contradiz as repetidas alegações da administração Trump de que as tarifas funcionam como uma ferramenta de receita paga pelos parceiros comerciais.

Os dados mostram que essas medidas comerciais funcionam de forma semelhante a um imposto sobre o consumo dentro dos Estados Unidos.

Embora as tarifas gerem receita significativa, em torno de 200 bilhões de dólares, são as empresas e famílias dos EUA que, na prática, estão pagando essa quantia.

Pressão limitada sobre vendedores estrangeiros

Apesar de serem parte central da estratégia comercial nos últimos anos, as tarifas parecem ter um poder limitado para forçar fornecedores estrangeiros a fazerem concessões financeiras.

Exportadores de países alvo conseguiram contornar pressões de preços, graças em parte ao seu acesso a outros mercados globais.

Isso mina um argumento fundamental usado para promover tarifas como ferramenta de alavancagem econômica.

Em vez de incentivar parceiros comerciais a baixar preços ou oferecer concessões políticas, as tarifas estão, em sua maioria, remodelando as estruturas de preços domésticas.

As empresas americanas precisam escolher entre repassar custos para os clientes ou absorvê-los internamente.