Preços ao produtor do Brasil sobem em janeiro, liderados pela metalurgia: relatório

Preços ao produtor do Brasil sobem em janeiro, liderados pela metalurgia: relatório
Noris Soto
04 de mar. de 2026, 11:13 AM
  • PPI do Brasil avança 0,34% em janeiro, segunda alta mensal consecutiva.
  • Metalurgia sobe 2,73%, liderada por ouro e mudanças na demanda por cobre.
  • Preços dos alimentos caem 9,84% em 12 meses, nona queda consecutiva.

De acordo com o Índice de Preços ao Produtor (PPI) para as indústrias de transformação e extrativas publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços da indústria doméstica do Brasil subiram 0,34% em janeiro, ante 0,14% em dezembro.

Após dez leituras negativas consecutivas de fevereiro a novembro de 2025, o resultado de janeiro representa a segunda taxa mensal positiva seguida.

A variação mensal foi de 0,15% em janeiro de 2025.

O índice registrou queda de 4,33% nos 12 meses anteriores, apesar do ressurgimento recente, evidenciando a tendência de queda mais ampla que tem definido os preços ao produtor.

O PPI abrange importantes categorias econômicas das indústrias de transformação e extrativa e mede preços "na porta da fábrica", excluindo frete e impostos.

Maior avanço mensal na metalurgia

Quinze das vinte e quatro atividades industriais avaliadas registraram variações de preço positivas em janeiro na comparação com o mês anterior.

Quatorze atividades registraram altas em dezembro.

Metalurgia (2,73%), impressão (2,73%), outros produtos químicos (1,70%) e perfumes, sabonetes e produtos de limpeza (1,67%) tiveram as maiores altas em janeiro.

A indústria com maior impacto sobre o índice como um todo foi a metalurgia.

Preços mais altos de metais não ferrosos foram a principal causa do aumento de 2,73% do setor, segundo o gerente do PPI, Murilo Alvim.

Ele destacou contratos de cobre, que vinham lidando com estoques baixos e falta de oferta, e derivativos de ouro, cujos preços foram elevados pela maior demanda.

Dos 0,34% de alta nos preços da indústria, a metalurgia sozinha contribuiu com 0,18 pontos percentuais.

As indústrias extrativas contribuíram com 0,06 pontos percentuais, refino de petróleo e biocombustíveis subtraíram 0,07 pontos percentuais, e outros produtos químicos contribuíram com 0,13 pontos percentuais.

A alta nos preços dos fertilizantes foi a principal causa do aumento de 1,70% em outros produtos químicos.

Após já impactar larga parcela dos concentrados fosfatados em dezembro, os custos crescentes de insumos importados, em particular derivados de enxofre, se intensificaram no início do ano.

Impacto das taxas de câmbio em vários horizontes

A taxa de câmbio, que normalmente ajuda a explicar os movimentos do Índice de Preços ao Produtor Industrial (IPP), também contribuiu para a tendência em 12 meses.

No período, o dólar dos EUA caiu 11,3% frente ao real brasileiro, ajudando a impulsionar a queda do índice.

No entanto, os dados mensais contam outra história.

Entre dezembro e janeiro, o dólar também se desvalorizou 2,1%, mas o IPP registrou leitura positiva.

Isso sugere que outros fatores mais do que compensaram a queda da moeda e, em última instância, empurraram o índice para cima.

Indústria de alimentos mantém tendência de queda

O indicador mensal não destacou a indústria de alimentos, que tem o maior peso no índice, cerca de 24%.

Os preços do setor caíram 0,17% entre dezembro e janeiro, a nona queda consecutiva.

A série estendida resultou em contração acumulada de 9,84% nos últimos 12 meses, apesar de a queda mensal mais recente não ter sido particularmente severa.

Assim, o setor de alimentos surge como o principal fator que influencia o desempenho total do índice no acumulado de 12 meses.

Os agrupamentos econômicos do setor registraram quedas, com destaque para os açúcares.

No período de 12 meses, o grupo dos açúcares teve queda acumulada de 28,30%, o que é indicativo da redução dos preços internacionais diante de oferta global abundante e alta produtividade.

A redução também foi influenciada pela valorização do real frente ao dólar durante esse período.

O índice geral é impulsionado por bens intermediários

Bens de capital registraram queda de 0,70% em janeiro, na ótica dos grandes agrupamentos econômicos.

Bens de consumo subiram 0,26%, enquanto bens intermediários aumentaram 0,54%.

Bens de consumo duráveis tiveram alta de 0,22%, enquanto semiduráveis e não duráveis avançaram 0,27%.

Entre os grandes agrupamentos, os bens intermediários tiveram o maior impacto.

Contribuíram com 0,29 pontos percentuais dos 0,34% de variação nas indústrias extrativa e de transformação, com peso de 53,76% na composição total do índice.

Os bens de consumo representaram 0,10 pontos percentuais do total mensal, com bens duráveis respondendo por 0,01 pontos percentuais e semiduráveis e não duráveis por 0,09 pontos percentuais.

Em contrapartida, bens de capital tiveram impacto negativo de 0,06 pontos percentuais.

A pesquisa do PPI, que foca em preços ao produtor livres de impostos, tarifas e frete, coleta cerca de 6.000 preços de pouco mais de 2.100 empresas a cada mês.