FTSE 100 hoje: ações da BP e Shell disparam enquanto maioria cai

FTSE 100 hoje: ações da BP e Shell disparam enquanto maioria cai
Crispus Nyaga
09 de mar. de 2026, 06:52 AM
  • O FTSE 100 manteve sua forte tendência de queda nesta semana.
  • Apenas um punhado de empresas, como BP e Shell, ficou no verde.
  • A maioria das empresas do índice ficou no vermelho com o aumento dos riscos geopolíticos.

O FTSE 100 caiu pelo terceiro dia consecutivo, alcançando o nível mais baixo desde 20 de janeiro. Recuou mais de 7% em relação ao máximo deste ano e se aproxima da zona de correção, com queda de 10% desde a máxima no ano. 

O recuo do índice Footsie refletiu o de outros índices globais, que seguiram em tendência de baixa, com o DAX alemão caindo mais de 2,15%. Outros índices europeus como CAC 40, Stoxx 50 e IBEX despencaram mais de 2%.

Esse movimento de preços foi desencadeado pela guerra em curso no Irã, que elevou os preços do petróleo bruto e do gás natural aos níveis mais altos em anos. O Brent saltou para US$120 e depois recuou para US$105. Da mesma forma, o West Texas Intermediate (WTI) subiu para US$117, recuando atualmente para US$102.

Ações de energia lideraram os ganhos do FTSE 100 

Houve apenas um punhado de empresas do FTSE 100 no verde na segunda-feira. A Shell, o maior grupo de energia da Europa, foi a que mais se valorizou, com suas ações subindo 2% para 3.200p. 

Subiu 46% em relação ao seu nível mais baixo em abril do ano passado e está perto de sua máxima histórica.

O preço das ações da BP também subiu 1%, atingindo um recorde de 513p. Assim como a Shell, valorizou-se mais de 61% desde o ponto mais baixo em abril do ano passado.

Essas empresas provavelmente se beneficiarão da crise em curso, à medida que os preços do petróleo bruto e do gás natural disparam. Brent, WTI e outras referências do petróleo subiram mais de 70% este ano. Da mesma forma, os preços do gás na Europa avançaram 117% este ano.

Empresas de energia como Shell e BP estão entre as maiores beneficiadas pela guerra, pois a alta dos preços de energia deve gerar receitas e lucros maiores. Esse desempenho é relevante porque a maioria dos analistas não esperava que os preços subissem tão rapidamente.

Outros principais ganhadores do FTSE 100 foram empresas como Admiral Group, Babcock International e Compass Group.

Anglo American, Antofagasta e Barclays lideraram as perdas 

A maioria das empresas do FTSE 100 ficou no vermelho na segunda-feira, à medida que os investidores adotaram uma postura de aversão ao risco.

Empresas de mineração estiveram entre as maiores perdedoras, com aumento das preocupações sobre o Estreito de Ormuz e os custos de transporte. Anglo American e Antofagasta, dois grandes mineradores de cobre, foram as que mais caíram, mais de 6%.

As ações do Barclays caíram 5%, apesar de a guerra provavelmente garantir que as taxas de juros permaneçam mais altas por mais tempo. Outros bancos do Reino Unido, como Lloyds, NatWest e HSBC, recuaram em menor magnitude.

O preço das ações da Rolls-Royce caiu 4,8% na segunda-feira, continuando uma tendência de queda que vem ocorrendo nas últimas semanas.

Outras principais perdedoras do FTSE 100 foram Segro, British Land, Persimmon, Land Securities e IAG, controladora da British Airways.

No lado positivo, a principal causa da queda do FTSE 100 é conhecida. Além disso, as ações americanas continuaram caindo na segunda-feira, com Dow Jones e S&P 500 recuando mais de 1%.

Donald Trump presta muita atenção ao mercado acionário dos EUA, como vimos no início das tarifas do 'Liberation Day' no ano passado. Na ocasião, ele buscou acalmar o mercado ao anunciar o início de negociações com alguns países-chave. 

O mesmo pode acontecer desta vez. Ele pode encerrar a guerra alegando que alcançou seu objetivo de matar o aiatolá e destruir o programa de mísseis do país. Esse movimento levaria a um novo rali no mercado acionário.