Indústria brasileira sobe 1,8%, mas por que tantos estados ainda recuam?
- A produção industrial do Brasil sobe 1,8% em janeiro enquanto tendências regionais divergem.
- Pará, São Paulo e Minas Gerais lideram os ganhos, enquanto estados do Sul recuam.
- Indústria avança 0,5% em 12 meses, mas os dados sinalizam desaceleração à frente.
A produção industrial do Brasil subiu 1,8% em janeiro de 2026 em relação a dezembro de 2025, com resultados positivos em sete dos quinze locais pesquisados.
Pará registrou os ganhos mais fortes.
As quedas concentraram-se em estados como Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Ceará, enquanto altas foram registradas em São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Indicadores mais amplos apontaram para um quadro regional misto e sinais de perda de dinamismo em várias partes do país, apesar do avanço mensal.
Crescimento regional liderado por estados do Norte e do Sudeste
Pará registrou a maior alta em janeiro, com a produção avançando 8,6% após quatro meses consecutivos de queda, período em que a produção havia recuado 13,2%.
Minas Gerais e Bahia apresentaram crescimento de 3,2% e 3,0%, respectivamente, enquanto São Paulo teve alta de 3,5%.
Amazonas expandiu 1,9%, a Região Nordeste cresceu 2,0% e o Paraná registrou aumento de 1,5%.
Esses resultados indicam que as principais regiões em expansão cresceram mais rápido que a média mensal nacional de 1,8%.
Embora os ganhos tenham sido desiguais pelo país, o crescimento em vários centros industriais importantes contribuiu para o avanço nacional geral.
Recuos em áreas costeiras e no Sul
Enquanto algumas regiões registraram melhorias na produção industrial, outras apresentaram quedas notáveis.
O Rio Grande do Sul anotou a maior queda, com a produção caindo 4,5% em janeiro. Ceará registrou contração de 2,5%, enquanto o Espírito Santo viu a produção diminuir 4,3%.
A produção caiu pelo segundo mês consecutivo tanto no Rio Grande do Sul quanto no Espírito Santo.
No período de dois meses, o Rio Grande do Sul acumulou perdas de 5,7%, enquanto o Espírito Santo apresentou queda acumulada de 10,0%.
Resultados negativos adicionais foram observados em Pernambuco (-2,0%), Santa Catarina (-1,7%), Goiás (-1,6%), Mato Grosso (-1,1%) e Rio de Janeiro (-0,1%) durante o primeiro mês de 2026.
Média móvel trimestral indica tendência de queda
Além das flutuações mensais, o índice de média móvel trimestral da indústria caiu 0,1% no trimestre encerrado em janeiro de 2026 em relação ao mês anterior.
Esse indicador manteve a tendência descendente iniciada em outubro de 2025.
No nível regional, a média móvel trimestral apresentou resultados negativos em onze dos quinze locais pesquisados.
As maiores quedas ocorreram em Goiás (-3,9%), Amazonas (-2,4%), Ceará (-2,2%), Santa Catarina (-2,1%), Bahia (-2,1%), Rio Grande do Sul (-1,9%) e Espírito Santo (-1,8%).
Mato Grosso, por sua vez, registrou crescimento de 1,6% em janeiro de 2026, marcando a expansão mais forte nessa medida.
Expansão limitada na comparação anual
Em termos não dessazonalizados, o setor industrial do Brasil cresceu modestos 0,2% em janeiro de 2026 em relação a janeiro de 2025.
Nesse período, a produção aumentou em oito dos dezoito locais pesquisados.
Os maiores ganhos foram registrados em Pernambuco e no Espírito Santo. Pernambuco apresentou alta de 27,7%, enquanto o Espírito Santo registrou crescimento de 14,5%.
A expansão em Pernambuco foi principalmente impulsionada por coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, além de máquinas e equipamentos, materiais elétricos, metalurgia, produtos alimentícios e a indústria química.
No Espírito Santo, o crescimento foi sustentado por um desempenho mais forte nas indústrias metalúrgica e extrativa.
Outras regiões com crescimento incluíram Mato Grosso do Sul (8,7%), Maranhão (6,2%), Rio de Janeiro (5,6%), Mato Grosso (5,2%), Minas Gerais (2,7%) e Pará (0,5%).
O Paraná manteve o mesmo nível de produção de janeiro de 2025, sem variação no mês.
Quedas acentuadas em vários estados
Apesar dos resultados positivos em algumas regiões, vários locais registraram contrações significativas em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
O Rio Grande do Norte anotou a queda mais acentuada, com a produção recuando 24,9%. A Bahia veio em seguida, com declínio de 10,3%.
No Rio Grande do Norte, a contração foi amplamente determinada pela menor atividade em coque, derivados de petróleo e biocombustíveis.
Na Bahia, a queda refletiu produção mais fraca em setores ligados a coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, bem como máquinas, equipamentos e materiais elétricos.
Resultados negativos adicionais foram registrados em Ceará (-7,5%), Amazonas (-6,8%), Santa Catarina (-6,5%), Rio Grande do Sul (-6,5%), Goiás (-4,4%), São Paulo (-1,5%) e a Região Nordeste (-0,4%).
Ritmo desacelera no indicador de doze meses
Em janeiro de 2026, o setor industrial do Brasil acumulou alta de 0,5% nos doze meses anteriores.
Embora o indicador tenha permanecido positivo, mostrou perda de ritmo em relação a meses anteriores.
O índice de doze meses registrou taxas positivas em oito dos dezoito locais pesquisados.
Por outro lado, dez regiões apresentaram desempenho mais fraco em comparação com dezembro de 2025.
Bahia teve a maior queda, passando de 0,3% para -1,0%, enquanto Santa Catarina desacelerou de 3,2% para 2,0% e o Rio Grande do Sul de 2,3% para 1,2%.
Amazonas passou de 0,1% para -0,4%, Ceará de -0,7% para -1,3% e Rio Grande do Norte de -11,8% para -12,5%.
Entretanto, algumas regiões apresentaram melhora entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Pernambuco passou de -3,8% para -0,6%, Espírito Santo subiu de 11,6% para 13,6%, Maranhão melhorou de -5,3% para -3,9%, Mato Grosso do Sul avançou de -12,8% para -12,1% e o Rio de Janeiro progrediu de 5,1% para 5,7%.
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