Lucro da Foxconn fica abaixo do esperado apesar da demanda recorde por IA

Lucro da Foxconn fica abaixo do esperado apesar da demanda recorde por IA
Diya Poddar
16 de mar. de 2026, 05:20 AM
  • Lucro da Foxconn no 4º trimestre cai 2% para T$45.21 billion, ficando abaixo das previsões.
  • Receita recorde impulsionada pela forte demanda global por servidores de IA.
  • Expansão no México e no Texas e mudanças em veículos elétricos remodelam a estratégia de produção.

A Foxconn, de Taiwan, reportou queda no lucro do quarto trimestre, mesmo com a demanda por hardware de inteligência artificial remodelando a cadeia global de suprimentos de tecnologia.

A empresa, oficialmente conhecida como Hon Hai Precision Industry, divulgou os resultados na segunda-feira, mostrando que o lucro ficou abaixo das expectativas do mercado, apesar da forte demanda global por produtos de IA.

A Foxconn desempenha papel central na indústria de eletrônicos como maior fabricante de servidores da Nvidia e principal montadora de iPhones da Apple.

Os resultados destacam como a empresa está lidando com a crescente demanda por infraestrutura de IA enquanto expande a produção em vários países e explora novas áreas de negócios, como veículos elétricos.

Lucro cai no quarto trimestre

A Foxconn reportou lucro líquido de T$45.21 billion no trimestre de outubro a dezembro, uma queda de cerca de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado também ficou aquém das expectativas. Analistas consultados pela LSEG haviam previsto lucro trimestral de T$63.86 billion.

A empresa não informou a razão da queda do lucro no comunicado de resultados.

O anúncio dos resultados seguiu a divulgação anterior da Foxconn, em janeiro, de que a receita do quarto trimestre atingiu nível recorde, impulsionada em grande parte pela forte demanda global por produtos de inteligência artificial.

A Foxconn é a maior parceira de fabricação de servidores da Nvidia e produz hardware usado em data centers de IA operados por grandes empresas de tecnologia.

Boom da IA redefine a produção

A crescente demanda por sistemas de computação de IA levou a Foxconn a expandir sua presença fabril em várias regiões.

A empresa está construindo novas instalações no México e no Texas para produzir servidores de inteligência artificial para a Nvidia.

Esses investimentos visam aproximar a produção dos clientes na América do Norte, ao mesmo tempo em que fortalecem sua posição no mercado em expansão de infraestrutura de IA.

A Foxconn continua a ocupar posição importante na cadeia de fornecimento da Apple. A maior parte dos iPhones montados ainda é produzida na China.

No entanto, a produção tem mudado nos últimos anos. Muitos iPhones vendidos nos Estados Unidos agora são montados na Índia, enquanto a Apple diversifica os locais de fabricação.

A mudança reflete uma transformação mais ampla nas cadeias de suprimentos de eletrônicos, à medida que as empresas reduzem a dependência de um único centro de produção.

Planos para veículos elétricos evoluem

Além da fabricação de eletrônicos, a Foxconn tem tentado construir presença no setor de veículos elétricos.

A empresa vê a fabricação de veículos elétricos como uma oportunidade de crescimento de longo prazo, embora o progresso tenha sido desigual.

Em agosto, a Foxconn disse ter chegado a um acordo para vender uma antiga fábrica de automóveis em Lordstown, Ohio, por $375 million.

O acordo inclui maquinário da planta que a Foxconn comprou em 2022, quando planejava fabricar veículos elétricos no local.

A venda sinalizou ajustes na estratégia da empresa para veículos elétricos após tentativas anteriores de desenvolver veículos no local terem enfrentado obstáculos.

Reação do mercado e foco dos investidores

A Foxconn fará sua teleconferência de resultados mais tarde na segunda-feira em Taipei, onde deve atualizar os investidores sobre as condições de negócios e os planos para o ano.

As ações da empresa caíram cerca de 6% até agora neste ano.

Isso contrasta com o mercado acionário mais amplo de Taiwan. O índice de referência de Taiwan teve alta de cerca de 15% no mesmo período.

Os resultados evidenciam a lacuna entre a forte demanda por IA e as pressões enfrentadas pelos fabricantes globais de eletrônicos à medida que expandem redes de produção e investem em novas tecnologias.