Índice S&P 500 forma cruz da morte com guerra EUA-Irã e dados NFP à vista

Índice S&P 500 forma cruz da morte com guerra EUA-Irã e dados NFP à vista
Crispus Nyaga
29 de mar. de 2026, 09:37 AM
  • O Índice S&P 500 caiu mais de 9% em relação à máxima do ano até o momento.
  • Formou um padrão de cruz da morte com as Médias Móveis Ponderadas (WMA) de 50 e 200 dias se cruzando.
  • O índice provavelmente continuará caindo enquanto a guerra EUA-Irã continuar.

O Índice S&P 500 manteve sua forte tendência de queda na última semana, com a continuação da guerra EUA-Irã, que pressionou os preços do petróleo bruto e do gás natural para cima.

O índice SPX caiu para US$6.368, seu nível mais baixo desde agosto do ano passado. Caiu nas últimas cinco semanas consecutivas.

Índice S&P 500 em foco à medida que guerra EUA-Irã toma novo rumo

O Índice S&P 500 e outros índices americanos, como o Dow Jones e o Nasdaq 100, estarão no centro das atenções esta semana, à medida que a guerra EUA-Irã assume um novo desdobramento.

Ansah Allah, do Iêmen, popularmente conhecido como Houthis, entrou no conflito na sexta-feira ao disparar foguetes em direção a Israel.

O grupo comprometeu-se a continuar lutando nas próximas semanas, o que pode dificultar a passagem de petroleiros pelo Mar Vermelho.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enviaram tropas para a região, com o objetivo final de controlar a ilha de Kharg e o Estreito de Hormuz.

Todos esses eventos indicam que o conflito continuará no futuro previsível, elevando substancialmente os preços da energia nas próximas semanas. 

Os dados já mostram que Brent e o West Texas Intermediate (WTI) dispararam para US$112 e US$100, alta de mais de 100% em relação ao nível mais baixo deste ano.

A continuação desse conflito deverá levar o Índice S&P 500 a patamares mais baixos.

Dados de empregos não-agrícolas (NFP) dos EUA 

Outro catalisador chave para o Índice S&P 500 será os próximos dados de empregos não-agrícolas (NFP) dos EUA, que serão divulgados na sexta-feira desta semana.

Economistas esperam que o relatório mostre que o mercado de trabalho provavelmente se recuperou em fevereiro após a perda de milhares de vagas no mês anterior.

A estimativa média é de que a economia criou 60 mil vagas em março depois de ter perdido 92 mil no mês anterior. A taxa de desemprego deve passar de 4,4% para 4,5%.

Ainda assim, o mercado de trabalho praticamente estagnou nos últimos meses, tendência que pode continuar nas próximas semanas à medida que a guerra EUA-Irã provoca abalos substanciais na economia.

De fato, o aumento esperado será em parte devido às folhas de pagamento do setor de saúde que incorporam mais de 30.000 funcionários da Kaiser Permanente, que encerraram a greve.

Um relatório de empregos mais fraco seria positivo para o mercado de ações, pois pode pressionar o Federal Reserve a cortar as taxas de juros. O problema, contudo, é que os EUA atravessam um quadro de estagflação, caracterizado por alta inflação e baixo crescimento econômico.

Além dos dados do mercado de trabalho, o Índice S&P 500 reagirá aos futuros PMIs de manufatura e serviços dos Estados Unidos. Economistas esperam que esses números tenham caído modestamente em março, à medida que a guerra EUA-Irã elevou os preços da energia.

Análise técnica do índice SPX com formação de cruz da morte

Gráfico do Índice S&P 500 | Fonte: TradingView 

O gráfico diário mostra que o Índice S&P 500 despencou nas últimas semanas, passando de uma máxima de US$7.000 em fevereiro para os atuais US$6.368. 

Caiu abaixo do nível de retração de Fibonacci de 23,6%. Além disso, o índice formou um padrão de cruz da morte, com as Médias Móveis Ponderadas (WMA) de 50 e 200 dias cruzando-se.

O Average Directional Index (ADX) subiu para 40, sinal de que a tendência de baixa está ganhando ímpeto. Ele ficou abaixo do indicador Supertrend.

Portanto, o índice deverá continuar caindo, sendo o próximo alvo-chave o nível de retração de 38,2% em US$6.130.