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Ação da Novo Nordisk sobe 4%: apoio do NHS compensa pressão sobre preços?

Ação da Novo Nordisk sobe 4%: apoio do NHS compensa pressão sobre preços?
Devesh Kumar
01 de abr. de 2026, 08:31 AM
  • A NICE apoia o Wegovy para redução do risco cardiovascular em pacientes do NHS.
  • Até 1,2 milhão de pessoas na Inglaterra poderiam ter acesso.
  • A medida fortalece a história de demanda de longo prazo da Novo Nordisk além da obesidade.

As ações da Novo Nordisk dispararam na quarta-feira após uma importante vitória de política de saúde, vista como um ponto de inflexão para a farmacêutica.

O órgão avaliador de custo-efetividade da Inglaterra respaldou o uso mais amplo do Wegovy para reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames em adultos com sobrepeso ou obesidade.

Isso poderia, eventualmente, abrir o acesso para cerca de 1,2 milhão de pessoas pelo NHS.

Para os investidores, a questão mais interessante é se isso muda a narrativa das ações de forma significativa.

O desenvolvimento é uma validação útil do valor médico do Wegovy, em vez de um reinício completo da narrativa acionária abalada da Novo Nordisk.

Apoio do NHS amplia o caso do Wegovy

A decisão da NICE é relevante porque amplia o caso de investimento do Wegovy além do tratamento da obesidade.

A empresa agora pode considerar estender o uso do medicamento para prevenção cardiovascular, uma área com implicações estratégicas muito mais amplas para uma franquia de doenças crônicas.

A recomendação baseia-se em um estudo com mais de 17.600 participantes que mostrou que a semaglutida reduziu eventos cardíacos maiores em 20% em relação ao placebo.

A página do projeto da NICE também mostra que a diretriz ainda está em rascunho, com uma consulta ao rascunho final em andamento de 25 de março a 17 de abril de 2026 e publicação prevista para 7 de maio.

Ainda assim, a direção é difícil de ignorar.

O NHS England disse que o tratamento poderia estar disponível em meses e descreveu cerca de 1,2 milhão de pessoas com doença cardiovascular como potencialmente elegíveis.

Se essa implementação for mantida, a Novo Nordisk poderá argumentar que o Wegovy deixou de ser apenas um produto premium para perda de peso e passou a fazer parte de uma plataforma cardiometabólica mais ampla.

A precificação continua sendo o principal problema para a ação

A dificuldade para a Novo Nordisk é que uma vitória em reembolso e acesso não apaga a pressão que se acumula em outras áreas do negócio.

Em fevereiro, a empresa alertou que as vendas de 2026 e o lucro operacional ajustado poderiam cair entre 5% e 13%.

O CEO Mike Doustdar descreveu o ambiente como de "pressão de preços sem precedentes", com a empresa enfrentando exigências de descontos mais rígidas e competição que se intensifica, especialmente da Eli Lilly.

A Novo Nordisk reduziu novamente os preços do Ozempic e do Wegovy na Índia após a expiração da patente da semaglutida, com alguns concorrentes genéricos locais cotados até 70% mais baratos.

Também lançou planos de assinatura com desconto para o Wegovy nos Estados Unidos para pacientes que pagam por conta própria, oferecendo preços a partir de $249 por mês.

O que os analistas dizem

O tom recente de Wall Street ajuda a explicar por que uma única vitória de política é improvável de reverter o sentimento.

Após o decepcionante resultado do ensaio CagriSema em fevereiro da Novo Nordisk, o J.P. Morgan afirmou que o resultado confirmou a liderança da Lilly e tornou difícil para a Novo Nordisk recuperar participação de mercado.

Evan David Seigerman, do BMO Capital Markets, disse que a empresa precisava de mais do que apenas o comprimido Wegovy para "colocar a empresa de volta nos trilhos".

O analista da Jefferies Michael Leuchten disse que a atenção dos investidores provavelmente se voltará para a estratégia de M&A da gestão.

Houve pontos mais positivos.

O lançamento do Wegovy em formulação oral pela Novo Nordisk teve um início encorajador nos EUA, com dados iniciais de prescrições apontando para uma adoção sólida.

Mas mesmo aí, os analistas advertiram que são necessários mais dados e que reduções de preço e mudanças na dinâmica dos seguros ainda podem pressionar as vendas.