Invezz

Ações da Zhipu sobem 30% após resultados de estreia impulsionarem o setor de IA na China

Ações da Zhipu sobem 30% após resultados de estreia impulsionarem o setor de IA na China
Vatsala Gaur
01 de abr. de 2026, 04:48 AM
  • Receita da Zhipu salta 132% no primeiro balanço desde o IPO.
  • Ações sobem até 35% apesar do aumento das perdas.
  • A concorrência se intensifica no setor de IA da China em meio à rivalidade global.

As ações da Zhipu AI dispararam na quarta-feira depois que a empresa reportou forte crescimento de receita em seu primeiro balanço desde a abertura de capital, evidenciando o entusiasmo dos investidores pelo setor de inteligência artificial em rápida evolução da China, apesar das perdas contínuas.

A empresa sediada em Pequim, formalmente conhecida como Knowledge Atlas Technology, chegou a subir 35% nas negociações iniciais antes de reduzir os ganhos para cerca de 30% ao longo da tarde.

O papel atraiu atenção significativa desde sua estreia em Hong Kong em janeiro, quando levantou cerca de US$ 558 milhões em um dos primeiros IPOs de um desenvolvedor puro de modelos de IA.

Crescimento da receita forte apesar de resultado ficar abaixo do esperado

A Zhipu informou que a receita subiu 132% ano a ano, para 724 milhões de yuan em 2025, refletindo forte demanda por seus modelos de IA e serviços relacionados.

No entanto, o montante ficou ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas de 760 milhões de yuan, segundo um levantamento da Reuters.

A empresa registrou um prejuízo líquido ajustado de 3,18 bilhões de yuan, ampliando-se 29,1% em relação ao ano anterior, ao aumentar os gastos com pesquisa e desenvolvimento para competir em um cenário de IA em rápida evolução.

Fundada em 2019 por pesquisadores da Universidade Tsinghua, a Zhipu se posicionou como uma das principais startups de IA da China.

Ela é frequentemente agrupada entre os “tigres da IA” do país, um grupo que busca rivalizar com líderes globais como OpenAI e Anthropic.

Atualizações de modelos intensificam a concorrência

A empresa lançou recentemente seu modelo GLM-5, que, segundo afirmou, apresenta desempenho competitivo em diversos benchmarks.

De acordo com a Zhipu, o modelo se aproxima das capacidades do Claude Opus 4.5, da Anthropic, em tarefas de codificação e supera o Gemini 3 Pro, do Google, em determinados indicadores.

A versão de código aberto, lançada em fevereiro, inclui capacidades de codificação aprimoradas e suporta tarefas baseadas em agentes de longa duração, destacando o ritmo acelerado de inovação entre as empresas de IA chinesas.

A concorrência no mercado doméstico se intensificou à medida que as empresas correm para lançar modelos mais avançados e ampliar sua base de usuários.

A Zhipu compete com startups como MiniMax, Moonshot AI e DeepSeek, além de grandes grupos de tecnologia, incluindo ByteDance e Alibaba.

Foco em chips domésticos e apoio de políticas

O CEO Zhang Peng disse que a empresa está acelerando o uso de semicondutores domésticos para atender à crescente demanda por capacidade de processamento, refletindo o impulso mais amplo de Pequim para construir um ecossistema de chips autossuficiente.

A mudança é particularmente relevante dado que a Zhipu enfrentou restrições devido às sanções de exportação dos EUA, que limitaram o acesso a chips avançados e tecnologias relacionadas.

A empresa também foi adicionada no ano passado à Lista de Entidades do Departamento de Comércio dos EUA, o que restringe sua capacidade de obter determinados componentes.

Apesar desses desafios, a Zhipu continua a se beneficiar de forte apoio doméstico e permanece um termômetro-chave das ambições da China em IA.

Planos de expansão global ganham ritmo

Embora a China continue sendo seu principal mercado, a Zhipu começou a expandir-se para o exterior, em particular no Sudeste Asiático.

A empresa afirmou que a receita internacional está ganhando tração, embora ainda não concorra diretamente com empresas dos EUA em mercados de assinaturas voltados ao consumidor.

O setor mais amplo também vem atraindo forte interesse dos investidores.

As ações da rival MiniMax, que também foi listada em Hong Kong no início deste ano, subiram cerca de 16% na quarta-feira, mesmo tendo registrado perdas significativas.