IEA alerta estoques de petróleo em queda após guerra no Golfo afetar oferta e demanda

IEA alerta estoques de petróleo em queda após guerra no Golfo afetar oferta e demanda
Sayantan Sarkar
13 de mai. de 2026, 11:07 AM

powered by

Invezz
Posição longa no front-month de WTI/Brent

Comprar exposição no front‑month de WTI e Brent (por exemplo, USO/UKO ou futuros do vencimento mais próximo). A IEA sinaliza estoques criticamente baixos e saques de estoque “insustentáveis”, enquanto as perdas no Golfo/Hormuz criam um déficit estrutural que fornecedores alternativos não conseguem substituir totalmente. Mesmo com demanda fraca, a matemática dos estoques e os equilíbrios físicos apertados devem manter o curto prazo demandado e os spreads temporais voláteis.

Key Risk: A oferta via Hormuz normaliza rapidamente (ou a demanda desaba mais do que o esperado), invertendo o mercado de apertado para superávit e esmagando o poder de precificação do curto prazo.

Venda em crack spread de refino (risco em destilados médios)

Vender exposição a produtos refinados atrelada a cracks de destilados médios (por exemplo, posição vendida no crack oil‑gas/oil vs crude, ou underweight em refinadores com alta exposição a destilados). O artigo diz que as margens estão altas, mas os refinadores estão com dificuldade para garantir matéria‑prima e os fluxos nas refinarias devem despencar no 2T. Essa combinação normalmente converte “cracks altos” em revertimento à média à medida que restrições de matéria‑prima e menores runs afetam disponibilidade de produto e preços.

Key Risk: A disponibilidade de matéria‑prima melhora rapidamente (barris do Atlântico continuam fluindo e os fluxos se estabilizam), mantendo os cracks elevados e invalidando a aposta de mean‑reversion.

  • Demanda global de petróleo deve encolher 420.000 b/d em 2026, diz a IEA.
  • Perdas de oferta ultrapassam 1 bilhão de barris após fechamento do Estreito de Hormuz.
  • Preços oscilaram US$50/bbl em abril; estoques despencam globalmente.

Os mercados globais de petróleo estão em choque, com a Agência Internacional de Energia (IEA) alertando que a demanda mundial deve se contrair em 420.000 barris por dia este ano, enquanto as perdas de oferta causadas pela guerra no Golfo e pelo fechamento do Estreito de Hormuz já reduziram quase 13 milhões de barris por dia da produção. 

O Relatório do Mercado de Petróleo de maio da agência destaca estoques em queda acentuada, preços voláteis e riscos crescentes de contrabando, à medida que refinarias asiáticas cortam importações.

A agência advertiu que a combinação de colapso da demanda, cadeias de abastecimento interrompidas e preços voláteis está remodelando o cenário energético de maneiras não vistas desde os choques do petróleo da década de 1970.

Perspectivas de demanda se deterioram

Segundo a IEA, a demanda mundial de petróleo deverá contrair-se em 420.000 barris por dia (bpd) em 2026, reduzindo o consumo para 104 milhões bpd. 

A queda mais acentuada é esperada no segundo trimestre, quando a demanda deve recuar 2,45 milhões bpd em comparação com o mesmo período do ano passado.

Países da OCDE responderão por 930.000 bpd da retração, enquanto nações não pertencentes à OCDE reduzirão em 1,5 milhão bpd. 

A agência destacou petroquímicos e aviação como os setores mais afetados, com preços mais altos e condições econômicas mais fracas restringindo o consumo.

A IEA observou que esta é a primeira contração anual da demanda global por petróleo desde o ano pandêmico de 2020. “A guerra no Golfo alterou fundamentalmente os fluxos comerciais e o comportamento do consumidor”, disse o relatório. 

Preços elevados, disponibilidade reduzida e incerteza econômica se combinam para suprimir a demanda tanto em economias avançadas quanto emergentes.

IEA

Choque de oferta se aprofunda

No lado da oferta, a IEA relatou que a produção global de petróleo caiu 1,8 milhão bpd em abril, para 95,1 milhões bpd, elevando as perdas acumuladas desde fevereiro para 12,8 milhões bpd. 

A produção dos produtores do Golfo está agora 14,4 milhões bpd abaixo dos níveis pré‑guerra devido às restrições em Hormuz.

A agência projeta que a oferta global média será de 102,2 milhões bpd em 2026, abaixo em 3,9 milhões bpd das previsões pré‑guerra.

Alívio veio da Bacia do Atlântico, onde exportações dos Estados Unidos, Brasil, Canadá, Cazaquistão e Venezuela aumentaram 3,5 milhões bpd desde fevereiro. 

Mas a IEA alertou que esses aumentos são insuficientes para compensar o enorme déficit originado no Golfo.

“A perda dos barris de Hormuz criou um défice estrutural que fornecedores alternativos não conseguem preencher totalmente”, afirmou o relatório.

Refino e estoques sob pressão

Os fluxos de cru nas refinarias devem despencar 4,5 milhões bpd no segundo trimestre, para 78,7 milhões bpd.

As margens permanecem elevadas, sustentadas por cracks recordes em destilados médios, mas os refinadores estão tendo dificuldade para garantir matéria‑prima. 

Os estoques globais caíram 129 milhões de barris em março e 117 milhões de barris em abril, com os estoques da OCDE recuando 146 milhões de barris.

Os estoques em terra caíram 170 milhões de barris em abril, enquanto o óleo em navios recuperou 53 milhões de barris.

A IEA alertou que os estoques estão agora em níveis criticamente baixos. “Saques de estoque dessa magnitude são insustentáveis”, disse a agência. “Sem uma resolução da crise no Golfo, o mercado corre o risco de sofrer escassez severa ainda este ano.”

Volatilidade de preços retorna

Os preços do petróleo oscilaram de forma acentuada nas últimas semanas.

O Dated North Sea negociou em uma faixa de US$50 por barril em abril, com média de US$120,36 por barril.

Os preços subiram até US$144 por bbl antes de mergulharem abaixo de US$100 por bbl, e depois retomaram para US$110 por bbl em maio. 

Os spreads temporais em futuros WTI e Brent encerraram abril em cerca de US$5 por bbl, enquanto o prêmio do Dated para o ICE Brent estreitou de US$35 por bbl em meados de abril para apenas US$3 por bbl no início de maio.

A volatilidade reflete tanto a escala do choque de oferta quanto a incerteza sobre a demanda. Os mercados estão tendo dificuldade para precificar o risco em um ambiente onde os fundamentos mudam diariamente.

IEA

Impactos regionais

A Ásia tem suportado a maior parte da perturbação.

As importações marítimas de cru da China caíram 3,6 milhões bpd entre fevereiro e abril.

O Japão reduziu 1,9 milhão bpd, a Coreia 1 milhão bpd e a Índia 760.000 bpd.

A IEA observou que as refinarias asiáticas estão correndo para garantir fornecimentos alternativos, frequentemente pagando prêmios elevados por cargueiros da Bacia do Atlântico.

Na Europa, as refinarias aumentaram as operações para capturar margens altas, mas a região permanece vulnerável a choques de oferta.

Os Estados Unidos emergiram como um fornecedor chave de balanço, com exportações crescendo acentuadamente, mas os estoques domésticos estão se apertando.

Perspectivas e riscos

Ao olhar adiante, a IEA espera que a demanda permaneça fraca pelo restante de 2026, com apenas uma recuperação modesta em 2027 caso os preços se estabilizem e a crise no Golfo diminua.

A agência alertou que o contrabando e o comércio ilícito provavelmente aumentarão à medida que importadores busquem barris mais baratos fora dos canais oficiais. “O risco de mercados paralelos está crescendo”, disse o relatório. 

“Os governos devem permanecer vigilantes para prevenir distorções que possam minar a segurança energética.”

A IEA também destacou a possibilidade de respostas de política, incluindo liberações de estoques estratégicos e medidas do lado da demanda. 

“Campanhas de conservação de energia, mudança de combustível e melhorias de eficiência serão críticas para gerir a crise”, observou a agência.

O Relatório do Mercado de Petróleo de maio pinta um quadro sombrio do cenário energético global.

Com a demanda se contraindo, a oferta interrompida, estoques em queda e preços voláteis, o mundo enfrenta um equilíbrio precário. 

O alerta da IEA é claro: sem uma resolução da guerra no Golfo e a reabertura de Hormuz, o mercado de petróleo permanecerá sob forte pressão, com riscos de escassez, contrabando e repercussões econômicas se espalhando globalmente.