A ação NIO tem potencial de alta de 22% — por que investidores ainda se afastam?

A ação NIO tem potencial de alta de 22% — por que investidores ainda se afastam?
Devesh Kumar
26 de mai. de 2026, 08:09 AM

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Invezz
NIO (ADR listado nos EUA)

Comprar NIO (NYSE: NIO). O pano de fundo mostra fundamentos em melhora: dois trimestres seguidos de lucratividade ajustada, receita +112% ano a ano, entregas quase dobrando e margem por veículo em 18,8% (vs 10,2% um ano atrás). A ação ainda é precificada como se a recuperação pudesse fracassar, embora os analistas vejam cerca de 20%–22% de potencial de alta a partir dos níveis recentes. Tese: as margens se mantêm próximas aos níveis atuais enquanto as entregas continuam a se acumular, e o mercado reclassifica a NIO de “aposta na recuperação” para “lucro repetível”.

Key Risk: A inflação de custos de baterias e insumos (chips, lítio, cobre/alumínio) supera os controles de custo e as margens retornam a níveis geradores de prejuízo.

NIO vs pares chineses de veículos elétricos (valor relativo)

Comprar NIO e vender uma cesta de pares chineses de veículos elétricos com múltiplos mais elevados (por exemplo, BYD Co. (OTC: BYDDY) e Li Auto (NASDAQ: LI)). A notícia é positiva para a rentabilidade e trajetória de margem da NIO, enquanto o setor enfrenta cortes de subsídios e inflação de custos. Tese: a melhora de margem e o momentum de entregas da NIO geram uma surpresa de lucro relativa frente a pares mais expostos à competição por preço e com rentabilidade de curto prazo mais fraca.

Key Risk: A volatilidade das entregas da NIO e o arrasto da divisão de marcas (ONVO/Firefly) fazem com que a “recuperação repetível” estacione, apagando a vantagem relativa.

  • As entregas da NIO quase dobraram enquanto a receita do 1º trimestre cresceu 112% ano a ano.
  • A margem por veículo melhorou para 18,8%, contribuindo para o aumento do lucro ajustado.
  • O aumento dos custos de baterias e commodities ameaça a rentabilidade futura.

A ação NIO caiu depois que a fabricante chinesa de veículos elétricos reportou um trimestre que parecia forte o suficiente para convencer os céticos.

A empresa registrou o segundo trimestre consecutivo de lucro ajustado, a receita mais do que dobrou em relação ao ano anterior e as entregas quase dobraram.

Ainda assim, a ação teve desempenho fraco enquanto os investidores olhavam além da melhoria de manchete e se concentravam numa questão mais dura: a NIO consegue manter isso?

Ação NIO: Números que deveriam ter feito a diferença

O relatório do 1º trimestre da NIO deu aos investidores otimistas muitos elementos.

As entregas de veículos subiram 98,3% ano a ano, para 83.465 unidades, enquanto a receita total saltou 112,2%, para RMB25,5 bilhões, ou cerca de 3,7 mil milhões USD (aprox. R$ 19,4 mil milhões).

A margem por veículo melhorou para 18,8%, alta acentuada ante 10,2% um ano antes e ligeiramente acima dos 18,1% registrados no quarto trimestre.

Isso importa porque as margens há muito tempo são o ponto fraco da história da NIO.

A empresa contou com uma marca fiel, produtos elegantes e uma rede de troca de baterias que a diferencia, mas também queimou caixa por anos.

No 1º trimestre, o quadro ficou mais limpo. A NIO reportou lucro operacional ajustado de RMB66,8 milhões e lucro líquido ajustado de RMB43,5 milhões, embora ainda tenha registrado prejuízo segundo as regras contábeis convencionais.

O CEO William Li disse que o totalmente novo ES8 ficou em primeiro lugar no segmento de SUVs grandes da China e no segmento de veículos de passeio com preço acima de RMB400.000 por cinco meses consecutivos até abril.

Ele também afirmou que os test-drives do ES9 não prejudicaram a demanda pelo ES8; pelo contrário, os pedidos do ES8 subiram 30% semana a semana após o início dos test-drives do ES9.

Por isso vários analistas continuam construtivos.

Jeff Chung, do Citi, elevou seu preço-alvo para a NIO listada nos EUA para US$ 8,20, de US$ 7,60, e manteve recomendação de Compra após os resultados. A BofA Securities subiu seu alvo para US$ 6,80, ante US$ 6,70, embora tenha mantido recomendação Neutra.

Com a ação perto de US$ 5,60 no pós-resultados, até mesmo o alvo cauteloso do BofA implicava aproximadamente 20% a 22% de potencial de alta.

O que está assustando o mercado?

A preocupação não é que o 1º trimestre tenha sido fraco, mas que pode ser difícil de repetir.

Stanley Qu, diretor financeiro da NIO, alertou que o aumento dos custos de chips de memória, carbonato de lítio, materiais de bateria, cobre e alumínio pode adicionar mais de RMB10.000 ao custo médio por veículo a partir do segundo trimestre.

Para uma empresa que ainda está provando sua lucratividade, isso é um ônus real.

Há também volatilidade nas entregas. A NIO entregou 29.356 veículos em abril, alta de 22,8% em relação ao ano anterior, mas abaixo dos 35.486 veículos de março.

Esse desaquecimento mês a mês levantou a questão à qual os investidores retornam com frequência: o primeiro trimestre foi uma base sustentável ou se beneficiou de um impulso temporário de ciclo de produto?

Há também a ONVO, a submarca da NIO voltada para famílias.

A gestão tem sido franca ao dizer que a ONVO ainda precisa de maior reconhecimento de marca, mesmo enquanto expande sua linha de produtos.

Para os investidores, isso significa que a NIO não está apenas tentando vender mais carros, mas construir três marcas ao mesmo tempo: NIO, ONVO e Firefly, em um dos mercados de veículos elétricos mais difíceis do mundo.

A postura do BofA captura essa cautela.

O banco elevou suas estimativas após o trimestre, mas afirmou que a carteira de modelos mais forte da NIO e os controles de custo são parcialmente compensados por ventos contrários do setor, incluindo redução de subsídios para veículos elétricos e inflação de custos em baterias, memória e metais.