Dólar se estabiliza com esperanças de paz no Irã e riscos de juros do Fed

Dólar se estabiliza com esperanças de paz no Irã e riscos de juros do Fed
Devesh Kumar
12 de jun. de 2026, 02:32 AM

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Invezz
EUR/USD

Comprar EUR/USD. O BCE acabou de promover sua primeira alta desde 2023 e adota uma postura mais restritiva, enquanto o Fed é influenciado pela desaceleração dos temores de inflação impulsionados pelo petróleo. Isso amplia a margem de suporte por taxa para o euro em relação ao dólar.

Key Risk: Uma reacceleracão repentina da inflação nos EUA (núcleo do PPI/PCE) obrigaria o Fed a precificar mais altas, invertendo o diferencial de taxas novamente a favor do dólar.

Petróleo Brent

Vender Petróleo Brent (ou comprar exposição vendida em USO). As esperanças de paz no Irã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Hormuz já pressionam o petróleo para baixo, aliviando o prêmio inflacionário que sustenta o dólar e a precificação de risco global. Se a diplomacia se mantiver, o petróleo permanecerá contido.

Key Risk: Colapso das negociações ou retomada de ataques reprecificariam rapidamente o risco de oferta do Oriente Médio e fariam o Brent subir novamente.

  • Dólar dos EUA se estabiliza enquanto operadores avaliam esperanças de paz no Irã e risco sobre taxa do Fed.
  • Euro se mantém próximo de máxima semanal após BCE promover primeira alta desde 2023.
  • Queda do petróleo reduz temores de inflação após dados mais fortes do PPI dos EUA.

O dólar se estabilizou no pregão asiático desta sexta-feira após sofrer uma forte reversão no final da sessão, enquanto investidores ponderavam entre esperanças de um cessar-fogo no Oriente Médio e um caminho para as taxas de juros dos EUA que ainda é incerto.

A moeda norte-americana avançou para cerca de 160,07 ienes, recuperando parte do terreno perdido após cair para sua menor cotação em uma semana.

Os dólares australiano e neozelandês recuaram ligeiramente após valorizarem-se frente ao dólar durante a madrugada, enquanto a libra pouco se alterou, próxima de US$1,34.

O euro manteve-se próximo de uma máxima de uma semana, em torno de US$1,1576, apoiado pelo primeiro aumento de juros do Banco Central Europeu desde 2023.

O movimento acentuou o contraste entre a postura europeia cada vez mais restritiva contra a inflação e uma perspectiva do Federal Reserve que continua sensível aos dados que chegam.

Manchetes do Golfo redefinem o tom

Os mercados de câmbio viraram no final da sessão nos EUA depois que o presidente Donald Trump cancelou ataques planejados ao Irã e disse que um acordo de paz poderia ser assinado já neste fim de semana.

A perspectiva de um acordo que poderia reabrir o Estreito de Hormuz ao tráfego marítimo derrubou os preços do petróleo e aliviou parte do prêmio inflacionário que havia se incorporado aos mercados globais.

O Brent caiu à medida que o pregão reabriu na Ásia, estendendo o movimento de alívio desencadeado pelos mais recentes sinais diplomáticos.

O Irã, no entanto, afirmou que não tomou uma decisão final sobre qualquer acordo, deixando os operadores cautelosos para não perseguirem demais o movimento.

A estabilização do dólar refletiu essa cautela. Um acordo confirmado poderia reduzir ainda mais os riscos ligados aos preços de energia, mas qualquer colapso nas negociações traria rapidamente o estresse geopolítico de volta ao centro das negociações de moedas.

Detalhes do PPI acalmam temores de inflação

Os dados do índice de preços ao produtor dos EUA adicionaram outra camada ao debate sobre o dólar.

Os preços ao produtor subiram mais do que o esperado em maio, registrando o maior ganho anual em três anos e meio, à medida que os custos de energia subiram.

Ainda assim, os operadores se apoiaram nos números subjacentes. A inflação núcleo dos preços ao produtor, que alimenta a medida PCE (gastos de consumo pessoal) preferida pelo Fed, ficou abaixo das previsões.

Isso ajudou a limitar as preocupações de que o banco central precisaria agir com maior agressividade.

Os mercados ainda precificam um aumento de juros do Fed no fim deste ano, embora as expectativas tenham se ajustado com a queda dos preços do petróleo e o arrefecimento dos temores inflacionários.

As próximas semanas de dados sobre energia e preços serão cruciais para decidir se o Fed pode esperar ou precisará apertar novamente.

Mudança do BCE sustenta o euro

O aumento de 25 pontos-base do BCE deu um impulso adicional ao euro.

Os formuladores de política também soaram cautelosos quanto à inflação, com custos de energia mais altos e crescimento mais fraco complicando as perspectivas para o bloco monetário.

Os mercados agora esperam outro movimento do BCE já em setembro, embora os responsáveis tenham oferecido orientação limitada sobre o timing de qualquer alta subsequente.

Para os operadores de câmbio, o resultado é um mapa mais complicado: um dólar sustentado pelo risco residual do Fed, um euro apoiado por um BCE mais restritivo e moedas sensíveis ao petróleo ainda reféns de cada reviravolta nas negociações do Oriente Médio.