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Retomada do petróleo da Venezuela atrai majors para reconstrução de US$100 bilhões

Retomada do petróleo da Venezuela atrai majors para reconstrução de US$100 bilhões
Sayantan Sarkar
23 de jun. de 2026, 03:33 AM

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Chevron (CVX)

Comprar CVX. As reformas na Venezuela, somadas à vantagem de pioneirismo da Chevron (participação de 49% na Petroindependencia; direitos sobre Ayacucho 8), preparam um rápido aumento do fluxo de caixa à medida que o ímpeto de produção avança rumo à sua meta de 375 kbpd. O petróleo extra‑pesado encaixa‑se bem nas refinarias da Costa do Golfo dos EUA, sustentando margens se os volumes aumentarem. Risco principal: reversão das reformas ou renegociação dos termos com a PDVSA/contratuais, reduzindo volumes e a viabilidade econômica esperada.

Key Risk: Reversão das reformas e novas alterações nos termos legais/contratuais da Venezuela, congelando ou reduzindo a produção e o potencial de fluxo de caixa da Chevron.

ExxonMobil (XOM)

Comprar XOM. A mudança de “inviável para investimento” para negociações por direitos de seis campos petrolíferos venezuelanos representa uma reavaliação significativa do sentimento. Se a Exxon obtiver termos viáveis, ganha opcionalidade sobre uma vasta base de recursos subdesenvolvidos enquanto alavanca sua credibilidade de execução na Guiana. Risco principal: a Exxon não consegue garantir marcos legais/comerciais executáveis, fazendo com que os acordos congelem ou se tornem não econômicos.

Key Risk: A Exxon não consegue assegurar direitos sobre campos que sejam executáveis e lucrativos — os marcos legais/comerciais permanecem fracos demais para monetizar os ativos.

  • Reformas na Venezuela atraem Chevron, Exxon, Repsol e Eni de volta.
  • Produção ultrapassa 1,17M bpd, mas US$100B são necessários para reconstruir a infraestrutura.
  • As majors apostam nas reservas da Faixa do Orinoco apesar dos riscos de corrupção e dívida.

A Venezuela está atraindo novo interesse de grandes petroleiras globais após reformas abrangentes que abriram seu setor energético, mas reconstruir sua infraestrutura corroída exigirá mais do que 100 mil milhões USD (aprox. R$ 525,2 mil milhões) e pelo menos uma década, informou o OilPrice.com

Chevron, ExxonMobil, Repsol e Eni estão ampliando ou negociando novos empreendimentos, apostando nas vastas reservas do país apesar dos riscos persistentes.

Retomada do petróleo da Venezuela

Matthew Smith, do OilPrice.com, escreveu que a Venezuela promulgou reformas importantes no início de 2026, encerrando o monopólio da PDVSA e reduzindo royalties e impostos para atrair investimento estrangeiro. 

As mudanças ocorreram após a remoção de Nicolás Maduro por Washington em janeiro e a instalação de Delcy Rodríguez, que priorizou a produção de petróleo.

A produção já se recuperou. Segundo dados da OPEP citados no relatório, a Venezuela produziu 1.179 million barrels per day em maio de 2026, alta de 3,8% em relação a abril e 10,6% ano a ano.

Isso marca a maior produção mensal em anos, sinalizando ímpeto de recuperação.

Chevron amplia presença

A Chevron, que nunca saiu totalmente da Venezuela, aproveitou sua vantagem de pioneira. Em abril de 2026, aumentou sua participação na joint venture Petroindependencia para 49% e obteve direitos para desenvolver Ayacucho 8 na Faixa do Orinoco. 

A companhia pretende aumentar a produção em 50% dentro de 18–24 meses, elevando a produção para 375.000 barris por dia.

Os ativos da Chevron atualmente produzem cerca de 250.000 barris por dia, principalmente petróleo extra‑pesado adequado para refinarias da Costa do Golfo dos EUA. 

Espera‑se que a expansão aumente significativamente o fluxo de caixa, reforçando a posição da Chevron como player líder na retomada do petróleo da Venezuela.

ExxonMobil reavalia retorno

A ExxonMobil, que perdeu 1,6 mil milhões USD (aprox. R$ 8,4 mil milhões) quando Hugo Chávez expropriou seu projeto Cerro Negro em 2007, há muito considerava a Venezuela “inviável para investimento”. O CEO Darren Woods disse no início deste ano: 

“Se olharmos para os marcos legais e comerciais vigentes hoje na Venezuela, é inviável investir.”

No entanto, as reformas mudaram o cálculo. A Exxon agora está em negociações para adquirir direitos sobre seis campos petrolíferos venezuelanos, uma mudança dramática considerando seu sucesso no Bloco Stabroek, na Guiana.

Petroleiras europeias seguem engajadas

A espanhola Repsol e a italiana Eni, que mantiveram operações apesar das condições hostis, também estão ampliando. 

A Repsol produz cerca de 45.000 barris de óleo equivalente por dia e assinou recentemente acordos para incorporar o campo de Horcón e expandir sua joint venture Petroquiriquire. 

A Eni, com participações no projeto gasífero La Perla e no bloco de petróleo pesado Junin‑5, produz cerca de 64.000 barris por dia e negocia novos investimentos.

Enormes desafios permanecem

Apesar do aumento da produção, a infraestrutura da Venezuela está em ruínas. Cabeças de poço, oleodutos e tanques de armazenamento estão tão corroídos que muitas instalações estão inoperantes, causando danos ambientais generalizados. 

A reconstrução pode custar US$100–220 bilhões e levar mais de uma década. Corrupção, malversação e obrigações de recuperação de dívida também pesam fortemente. 

Investidores estrangeiros permanecem cautelosos, receosos da história de expropriações e da instabilidade regulatória da Venezuela.

Perspectivas

Com 303 bilhões de barris de reservas comprovadas, a Venezuela detém os maiores recursos petrolíferos exploráveis do mundo, principalmente na Faixa do Orinoco. 

Se as reformas se mantiverem e o investimento fluir, a produção poderia atingir 1,5 milhão de barris por dia até 2027, reportou o OilPrice.com. 

Preços elevados do petróleo acelerariam a recuperação, mas a escala da decadência da infraestrutura e das responsabilidades ambientais significa que o progresso será lento.

Smith concluiu que a Venezuela, ao lado da Guiana e do Brasil, está pronta para se tornar um player‑chave no boom petrolífero liderado por exportações da América do Sul. 

Ainda assim, a corrida para recuperar sua vasta riqueza petrolífera testará a resiliência dos investidores estrangeiros e a durabilidade das reformas.