Análise de ações do MercadoLibre: MELI está em risco antes dos lucros

Análise de ações do MercadoLibre: MELI está em risco antes dos lucros
Crispus Nyaga
31 de jul. de 2024, 07:34 AM
  • O MercadoLibre é a maior empresa de comércio eletrônico da região latino-americana.
  • A empresa publicará seus resultados trimestrais na sexta-feira desta semana.
  • É uma boa empresa, mas enfrenta alguns obstáculos substanciais.

O preço das ações do MercadoLibre (NASDAQ: MELI) teve desempenho inferior ao do mercado este ano. Aumentou apenas 3,4% este ano, ficando atrás de outras empresas como Amazon, Jumia e eBay. Além disso, a ação ficou atrás dos principais índices de referência, como os índices S&P 500 e Nasdaq 100.

Forte crescimento e participação de mercado

O MercadoLibre se tornou uma das maiores empresas de comércio eletrônico do mundo, com um valor de mercado de mais de US$ 28 bilhões. Possui uma participação de mercado dominante na região latino-americana.

Ao longo dos anos, as suas receitas aumentaram de mais de 7,4 mil milhões de dólares em 2019 para mais de 10,1 mil milhões de dólares em 2023. Os lucros anuais da empresa aumentaram de mais de 1,78 mil milhões de dólares para mais de 2,6 mil milhões de dólares e os analistas esperam que a tendência continue.

Assim como a Amazon, o MercadoLivre expandiu suas soluções na tentativa de diversificar suas receitas. Além da divisão de comércio eletrônico, a empresa lançou soluções fintech que ajudam as pessoas a pagar e enviar dinheiro.

Também lançou o negócio de crédito Pago, onde concede empréstimos a pessoas físicas e outras empresas. Ao longo dos anos, o número de compradores ativos saltou de mais de 46,1 milhões no primeiro trimestre de 23 para mais de 53,5 milhões no último trimestre. A maioria desses clientes está no Brasil e no México.

Seu negócio de fintech também está prosperando, já que o número de usuários ativos mensais aumentou de 35,6 milhões no primeiro trimestre de 2023 para mais de 49 milhões. Os ativos sob gestão aumentaram de US$ 2,9 bilhões para mais de US$ 5,3 bilhões.

Os resultados mais recentes mostraram que os negócios do MercadoLivre iam bem. Seu volume bruto de mercadorias (GMV) aumentou 20%, para mais de US$ 11,4 bilhões, enquanto o número de itens vendidos aumentou 25%, para mais de 385 milhões. A receita líquida aumentou para US$ 4,3 bilhões, enquanto o lucro líquido aumentou 7,9%, para US$ 344 milhões.

Esse crescimento está acontecendo mesmo com o MercadoLibre enfrentando mais concorrência no setor. A maior parte dessa concorrência vem da Shopee, uma empresa líder do Sudeste Asiático que está ganhando participação de mercado. Os dados de tráfego do site mostram que o Shopee teve mais de 200 milhões de visitantes do site no Brasil em maio.

O MercadoLibre também enfrenta mais concorrência de empresas como Amazon, Temu e AliEpress. Sill, a sua marca bem conhecida e o seu forte ecossistema irão ajudá-la a manter uma quota de mercado.

Lucros do MercadoLibre à frente

O próximo catalisador importante para o preço das ações da MELI serão os lucros da empresa agendados para sexta-feira.

Os analistas têm grandes esperanças para a empresa. Eles esperam que sua receita chegue a US$ 4,6 bilhões, um aumento de 37% em relação ao mesmo trimestre de 2023. Para o ano, os analistas esperam que sua receita seja de US$ 19 bilhões, um aumento de 31% em relação a 2023. Sua receita de 2025 será superior. US$ 23,4 bilhões.

Ao mesmo tempo, a estimativa de lucro médio é de que seu lucro por ação será de US$ 8,53, um grande aumento em relação aos US$ 5,16 obtidos um ano antes. Para o ano, a empresa deverá faturar US$ 33,83, valor superior aos US$ 19,46 de 2023.

Além dos números de primeira linha, o preço das ações da MELI reagirá aos números do segmento e à sua orientação futura.

Os analistas têm uma visão otimista da empresa. A estimativa média é que a ação subirá dos atuais US$ 1.625 para US$ 2.000, o que implica uma valorização de 21% em relação ao nível atual.

Riscos potenciais à frente

Ainda assim, o MercadoLibre enfrenta vários riscos que podem impactar o crescimento de suas receitas. O primeiro grande risco é a Argentina, um mercado central. Embora a inflação tenha caído este ano, o peso argentino caiu para um nível recorde. Estava sendo negociado a 945 em relação ao dólar americano, superior ao mínimo do ano passado de 160.

A desvalorização da moeda tem impacto em uma empresa como o MercadoLivre, que lida com importações de países como a China. Com isso, os vendedores têm que gastar mais dinheiro para importar, o que leva a preços mais elevados.

A mesma situação está acontecendo em outros países da região. Por exemplo, o real brasileiro caiu para 5,60, desde a mínima do ano passado de 4,59. O peso mexicano também caiu de 16,27 para 18,0

Análise do preço das ações do MercadoLivre

Gráfico MELI por TradingView

O outro grande risco que o preço das ações da MELI enfrenta está nos aspectos técnicos. No gráfico diário, vemos que a ação formou um padrão gráfico triplo em torno do nível de US$ 1.787. Na maioria dos casos, este é um dos padrões gráficos mais pessimistas. Seu decote custa US$ 1.325.

Ele também formou um padrão menor de topo duplo cujo decote custa US$ 1.550. A ação também permaneceu acima das médias móveis exponenciais (EMA) de 50 e 100 dias.

Portanto, embora as previsões de ações antes dos lucros sejam sempre arriscadas, suspeito que as ações da MELI terão um rompimento de baixa quando forem divulgadas. Se isso acontecer, poderá cair para o próximo nível de suporte chave em US$ 1.550.