Boeing avalia venda de ações de US$ 10 bilhões em meio a dificuldades financeiras, relata Bloomberg

Boeing avalia venda de ações de US$ 10 bilhões em meio a dificuldades financeiras, relata Bloomberg
Vatsala Gaur
01 de out. de 2024, 08:59 AM
  • A empresa enfrenta pressão financeira devido a uma greve e interrompeu a produção do 737 Max.
  • A Boeing queimou US$ 8,25 bilhões em caixa livre durante o primeiro semestre do ano.
  • A classificação de crédito da Boeing está em risco se a greve continuar.

A Boeing Co. está explorando a possibilidade de levantar US$ 10 bilhões emitindo novas ações para fortalecer suas reservas de caixa, que foram esgotadas por uma greve em andamento, de acordo com uma reportagem da Bloomberg.

De acordo com pessoas com quem a Bloomberg conversou e que estão familiarizadas com as discussões, a Boeing está trabalhando com consultores para avaliar suas opções.

Não se espera que a fabricante de aviões prossiga com a venda de ações por pelo menos um mês, o que dará tempo para avaliar o impacto financeiro da greve em andamento, que envolve 33.000 trabalhadores.

"Nenhuma decisão final sobre o momento ou o valor foi tomada, e a Boeing pode decidir não vender as ações", afirmaram as fontes.

A empresa não quis comentar a situação.

Greve aumenta pressão sobre situação financeira da Boeing

A greve, que agora entra em sua terceira semana, interrompeu a produção do avião de corredor único 737 Max da Boeing, aumentando significativamente a pressão sobre as finanças já frágeis da empresa.

A empresa vem enfrentando reservas de caixa reduzidas após um acidente quase catastrófico em janeiro, que a forçou a desacelerar a produção do 737 Max para resolver problemas de qualidade.

A Boeing queimou US$ 8,25 bilhões em caixa livre durante o primeiro semestre do ano e espera ver uma saída de caixa de US$ 3,36 bilhões no terceiro trimestre, de acordo com analistas.

Estimativas do JP Morgan Chase & Co. sugerem que cada mês de paralisação pode custar à Boeing US$ 1,5 bilhão.

O custo financeiro da greve, juntamente com a dívida da empresa, está pressionando a classificação de crédito da Boeing, que atualmente está um nível acima do grau especulativo.

A Fitch Ratings alertou que uma greve prolongada pode ter consequências operacionais e financeiras significativas, aumentando o risco de um rebaixamento de crédito.

Boeing pondera opções para preservar liquidez

O diretor financeiro da Boeing, Brian West, abordou os desafios de liquidez da empresa no mês passado, afirmando que a Boeing "tomará todas as medidas necessárias" para proteger sua classificação de grau de investimento e reparar seu balanço patrimonial.

West indicou que a empresa está aberta a levantar dívida ou capital para garantir estabilidade financeira.

Numa conferência do Morgan Stanley, West disse aos analistas:

Além de considerar a venda de ações, a Boeing já implementou diversas medidas de redução de custos, incluindo licenças, congelamento de contratações e cortes salariais para executivos.

A empresa tem um histórico de levantar fundos logo após seus relatórios de lucros trimestrais, com o próximo lançamento previsto para o final de outubro.

No início deste ano, a Boeing arrecadou US$ 10 bilhões após a divulgação dos lucros do primeiro trimestre em abril.

Classificação de crédito e desempenho das ações da Boeing sob ameaça

Os problemas financeiros da Boeing foram agravados por uma queda de 42% no valor de suas ações neste ano, tornando 2024 um dos piores anos desde a crise financeira de 2008.

Analistas estão cada vez mais preocupados com a capacidade da empresa de manter sua classificação de crédito, principalmente se a greve continuar e a produção permanecer interrompida.

A Boeing também enfrenta compromissos financeiros adicionais relacionados à aquisição planejada de US$ 4,7 bilhões da Spirit AeroSystems Inc., um fornecedor-chave no centro dos atuais problemas de fabricação da empresa.

Embora a aquisição deva ser paga em ações, a Boeing precisará de mais investimentos para recuperar o negócio.

À medida que a Boeing enfrenta esses desafios, a potencial venda de ações de US$ 10 bilhões pode proporcionar algum alívio.

No entanto, a empresa deve primeiro resolver a greve em andamento e seus custos financeiros antes de prosseguir com qualquer iniciativa de arrecadação de fundos.