Novo contrato de trabalho da Boeing visa folha de pagamento de US$ 1 bilhão em quatro anos em meio à greve, ações sobem

Novo contrato de trabalho da Boeing visa folha de pagamento de US$ 1 bilhão em quatro anos em meio à greve, ações sobem
Vatsala Gaur
21 de out. de 2024, 10:42 AM
  • Boeing oferece aumento salarial de 35% e bônus de US$ 7.000 em nova proposta de contrato de trabalho.
  • Analistas estimam que os custos salariais da Boeing excedam US$ 1 bilhão.
  • Apesar desses custos, as ações da Boeing subiram 4% na segunda-feira, refletindo o otimismo dos investidores.

A Boeing deve incorrer em mais de US$ 1 bilhão em despesas salariais com uma nova proposta de contrato de trabalho elaborada para encerrar uma greve que interrompeu significativamente suas operações, de acordo com estimativas de analistas compiladas pela Reuters.

Apesar desses custos, as ações da Boeing subiram 4% na segunda-feira, refletindo o otimismo dos investidores de que a greve de um mês pode ser resolvida em breve.

Cerca de 33.000 trabalhadores, representados pelo sindicato Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais, devem votar na nova proposta de contrato na quarta-feira.

A greve, que começou há mais de um mês, interrompeu a produção de vários modelos importantes, incluindo os jatos 737 MAX mais vendidos da Boeing, causando atrasos substanciais e dificuldades financeiras para a empresa.

O momento da votação coincide com o relatório de lucros do terceiro trimestre da Boeing, onde a empresa deve relatar um prejuízo considerável, em parte devido ao impacto da greve.

Nova oferta da Boeing aos trabalhadores

A nova proposta de contrato de trabalho oferece aos trabalhadores um aumento salarial de 35% ao longo de quatro anos, um bônus de ratificação de US$ 7.000, um plano de incentivo restabelecido e maiores contribuições para aposentadoria.

A Boeing prometeu uma contribuição única de US$ 5.000 para os planos de aposentadoria 401(k) dos trabalhadores, juntamente com contribuições do empregador de até 12%.

Esses termos representam uma melhoria em relação à oferta anterior da Boeing, que havia sido rejeitada pelos trabalhadores em greve.

Embora a proposta fique aquém da demanda inicial do sindicato por um aumento salarial de 40%, ela marca um passo significativo para resolver a greve.

O analista do JP Morgan, Seth Seifman, comentou sobre o acordo, escrevendo:

Analistas estimam que os aumentos salariais e bônus custarão à Boeing mais de US$ 1 bilhão.

A analista da Jefferies, Sheila Kahyaoglu, espera que as despesas relacionadas a salários totalizem aproximadamente US$ 1,3 bilhão sob os novos termos do contrato.

Boeing enfrenta desafios para restaurar produção

Mesmo que os trabalhadores aprovem o novo acordo, a Boeing enfrentará desafios significativos para retomar a produção aos níveis anteriores à greve.

A greve interrompeu a produção dos modelos mais lucrativos da Boeing, incluindo o 737 MAX, bem como seus widebodies 767 e 777.

Analistas do RBC Capital Markets alertaram que normalmente leva de 6 a 12 meses após uma greve para que a produção se recupere totalmente.

“Além disso, o impacto que a greve teve na já frágil cadeia de suprimentos é incerto”, acrescentaram os analistas do RBC, destacando riscos adicionais que podem prolongar a recuperação da produção da Boeing.

Ações da Boeing sobem apesar dos obstáculos financeiros

Apesar do ônus financeiro dos custos salariais e da interrupção contínua, as ações da Boeing estavam sendo negociadas a US$ 161 no pré-mercado.

Isso marca o nível mais alto desde 12 de setembro, pouco antes do início da greve, indicando otimismo dos investidores de que a empresa pode resolver a disputa em breve e começar a restaurar a produção.

Em um desenvolvimento paralelo, aproximadamente 5.000 trabalhadores da fábrica de jatos executivos Textron, em Wichita, Kansas, retornaram ao trabalho após aceitar um contrato de cinco anos que prevê aumentos salariais de 31%.

Esse desenvolvimento aumenta a sensação de otimismo no setor aeroespacial, com esperanças de que a Boeing logo siga o exemplo para resolver seus problemas trabalhistas.

Embora a votação do contrato seja aguardada com grande expectativa, a Boeing ainda enfrenta o desafio de aumentar rapidamente a produção e administrar o impacto mais amplo da greve em sua já sobrecarregada cadeia de suprimentos.