Greve da Boeing continua enquanto trabalhadores rejeitam proposta de aumento salarial de 35%

Greve da Boeing continua enquanto trabalhadores rejeitam proposta de aumento salarial de 35%
Harsh Vardhan
24 de out. de 2024, 01:02 AM
  • Os trabalhadores da Boeing rejeitaram a última oferta da empresa com 64% dos votos contra.
  • A Boeing relatou US$ 6 bilhões em perdas, com US$ 4 bilhões provenientes de sua divisão de aeronaves comerciais.
  • A CEO Kelly Ortberg está focada em reiniciar as operações e implementar mudanças culturais.

Os trabalhadores em greve da Boeing votaram para rejeitar uma oferta revisada da gigante aeroespacial, prolongando a paralisação que começou em 13 de setembro.

A proposta, que incluía um aumento salarial de 35% ao longo de quatro anos, foi rejeitada por 64% dos membros do sindicato Associação Internacional de Maquinistas Trabalhadores Aeroespaciais (IAM).

Segunda oferta não convence trabalhadores em greve

A última rejeição marca a segunda vez que trabalhadores da Boeing recusam um acordo proposto.

No mês passado, 95% dos membros do sindicato votaram contra a oferta inicial da empresa, reforçando as frustrações entre os trabalhadores.

Mais de 30.000 funcionários da Boeing estão participando da greve, que causou atrasos significativos na produção de todas as operações da empresa.

Em nota, representantes sindicais ressaltaram a insatisfação dos trabalhadores.

“Após 10 anos de sacrifícios, ainda temos muito a recuperar e estamos esperançosos de fazer isso retomando as negociações prontamente”, disse o IAM.

Boeing enfrenta perdas de US$ 6 bilhões em meio à desaceleração da produção

O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, que assumiu a liderança em agosto, alertou que a empresa está em um momento crítico.

A Boeing relatou perdas crescentes, com um total de US$ 6 bilhões perdidos em todas as divisões.

Seu negócio de aeronaves comerciais sofreu perdas operacionais de US$ 4 bilhões no último trimestre, enquanto a divisão de defesa registrou um prejuízo de US$ 2,4 bilhões.

Ortberg reconheceu as dificuldades da empresa durante uma declaração recente, dizendo:

Retrocessos operacionais e desafios do programa espacial

A greve se soma aos crescentes desafios da Boeing, que começaram no início deste ano, quando um estouro no ar de um avião de passageiros destacou problemas de fabricação.

Suas operações espaciais também sofreram contratempos, já que a nave espacial Starliner teve que retornar à Terra prematuramente sem transportar astronautas, levantando preocupações sobre qualidade e segurança.

Ortberg admitiu que a reputação da Boeing foi prejudicada e enfatizou a necessidade de mudanças internas.

“Precisamos evitar o agravamento dos problemas e trabalhar melhor juntos para identificar, consertar e entender as causas raiz”, disse ele.

Reduções de força de trabalho e interrupções na cadeia de suprimentos

Para agravar as dificuldades, a Boeing anunciou no início deste mês planos de cortar aproximadamente 10% de sua força de trabalho.

Muitos outros funcionários estão em licenças rotativas porque a greve interrompe a produção.

A empresa também está trabalhando em estreita colaboração com os fornecedores para gerenciar o impacto da paralisação.

Ortberg disse aos investidores que, quando a greve terminar, reiniciar as operações será um desafio.

“É muito mais difícil ligar isso do que desligar. Então é crítico, absolutamente crítico, que façamos isso direito”, ele disse.

A empresa tem um plano detalhado de retorno ao trabalho pronto para implementar, mas enfatizou a importância de uma execução cuidadosa.

A carteira de pedidos oferece à Boeing um vislumbre de esperança

Apesar dos desafios financeiros, a Boeing mantém uma carteira de pedidos significativa de aproximadamente 5.400 aeronaves, o que Ortberg acredita que posiciona bem a empresa para a recuperação.

No entanto, analistas alertam que o caminho para a estabilidade não será fácil.

“Eles claramente têm muito do que se recuperar, tanto operacional quanto financeiramente”, disse Ben Toscanos da S&P Ratings. “

O primeiro passo será resolver a greve... então veremos como isso vai acontecer.”

Ortberg delineou uma estratégia focada em mudar a cultura interna da Boeing, enfatizando colaboração e responsabilidade.

“A prioridade agora é restaurar a confiança dentro de nossa força de trabalho e com nossos clientes”, disse ele.