Regras mais rígidas da Austrália sobre criptomoedas provocam declínio de empresas de blockchain

Regras mais rígidas da Austrália sobre criptomoedas provocam declínio de empresas de blockchain
Rony Roy
09 de dez. de 2024, 11:06 AM
  • Empresas de blockchain e criptomoedas lideraram os fechamentos de fintech na Austrália em 2024.
  • O relatório citou a crescente mudança em direção à IA como o principal fator dessa queda.
  • Espera-se que os ETFs de Bitcoin e os cortes de juros futuros ajudem a impulsionar a recuperação.

As empresas focadas em blockchain e criptomoedas representaram a maior parte dos fechamentos de fintech na Austrália em 2024.

De acordo com um relatório de 9 de dezembro da empresa de serviços profissionais KPMG, o espaço blockchain e criptomoedas foi "o mais atingido no cenário fintech australiano" em 2024.

Cerca de 7% das empresas de tecnologia financeira sediadas no país encerraram suas operações entre 2023 e 2024, totalizando 60 empresas fechadas.

O número total de empresas fintech independentes caiu para 767 em dezembro de 2024, de um pico de mais de 800 em 2022, acrescentou o relatório.

Empresas pertencentes ao setor de blockchain e criptomoedas representaram 14% do número total de empresas que deixaram o espaço fintech australiano este ano.

Atualmente, o país abriga 74 empresas ativas neste setor, incluindo empresas importantes como SwyftX e CoinSpot.

De acordo com a KPMG, o principal fator por trás dessa queda foi a "mudança global do foco da tecnologia blockchain para a IA", com investidores "aplicando capital no espaço cada vez mais importante da IA para converter seus negócios em empresas voltadas para o futuro e capazes de usar IA".

No entanto, pesquisadores da KPMG acreditam que essa queda é momentânea, apontando para catalisadores positivos que ajudarão a reverter essa tendência no futuro.

Especificamente, o relatório citou a aprovação de fundos negociados em bolsa de Bitcoin nos Estados Unidos como um potencial catalisador para revitalizar o setor de blockchain.

No início deste ano, o fundo IBTC da Monochrome Asset Management se tornou o primeiro ETF do país a deter Bitcoin diretamente.

Entre outros possíveis impulsionadores, a KPMG observou que os cortes de taxas esperados em vários mercados globais, também antecipados na Austrália, "poderiam liberar capital que estava parado" e tornar ativos de risco, como criptomoedas, uma opção de investimento mais viável.

Austrália aumenta supervisão de criptomoedas

Nesse contexto, os reguladores australianos estão buscando intensificar a supervisão do setor de criptomoedas, focando em áreas como tributação e proteção ao investidor.

No mês passado, o departamento do Tesouro da Austrália publicou um documento de consulta sobre se deveria implementar o Marco de Relato de Ativos Criptográficos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que busca estabelecer diretrizes para o relato e a coleta de dados fiscais sobre ativos criptográficos.

Se implementadas, as diretrizes exigirão que as exchanges criptomoedas do país relatem transações criptográficas às autoridades fiscais.

Mais recentemente, a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos ( ASIC ) emitiu o Documento de Consulta 381, constituindo planos para abordar lacunas regulatórias no setor de criptomoedas e aprimorar as medidas de proteção ao investidor.

Os regulamentos classificariam os ativos criptográficos como produtos financeiros e regulariam provedores de serviços como bolsas e outras plataformas relacionadas sob os marcos da Licença de Serviços Financeiros e Licença de Mercado da Austrália.

Vários participantes do mercado levantaram preocupações de que regulamentações mais rígidas poderiam obrigar os pioneiros das criptomoedas a se mudarem para mercados offshore.

Enquanto isso, no próximo ano, o Australian Transaction Reports and Analysis Centre (AUSTRAC) prometeu reprimir golpes e atividades de lavagem de dinheiro alimentadas por caixas eletrônicos de criptomoedas na Austrália.

Conforme relatado anteriormente pela Invezz, a AUSTRAC criou uma força-tarefa interna que garantirá que os operadores de caixas eletrônicos de criptomoedas no país cumpram as leis antilavagem de dinheiro e estejam sujeitos a ações de aplicação e penalidades por não cumprimento.