Trump e Macron divergem sobre estratégia para a Ucrânia apesar das tentativas diplomáticas.

Trump e Macron divergem sobre estratégia para a Ucrânia apesar das tentativas diplomáticas.
Srinibas Rout
25 de fev. de 2025, 02:07 AM
  • Enquanto Trump pressionava por um acordo de cessar-fogo rápido com a Rússia, Macron enfatizou a necessidade de um processo estruturado.
  • Trump se recusou a classificar o presidente russo Vladimir Putin como ditador.
  • Macron, em contraste, foi inequívoco ao condenar as ações da Rússia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente francês, Emmanuel Macron, demonstraram cordialidade diplomática na segunda-feira, mas divergências marcantes surgiram em suas abordagens para resolver a guerra na Ucrânia.

Enquanto Trump pressionava por um acordo de cessar-fogo rápido com a Rússia, Macron enfatizou a necessidade de um processo de paz estruturado, revelando profundas divisões entre os Estados Unidos e a Europa sobre como encerrar o conflito.

A reunião, que marcou três anos desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, destacou as estratégias contrastantes adotadas por Washington e Paris.

Enquanto Trump expressou seu desejo de intermediar uma trégua imediata, Macron enfatizou que qualquer acordo de paz deve ser cuidadosamente avaliado, verificado e incluir garantias de segurança.

Sua divergência sublinhou o debate mais amplo sobre se um cessar-fogo rápido levaria à estabilidade duradoura ou simplesmente serviria como uma pausa temporária antes de novas agressões de Moscou.

Trump evita chamar Putin de ditador.

Um dos momentos-chave das discussões ocorreu quando Trump se recusou a chamar o presidente russo Vladimir Putin de ditador, apesar de ter controversamente chamado o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de ditador apenas alguns dias antes.

Macron, em contraste, foi inequívoco ao condenar as ações da Rússia, afirmando: “O presidente Putin violou a paz”.

Seus comentários reforçaram a firme posição da Europa de que a Rússia continua sendo o claro agressor na guerra em curso.

Trump reiterou sua crença de que um cessar-fogo deveria ser alcançado “o mais rápido possível” e sugeriu que poderia viajar a Moscou para se encontrar com Putin assim que um acordo for firmado.

Seus comentários alimentaram especulações sobre a extensão de sua disposição em se envolver com o líder russo e o impacto potencial nas relações EUA-Europa.

Macron insiste em um processo de paz estruturado.

Enquanto Trump defendia uma resolução rápida, Macron alertou contra a pressa em fechar um acordo que pudesse deixar a Ucrânia vulnerável.

Ele enfatizou que qualquer acordo deve ser “avaliado, verificado e confirmado” para garantir que ofereça garantias de segurança reais, em vez de apenas congelar o conflito.

“Queremos a paz, ele quer a paz. Queremos a paz rapidamente, mas não queremos um acordo fraco”, disse Macron a repórteres, sinalizando suas preocupações de que um acordo prematuro poderia encorajar a Rússia em vez de deter futuras agressões.

Acordo sobre forças de manutenção da paz europeias

Apesar de suas diferenças, Trump e Macron encontraram um terreno comum na possibilidade de envio de forças de paz europeias assim que um acordo de paz formal for alcançado.

Macron esclareceu que essas forças não se envolveriam em combate ativo, mas serviriam para monitorar e fazer cumprir os termos do acordo.

“Eles não estariam na linha de frente. Eles não fariam parte de nenhum conflito. Estariam lá para garantir que a paz seja respeitada”, afirmou Macron.

Trump sinalizou seu apoio à proposta, afirmando que Putin também estava aberto à ideia.

“Sim, ele aceitará isso”, disse Trump, acrescentando que havia levantado especificamente a questão com o presidente russo.

O encontro entre Trump e Macron sublinhou a contínua divergência na diplomacia ocidental sobre como lidar com a crise na Ucrânia.

Enquanto o presidente dos EUA parecia ansioso por fechar um acordo e avançar para a desescalada, o líder francês insistiu que qualquer resolução deve estar enraizada na segurança a longo prazo.

À medida que a guerra na Ucrânia continua a moldar a geopolítica global, a divisão entre Washington e a Europa permanece um fator crucial na determinação dos próximos passos rumo à paz.