Crypto watch LATAM: Honduras alerta contra o Bitcoin enquanto a Argentina abraça a tokenização do lítio

Crypto watch LATAM: Honduras alerta contra o Bitcoin enquanto a Argentina abraça a tokenização do lítio
Noris Soto
05 de abr. de 2025, 08:50 AM
  • O Banco Central de Honduras alerta contra o uso de criptomoedas.
  • Argentina avança com a tokenização do lítio em parceria com a Atómico 3.
  • Argentina divulga marco regulatório para provedores de serviços de ativos virtuais.

O cenário cripto em evolução na América Latina está testemunhando uma forte divergência de políticas.

Enquanto Honduras intensifica seus alertas contra criptomoedas como Bitcoin e Ethereum, a Argentina está abraçando a inovação blockchain ao avançar com a tokenização de lítio e introduzir novas regulamentações para provedores de serviços de ativos virtuais.

Banco Central de Honduras reafirma oposição à adoção de criptomoedas

O Banco Central de Honduras (BCH) reiterou mais uma vez sua firme posição contra o uso de criptomoedas.

Em um novo comunicado público, o banco alertou os cidadãos sobre a alta volatilidade e os riscos associados a ativos digitais como Bitcoin, Ethereum e Litecoin, enfatizando que estes não são moeda legal de acordo com a lei hondurenha.

Em comunicado nas redes sociais, o BCH esclareceu que as criptomoedas operam fora dos sistemas legais e financeiros do país e que não apoia nem garante transações envolvendo-as.

“Investir em criptomoedas é por sua própria conta e risco”, alertou o banco, instando as pessoas a não investirem mais do que podem se dar ao luxo de perder.

Esta reiteração segue-se a avisos anteriores, incluindo um emitido durante o 70º aniversário do BCH, que enfatizou que o Lempira continua a ser a única moeda legal em Honduras.

O BCH enfatizou que é a única instituição autorizada a emitir moeda legal e que não regula nem supervisiona nenhuma forma de moeda virtual utilizada para pagamento ou investimento.

A cautela renovada do banco reflete preocupações mais amplas na região sobre a natureza especulativa das criptomoedas e seu potencial para desestabilizar as economias locais.

Argentina avança na tokenização do lítio com integração blockchain

Em contraste com a abordagem cética de Honduras, a Argentina está acelerando sua investida na inovação em blockchain.

O país está fazendo progressos significativos na tokenização de lítio por meio de uma parceria com a Atómico 3, uma empresa focada na aplicação de blockchain à gestão de commodities.

A iniciativa visa melhorar a rastreabilidade, a responsabilização e a confiança na cadeia de suprimentos de lítio da Argentina.

Cada Token de Commodities AT3 será lastreado por reservas reais de lítio extraídas da região do Salar de Mogna, na província de San Juan.

Esses tokens serão emitidos em um livro-razão blockchain para garantir transparência e verificabilidade em todo o processo de mineração e exportação.

A Atómico 3 se comprometeu a cumprir as obrigações de produção pelos próximos dez anos e a utilizar contratos inteligentes para distribuir a receita aos detentores de tokens com base nos preços do mercado de lítio.

Assim que o ciclo operacional for concluído, os tokens serão resgatados e permanentemente removidos (queimados) de circulação.

A medida é vista como um passo ousado no uso de ativos digitais para conectar indústrias tradicionais com tecnologias emergentes, especialmente em setores como produção de baterias e veículos elétricos.

Um whitepaper detalhado foi divulgado, descrevendo o escopo do projeto, a conformidade regulatória e o potencial para o comércio internacional.

Argentina introduz novo marco regulatório para criptomoedas

Em 21 de março, a Comissão Nacional de Valores Mobiliários da Argentina (CNV) apresentou um marco regulatório para Provedores de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs). O anúncio ocorreu durante um evento com grande participação de partes interessadas dos setores de fintech e mercados de capitais.

A CNV confirmou a aprovação da Resolução Geral nº 1058, elaborada por meio de consulta pública, que designa formalmente a CNV como órgão de supervisão das VASPs nos termos da Lei nº 27.739.

As autoridades enfatizaram que o novo arcabouço está alinhado com os padrões internacionais, incluindo os do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).

Com esses desenvolvimentos, a Argentina está se posicionando como líder regional na integração da tecnologia blockchain e na regulamentação de criptomoedas, enquanto Honduras permanece cautelosa — sublinhando os caminhos divergentes que os países latino-americanos estão tomando em relação aos ativos digitais.