JBS lança negociação de BDRs no Brasil antes da estreia na NYSE

JBS lança negociação de BDRs no Brasil antes da estreia na NYSE
Noris Soto
09 de jun. de 2025, 14:43 PM
  • Os BDRs da JBS estreiam na B3 com as ações locais da JBSS3 sendo retiradas da capital em reestruturação global.
  • Listagem na NYSE marcada para 12 de junho, ampliando o acesso da JBS a investidores internacionais.
  • Conversão de BDR sem taxas disponível de 11 de junho a 11 de julho para facilitar a transição.

A JBS iniciou a negociação nesta segunda-feira (9) de seus Brazilian Depositary Receipts (BDRs), índice de ações da B3, como parte de seu processo de dupla listagem.

Em Brasília, no início da tarde, os BDRs do JBSS32 subiram 1,02%, a R$ 78,86.

De acordo com o InfoMoney, essa mudança está ligada à reestruturação societária finalizada ontem, quando as ações da JBS foram incorporadas à JBS Participações.

As ações ordinárias da JBS inicialmente negociadas sob a JBSS3 deixaram de ser negociadas na B3, em decorrência da referida transição.

Em vez disso, os investidores brasileiros agora podem acessar a empresa por meio de BDRs (bônus de subscrição), que estão enraizados em ações emitidas pela JBS NV, uma empresa atualmente sediada na Holanda.

As ações finais da JBS NV serão listadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) na quarta-feira (12 de junho) com o símbolo "JBS".

Período de acesso e conversão para investidores

Apesar da transformação estrutural, a negociação de BDRs JBSS32 permite que investidores brasileiros mantenham exposição às ações da JBS.

A corporação também anunciou uma janela de conversão sem taxas para BDRs para ações listadas na NYSE. Esse período, que vai de 11 de junho a 11 de julho, tem como objetivo suavizar as transições dos investidores e permitir a integração com as atividades estrangeiras da empresa.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a listagem de BDRs em 30 de maio. O procedimento garante que a JBS atenda às normas regulatórias locais, ao mesmo tempo em que permite sua nova configuração internacional.

A nova estrutura faz parte de um esforço maior para melhorar a governança, aumentar o acesso ao mercado de capitais e refletir de forma mais adequada a presença global da empresa.

Estratégia global alinhada com as operações

A JBS é uma das maiores produtoras de alimentos do mundo e opera mais de 250 unidades em 17 países.

Possui mais de 300.000 clientes no setor de carnes.

Com uma estrutura de governança corporativa mais alinhada às suas muitas operações internacionais, a empresa está acabando com sua estrutura legal e de listagem existente.

A entidade teria BDRs na B3 e ações classe A na NYSE, no que seria uma dupla listagem com a intenção de aumentar a profundidade e a liquidez dos mercados de capitais abertos à JBS e elevar sua visibilidade mundial.

Como tal, a empresa acredita que esta nova estrutura proporcionará maior flexibilidade estratégica para executar sua estratégia de crescimento de negócios e alocar seu capital com mais eficiência.

Os BDRs são um canal de investimento importante

Após a saída das ações da JBSS3, os BDRs são atualmente o principal veículo para investidores brasileiros que desejam investir na JBS.

Esses instrumentos replicam o desempenho das ações mundiais da empresa, e os dividendos serão desembolsados aos detentores de BDRs seguindo os procedimentos existentes.

Os BDRs são frequentemente empregados por corporações globais para manter uma presença no Brasil, evitando uma listagem local completa.

Eles fornecem uma opção simples para os investidores locais terem acesso a empresas multinacionais que usam a infraestrutura familiar da bolsa B3.

Perspectivas e perspectivas de mercado

Os analistas de mercado percebem a transição positivamente. A Genial Investimentos, por exemplo, vê a reestruturação como uma chance de possíveis ganhos de valor e sugere a aquisição de BDRs da JBS.

A empresa acredita que a visibilidade e o acesso da empresa ao financiamento melhorarão com sua exposição aos mercados dos EUA.

À medida que a listagem da NYSE se aproxima, o foco mudará para como a JBS gerencia o interesse dos investidores em um novo ambiente regulatório e financeiro.

O sucesso de sua listagem dupla pode servir de modelo para outras empresas brasileiras que buscam expandir sua base de investidores e interagir melhor com os mercados globais.