Seca de investimento global: IED para economias em desenvolvimento atinge mínima de 20 anos

Seca de investimento global: IED para economias em desenvolvimento atinge mínima de 20 anos
Devesh Kumar
17 de jun. de 2025, 09:55 AM
  • O IED nas economias em desenvolvimento caiu para US$ 435 bilhões em 2023, o menor desde 2005.
  • O aumento das barreiras comerciais e as tensões geopolíticas são os principais impulsionadores do declínio.
  • O Banco Mundial alerta para necessidades de infraestrutura não atendidas e metas globais paralisadas.

O Banco Mundial informou que os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para as economias em desenvolvimento despencaram para US$ 435 bilhões em 2023, marcando o nível mais baixo desde 2005.

Esse declínio alarmante, detalhado em um comunicado de imprensa recente, ressalta uma tendência preocupante para os mercados emergentes que dependem fortemente de tais investimentos para impulsionar o crescimento econômico, o desenvolvimento de infraestrutura e a criação de empregos.

À medida que as barreiras globais ao comércio e ao investimento aumentam, as implicações para essas nações são profundas, levantando preocupações sobre sua capacidade de atingir metas críticas de desenvolvimento.

Um declínio acentuado no IED: o que os números revelam

De acordo com a última pesquisa do Banco Mundial, publicada em 16 de junho de 2025, o IED nos países em desenvolvimento não era tão baixo há quase duas décadas.

O valor de US$ 435 bilhões representa uma queda significativa em relação aos anos anteriores, refletindo um recuo mais amplo nos fluxos globais de investimento.

Enquanto isso, as economias avançadas também registraram uma baixa histórica, com apenas US$ 336 bilhões em entradas de IED em 2023 – a menor desde 1996.

Esses números, relatados pela Reuters e pelos canais oficiais do Banco Mundial, destacam uma desaceleração sincronizada no investimento nos mercados em desenvolvimento e desenvolvidos.

O Banco Mundial atribui esse declínio a vários fatores, incluindo o aumento das barreiras comerciais, as tensões geopolíticas e o aumento dos riscos políticos que dissuadem os investidores.

As economias em desenvolvimento, muitas vezes vistas como destinos de maior risco, suportaram o peso desse clima de investimento cauteloso.

O relatório adverte que essa tendência ameaça paralisar o progresso econômico em regiões que já lutam contra a pobreza, a desigualdade e os déficits de infraestrutura.

Por que o IED é importante para as economias emergentes

O investimento estrangeiro direto é a pedra angular do desenvolvimento econômico para muitos mercados emergentes.

Ele fornece não apenas capital, mas também transferência de tecnologia, oportunidades de emprego e acesso a mercados internacionais.

Países da África, América Latina e partes da Ásia historicamente dependem do IED para preencher lacunas de financiamento para projetos de grande escala, como estradas, sistemas de energia e centros industriais.

O declínio atual, conforme observado pelo Banco Mundial, deixou "vastas lacunas de infraestrutura não atendidas", exacerbando os desafios nessas regiões.

Para contextualizar, os fluxos de IED geralmente representam uma parcela significativa do produto interno bruto (PIB) nos países em desenvolvimento.

Uma redução para níveis não vistos desde 2005 sinaliza uma possível reversão dos ganhos econômicos obtidos nas últimas duas décadas.

Principais impulsionadores do recuo do investimento

Vários fatores interconectados contribuíram para a queda acentuada nos fluxos de IED.

Primeiro, o aumento de políticas protecionistas e barreiras comerciais criou incerteza para empresas multinacionais que desejam investir no exterior.

Tarifas, restrições à exportação e obstáculos regulatórios tornaram os investimentos transfronteiriços menos atraentes, especialmente em economias em desenvolvimento, onde a estabilidade política já pode ser uma preocupação.

Em segundo lugar, as tensões geopolíticas diminuíram ainda mais a confiança dos investidores.

Conflitos e relações internacionais tensas levaram a uma economia global mais fragmentada, com os investidores favorecendo mercados mais seguros e previsíveis.

O relatório do Banco Mundial observa especificamente que essas tensões desviaram o capital das economias emergentes, uma tendência também destacada pela Reuters em sua análise.

Por fim, os riscos de política interna em muitos países em desenvolvimento têm desempenhado um papel. Questões como regulamentações inconsistentes, corrupção e estruturas legais inadequadas continuam a impedir investimentos de longo prazo.

Disparidades regionais e as nações mais atingidas

A queda acentuada no investimento estrangeiro direto (IED) não atingiu todas as regiões em desenvolvimento igualmente.

Enquanto alguns países conseguiram manter uma fatia maior do bolo de investimento cada vez menor, outros viram seus fluxos de IED quase desaparecerem.

A Índia, por exemplo, recebeu US$ 28,1 bilhões em IED em 2023 e, junto com a China e o Brasil, foi responsável por quase metade de todo o IED em mercados emergentes entre 2012 e 2023. 

A participação da Índia sozinha ficou em 6% durante esse período.

No entanto, os países mais pobres – muitas vezes classificados como menos desenvolvidos – foram deixados para trás.

Em 2023, essas nações receberam apenas 2% do total de IED global, destacando um grande desequilíbrio.

Disclaimer: Partes deste artigo foram geradas com a ajuda de ferramentas de IA e revisadas pela equipe editorial da Invezz quanto à precisão e aderência aos nossos padrões.