Invezz

Brasil eleva previsão de crescimento para 2025 e vê impacto limitado das tarifas dos EUA

Brasil eleva previsão de crescimento para 2025 e vê impacto limitado das tarifas dos EUA
Noris Soto
11 de jul. de 2025, 11:29 AM
  • O Brasil eleva sua previsão de crescimento do PIB em 2025 para 2,5%, acima dos 2,4% projetados em maio.
  • Ministério das Finanças diz que as tarifas dos EUA terão impacto limitado no crescimento geral.
  • Espera-se que a política monetária apertada desacelere ligeiramente a expansão em 2026 para 2,4%.

Apesar dos ventos contrários do comércio externo e das condições monetárias domésticas apertadas, o Ministério da Fazenda do Brasil elevou sua perspectiva econômica para 2025 e agora vê um crescimento mais forte do que o esperado.

O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2,5% no próximo ano, revisado em relação à previsão de 2,4 dólares em maio, informou a secretaria de política econômica do ministério em um relatório publicado na sexta-feira.

A revisão para cima ocorre em meio ao crescente otimismo sobre a demanda doméstica, bem como à força em certos setores, particularmente agricultura, mineração e serviços.

Por outro lado, a projeção para 2026 foi reduzida para um crescimento de 2,4% (de 2,5%), com o ministério projetando os efeitos defasados esperados da política monetária relativamente apertada com o Banco Central do Brasil.

As estimativas de crescimento não incluem tarifas recentes dos EUA

O ministério ressaltou que os dados mais recentes não levam em conta o impacto de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no início desta semana.

Embora a lista completa de produtos afetados ainda não tenha sido divulgada, o governo brasileiro afirmou que o impacto geral da medida no PIB em 2025 provavelmente será pequeno.

"O impacto das tarifas tende a ser de pouca importância no crescimento de 2025, embora alguns setores manufatureiros possam ser particularmente atingidos", indicou o estudo.

O anúncio do imposto provocou alarme no setor industrial do Brasil, particularmente entre os produtores de commodities vendidas para os Estados Unidos.

No entanto, a avaliação do ministério indica que os fundamentos macroeconômicos maiores permanecem inalterados.

Política monetária vista como um dos principais constrangimentos em 2026

A revisão negativa para 2026 reflete o arrasto previsto da atual política monetária restritiva. O Banco Central do Brasil manteve as taxas de juros altas para combater a inflação, uma política que deve continuar no médio prazo.

Prevê-se que os preços dos empréstimos mais altos reduzam o investimento e o consumo, resultando em uma expansão econômica mais fraca em 2026.

Embora a inflação tenha desacelerado em comparação com os anos anteriores, o banco central tem sido cauteloso ao sinalizar a possibilidade de uma redução da taxa, favorecendo a estabilidade de preços em detrimento do crescimento de curto prazo.

As perspectivas permanecem cautelosas em meio a desafios comerciais e políticos

Apesar da revisão para cima da previsão para 2025, o prognóstico econômico geral do Brasil permanece cauteloso.

As possíveis consequências setoriais específicas das restrições comerciais dos EUA, juntamente com as altas taxas de juros domésticas, representam riscos negativos para a trajetória de crescimento.

No entanto, o Ministério das Finanças enfatizou que as previsões atuais são baseadas nos dados disponíveis e podem mudar à medida que mais informações se tornam disponíveis, particularmente sobre a aplicação e a extensão das tarifas propostas nos EUA.

O Brasil continua acompanhando de perto as tendências externas, contando com demanda interna, programas de investimento público e reformas estruturais para impulsionar o crescimento econômico no curto prazo.

Aproximadamente 1% do PIB do Brasil é composto por exportações, das quais pouco mais de 10% vão para os EUA.

No entanto, as maiores implicações podem estar na política, especialmente antes das eleições presidenciais de 2026 no Brasil.

Alguns especialistas também estão preocupados que a pressão comercial dos EUA possa permitir que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a use como uma ferramenta para enfrentar a influência estrangeira, resultando em uma postura mais dura que dificultará a desescalada diplomática.

O aumento do nacionalismo econômico pode dificultar as negociações do próximo ano e agravar ainda mais os mercados nos próximos meses.