Ações da Starbucks caem depois que Jefferies rebaixou as ações

Ações da Starbucks caem depois que Jefferies rebaixou as ações
Ananthu C U
17 de jul. de 2025, 10:32 AM
  • A Jefferies rebaixou a Starbucks para "Underperform", alertando para uma queda de 18% devido à supervalorização.
  • O analista Andy Barish criticou o foco da Starbucks em bebidas quentes e experiências na loja.
  • A Starbucks é negociada a uma avaliação premium de 38x os lucros futuros, o que Jefferies argumenta ser injustificado.

A Jefferies emitiu uma chamada de baixa para a Starbucks, rebaixando a gigante global do café de Hold para Underperform, citando uma desconexão entre o desempenho recente das ações da empresa e seus fundamentos subjacentes.

A mudança ocorre em meio a uma alta de 13% nas ações da Starbucks nos últimos três meses, uma alta que o analista Andy Barish acredita não ser justificada pela atual realidade operacional da empresa.

Barish estabeleceu um novo preço-alvo de US$ 76, implicando uma queda de 18% em relação ao preço de fechamento das ações na quarta-feira.

As ações da Starbucks caíram 1,68% na sessão de pré-mercado após o rebaixamento. Em 2025, as ações da Starbucks tiveram alta volatilidade, com as ações subindo apenas 0,37%.

Em nota aos clientes, o analista alertou que as expectativas dos investidores se anteciparam ao desempenho real dos negócios. "Achamos que as expectativas mais uma vez se estabeleceram muito à frente da realidade: ainda não há evidências fortes (em composições ou margens) de melhorias fundamentais significativas e duradouras para o negócio", escreveu Barish.

Ele também destacou os desafios contínuos, como a necessidade de "investimentos significativos" em tecnologia e pessoal no curto e médio prazo.

Esses gastos, de acordo com Barish, podem pesar nas margens e lucros futuros, exacerbando ainda mais as preocupações sobre a trajetória financeira da empresa.

Prioridades estratégicas sob escrutínio

Além das preocupações com a avaliação, Barish levantou questões sobre a direção estratégica da Starbucks.

Especificamente, ele apontou para o foco da empresa em bebidas quentes e experiências na loja, o que vai contra as tendências mais amplas do setor, enfatizando bebidas frias e formatos drive-thru.

Esses segmentos ganharam popularidade em todo o cenário de alimentos e bebidas, impulsionados pela demanda do consumidor por conveniência e personalização.

Barish observou que a abordagem da Starbucks pode não estar alinhada com a dinâmica atual do mercado, especialmente devido à incerteza macroeconômica em curso. "Algumas prioridades estratégicas questionáveis", escreveu ele, estão lançando dúvidas sobre a capacidade da empresa de permanecer competitiva em um cenário em mudança.

Embora a Starbucks tenha se posicionado há muito tempo como uma marca premium com foco na experiência do cliente, Jefferies acredita que esse modelo pode enfrentar limitações sem melhorias correspondentes nas principais métricas financeiras, como vendas nas mesmas lojas e margens operacionais.

Prêmio de avaliação atrai ceticismo

Outro ponto focal do rebaixamento da Jefferies foi o atual múltiplo de negociação da Starbucks.

De acordo com Barish, a ação está avaliada em aproximadamente 38 vezes os lucros futuros, significativamente acima da média do setor de 24.

Esse prêmio, argumenta ele, não é apoiado pelas tendências atuais de desempenho ou visibilidade do crescimento futuro.

"Com baixa visibilidade de curto e médio prazo, consideramos a avaliação atual injustificada", afirmou Barish, sinalizando cautela para os investidores que avaliam as ações nos níveis atuais.

Ele acrescentou que, sem sinais claros de melhora nas principais métricas, a ação pode ter dificuldades para justificar seu preço elevado.

Anteriormente, o Citi também disse que a avaliação de US$ 10 bilhões da Starbucks China está supervalorizada.

A Starbucks está programada para divulgar seus resultados fiscais do terceiro trimestre no final deste mês, um momento que pode fornecer aos investidores mais clareza sobre a trajetória da empresa.