Brasil alerta que tarifas dos EUA podem atrapalhar negociações comerciais antes do prazo final de 1º de agosto

Brasil alerta que tarifas dos EUA podem atrapalhar negociações comerciais antes do prazo final de 1º de agosto
Noris Soto
21 de jul. de 2025, 11:39 AM
  • O Brasil continua aberto a negociações, mas vê um acordo comercial improvável antes do prazo de 1º de agosto.
  • Haddad diz que os planos de contingência estão prontos, incluindo a transferência das exportações para outros mercados.
  • As indústrias afetadas, como aeroespacial e siderúrgica, podem obter apoio sem aumentar os gastos.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, disse na segunda-feira que as negociações com os Estados Unidos estão em andamento, mas é improvável que qualquer novo acordo comercial esteja em vigor antes que possíveis tarifas de 50% entrem em vigor em 1º de agosto.

Em entrevista à CBN, Haddad disse que o Brasil está pronto para novas negociações, mas que é possível que elas não tenham sucesso porque Washington não respondeu às ofertas comerciais apresentadas inicialmente em maio.

As taxas, anunciadas no início de julho pelo ex-presidente Donald Trump, têm como alvo uma ampla gama de produtos brasileiros e coincidem com as tensões políticas em torno do processo contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que atualmente está sendo julgado por supostamente organizar um golpe.

Trump acusou o Brasil de táticas comerciais injustas e se referiu ao processo legal contra Bolsonaro como uma "caça às bruxas".

Planejamento de contingência e diversificação de mercado

Em resposta à crescente pressão, Haddad revelou o plano de contingência do Brasil, que inclui o redirecionamento de mais da metade de suas exportações atuais para os Estados Unidos para mercados alternativos.

Ele admitiu, no entanto, que tal mudança levaria tempo e exigiria modificações logísticas complicadas.

Os Estados Unidos são um dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil, particularmente em commodities vitais, incluindo petróleo, produtos siderúrgicos, café, aviões e suco de laranja.

Embora o Brasil dependa em grande parte do mercado dos EUA para muitos de seus produtos, atualmente tem um desequilíbrio comercial com os EUA.

As autoridades brasileiras usaram essa disparidade para argumentar que as taxas propostas são injustas e injustificadas.

Impacto na indústria e medidas de apoio interno

Se implementadas, as tarifas serão as mais atingidas entre as indústrias com grande exposição aos EUA.

Isso atinge a Embraer, fabricante aeroespacial com exposição aos EUA.

Também incorreria em pesadas perdas em outros setores de exportação pesada, como agricultura, energia e aço.

Haddad sustentou que qualquer assistência do governo para os setores mais atingidos não teria que resultar em maiores gastos primários, mas sugeriu que as medidas poderiam incluir, em alguns casos, apoio às indústrias mais atingidas.

O governo agora está considerando como minimizar os danos econômicos sem arriscar a estabilidade fiscal.

Nenhuma retaliação contra empresas americanas

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu responder na mesma moeda se as tarifas forem impostas, Haddad adotou uma abordagem mais comedida.

O ministro da Fazenda deixou claro que o Brasil não retaliaria contra empresas americanas que operam dentro de suas fronteiras, descrevendo tais ações como injustas e inúteis.

"Não podemos retribuir na mesma moeda algo que consideramos injusto", disse Haddad, reafirmando a determinação do Brasil em manter uma postura construtiva, mesmo com as discussões pairando no ar.

O prazo se aproxima à medida que a incerteza persiste

Faltam pouco menos de duas semanas para o prazo de 1º de agosto, e o tempo para encontrar uma correção está quase se esgotando.

O Brasil ainda aguarda uma resposta oficial de Washington, embora o progresso pareça lento.

Isso sugere que, embora os canais diplomáticos permaneçam abertos, Brasília está se posicionando para o provável evento de não haver acordo no prazo necessário.

Com as tarifas agora aparentemente uma ameaça em vez de apenas falar, o governo brasileiro está andando na linha tênue, engajando-se diplomaticamente, mas também fazendo sua lição de casa na frente econômica, enquanto tenta isolar as principais indústrias de um potencial choque comercial de proporções significativas.