Banco Central do Brasil deve manter as taxas em 15% com expectativas de inflação caindo

Banco Central do Brasil deve manter as taxas em 15% com expectativas de inflação caindo
Noris Soto
25 de jul. de 2025, 12:18 PM
  • O Banco Central do Brasil deve manter a taxa Selic em 15% em 30 de julho em meio a preocupações com a inflação.
  • Os analistas esperam que os cortes nas taxas comecem entre dezembro e março, a maioria com movimentos de 25 a 50 bps.
  • As expectativas de inflação melhoraram ligeiramente, mas permanecem acima da meta, mantendo o Copom cauteloso.

O Banco Central do Brasil deve manter sua taxa básica de juros Selic em 15% em 30 de julho, mantendo sua postura monetária mais apertada em mais de 20 anos inalterada diante do alívio das expectativas de inflação visto recentemente, de acordo com um relatório da Reuters.

Pelo menos 35 analistas consultados pela Reuters de 21 a 25 de julho esperam que a taxa permaneça inalterada depois que o banco surpreendeu o mercado com um aumento de 25 pontos-base em sua reunião anterior.

Espera-se que o comitê de política monetária do Banco Central (Copom) volte a reiterar o sinal de uma "pausa muito longa" na sequência do aperto monetário.

Essa posição continuou mesmo com os 450 pontos-base acumulados de aumentos de taxas que começaram em agosto.

Esse comitê está parado enquanto o impacto dessa blitz de aumento de taxas se espalha pela economia.

Expectativas de inflação mostram progresso provisório

O sentimento do mercado mudou ligeiramente após os dados recentes.

Economistas em pesquisa semanal do Banco Central do Brasil (BCB) reduziram suas perspectivas de inflação para 2026 pela primeira vez em mais de dois meses.

A previsão consensual para a inflação em 2026 aponta agora para 4,45%, uma queda de 5 pontos-base e ligeiramente dentro da meta do BCB de 3,0% ±1,5 pontos percentuais.

Uma pesquisa separada da Reuters previu que a estimativa de consenso para a inflação do próximo ano cairia para 4,4%, ante 4,5% em abril.

Embora esse abrandamento seja um sinal bem-vindo, ainda está longe da meta do BCB (Banco Central do Brasil), sugerindo que a dinâmica da inflação subjacente ainda está profundamente enraizada.

Em outros lugares, o principal índice de atividade do Brasil caiu em maio, ressaltando a percepção do banco central de que a economia está desacelerando ordenadamente.

A perspectiva aponta para futuros cortes nas taxas

Embora a taxa Selic deva permanecer inalterada por enquanto, os participantes do mercado estão cada vez mais confiantes de que o Banco Central do Brasil começará a cortar as taxas de juros nos próximos meses.

Todos os 30 analistas que responderam a uma pergunta suplementar na última pesquisa previram que um ciclo de flexibilização começaria no final de 2025 ou início de 2026.

Destes, sete antecipam o primeiro corte em dezembro, oito em janeiro e outros sete em março.

O resto apontou para datas posteriores.

Entre os 29 analistas que preveem o tamanho do movimento inicial, 17 esperam uma redução de 50 pontos-base, enquanto 12 preveem um corte menor de 25 pontos-base.

O consenso emergente sugere um otimismo crescente de que a política monetária está gradualmente contendo a inflação sem desencadear uma desaceleração acentuada.

Ainda assim, as autoridades permanecem cautelosas em sinalizar a vitória muito cedo.

Copom ainda cauteloso com riscos de inflação

Sinais evidentes de recuperação estão aparecendo, mas o Copom deve manter um tom cauteloso em seu anúncio de julho.

O banco também deve sinalizar riscos contínuos das difíceis perspectivas fiscais do Brasil e possíveis choques externos, como novas tarifas dos EUA.

A decisão do Copom também pode ser influenciada pela incerteza quanto à profundidade e duração da desaceleração econômica.

A ansiedade em ancorar as expectativas de inflação de médio prazo permanece, o que implica que qualquer relaxamento da política será lento e dependente de uma melhora contínua no cenário macro.