WhatsApp e Telegram enfrentam restrições na Rússia: relatório

WhatsApp e Telegram enfrentam restrições na Rússia: relatório
Diya Poddar
14 de ago. de 2025, 07:54 AM
  • O WhatsApp tem 97,3 milhões de usuários mensais na Rússia, o Telegram 90,8 milhões, o VK Messenger 17,9 milhões.
  • Mensagens de texto e notas de voz permanecem disponíveis apesar dos bloqueios de chamadas.
  • Esse desenvolvimento faz parte de uma estratégia mais ampla para endurecer a regulamentação da comunicação digital na Rússia.

A Rússia começou a restringir as chamadas do WhatsApp e do Telegram, intensificando seu controle sobre os canais de comunicação online do país e empurrando os usuários para seu aplicativo de mensagens apoiado pelo Estado, o MAX, de acordo com um relatório da Reuters.

A medida tem como alvo as chamadas de voz feitas por meio das duas plataformas populares de propriedade estrangeira, enquanto as mensagens de texto e as notas de voz permanecem inalteradas.

As autoridades afirmam que as restrições se devem à suposta falha das plataformas em compartilhar informações em investigações criminais, incluindo casos de fraude e terrorismo.

Esse desenvolvimento faz parte de uma estratégia mais ampla para apertar a regulamentação da comunicação digital na Rússia, principalmente depois que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.

Governo bloqueia aplicativos estrangeiros à medida que o lançamento do MAX avança

Na quarta-feira, as autoridades russas confirmaram que o WhatsApp, de propriedade da Meta Platforms, e o Telegram estavam enfrentando restrições de chamadas.

Dados oficiais da Mediascope em julho de 2025 mostram que o WhatsApp tinha 97,3 milhões de usuários mensais na Rússia, à frente dos 90,8 milhões do Telegram e muito acima dos 17,9 milhões do VK Messenger, controlado pelo Estado.

O governo está promovendo o MAX, um aplicativo de mensagens controlado pelo Estado recém-lançado integrado a serviços oficiais, que os críticos alertam que pode ser usado para rastrear as atividades dos usuários.

Políticos seniores já estão mudando para o MAX, incentivando os seguidores a participar e se envolver ativamente na nova plataforma.

Controles mais amplos da Internet e medidas de censura

As restrições marcam uma continuação dos esforços de Moscou para limitar a influência de empresas estrangeiras de tecnologia.

Desde o início de 2022, a Rússia bloqueou o acesso ao Facebook e Instagram, diminuiu a velocidade do YouTube e multou várias empresas por não cumprirem as regras locais de armazenamento de dados e conteúdo.

Este último movimento contra o WhatsApp e o Telegram vem junto com novas leis de censura que aumentam as penalidades por acessar conteúdo "extremista" online, mesmo por meio de VPNs, que milhões de russos usam para contornar bloqueios estatais.

De acordo com a legislação, os usuários podem enfrentar multas simplesmente por pesquisar conteúdo proibido sem aprovação prévia do governo.

A degradação gradual do serviço reflete as táticas do YouTube

Observadores observam que a abordagem da Rússia ao WhatsApp e ao Telegram reflete sua estratégia anterior com o YouTube, onde velocidades de carregamento mais lentas dificultavam o acesso dos usuários aos vídeos.

Embora as principais funções de mensagens do WhatsApp ainda estejam disponíveis, limitar as chamadas pode ser o primeiro passo para um bloqueio mais amplo.

A Human Rights Watch informou no mês passado que a Rússia tem "expandido meticulosamente [suas] ferramentas legais e tecnológicas" para criar um ambiente de internet rigidamente controlado, efetivamente criando uma rede doméstica isolada da web global e removendo a concorrência externa.

Esforços de moderação de IA e remoção de conteúdo

O Telegram afirmou que usa ferramentas de inteligência artificial para monitorar canais públicos e remover milhões de mensagens maliciosas diariamente, visando chamadas de violência, sabotagem e fraude.

O WhatsApp afirma que fornece comunicações criptografadas de ponta a ponta e visa mantê-las seguras para usuários em todo o mundo, inclusive na Rússia.

Apesar dessas medidas, Moscou continua a afirmar que ambas as plataformas não cumprem suas obrigações legais ao fornecer acesso aos dados do usuário para fins de aplicação da lei, o que continua sendo um ponto-chave de discórdia.