Inflação brasileira registra primeira queda em dois anos com queda nos custos de energia

Inflação brasileira registra primeira queda em dois anos com queda nos custos de energia
Noris Soto
26 de ago. de 2025, 11:36 AM
  • Os custos de habitação, alimentação, transporte e comunicação caíram em agosto, liderados por contas de eletricidade mais baratas.
  • Os preços dos alimentos caíram pelo terceiro mês, com quedas acentuadas em alimentos básicos como batata, cebola e arroz.
  • Os custos de transporte diminuíram à medida que as passagens aéreas, a gasolina e os preços dos carros novos registraram quedas notáveis.

O índice de preços ao consumidor do Brasil caiu pela primeira vez em dois anos em agosto, devido principalmente aos custos mais baixos de energia, de acordo com estatísticas oficiais divulgadas na terça-feira.

O indicador IPCA-15 recuou 0,14% no mês até meados de agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revertendo avanço de 0,33% em julho.

Os economistas consultados pela Reuters previam um declínio de 0,19%.

Foi o primeiro valor mensal negativo desde julho de 2023, destacando o efeito do aumento dos custos de empréstimos e ajustes pontuais de energia nos preços domésticos.

Desconto na eletricidade leva a recuo de preços

As despesas com moradia foram o principal impulsionador da queda geral, com as tarifas de eletricidade diminuindo drasticamente devido a um desconto temporário relacionado aos resultados da hidrelétrica de Itaipu.

O IBGE destacou que a iniciativa reduziu significativamente os preços da energia doméstica, contrariando as pressões em outras áreas da economia.

Outras categorias também sofreram modificações. Os preços de alimentos e bebidas, que são regularmente examinados por seu impacto nos orçamentos domésticos, caíram no mês passado.

As despesas com transporte e comunicação também caíram, contribuindo para a flexibilização geral dos preços ao consumidor.

Quedas generalizadas nos principais grupos de despesas

Quatro dos nove grupos consultados pelo IBGE registraram quedas em meados de agosto, liderados por Habitação, que recuou 1,13% devido à redução das contas de luz.

A comunicação diminuiu 0,17%, enquanto alimentos e bebidas caíram 0,53% e transporte caíram 0,47%. As demais categorias tiveram pequenos aumentos, variando de um aumento de 0,03% em utensílios domésticos a um aumento de 1,09% nos gastos pessoais.

Alimentos e bebidas caíram pelo terceiro mês consecutivo, puxados por uma redução de 1,02% no segmento de alimentação para casa. Os preços dos itens essenciais caíram drasticamente, com mangas caindo 20,99%, batatas 18,77%, cebolas 13,83% e tomates 7,71%.

Os preços do arroz caíram 3,12% e os custos da carne caíram 0,94%, aliviando parte da pressão sobre os orçamentos domésticos.

Os preços do transporte também caíram, caindo 0,47% em agosto, após subir 0,67% em julho. A queda foi liderada por uma queda de 2,59% nas passagens aéreas, seguida por quedas de 1,32% nos preços dos carros novos e 1,14% nos combustíveis.

Outros combustíveis também contribuíram para a redução, com o etanol caindo 1,98%, a gasolina caindo 0,25% e o óleo diesel caindo 0,20%.

Em agosto, o grupo Custos pessoais (1,09%) foi o principal impulsionador da alta de preços, afetado pelo ajuste do jogo (11,45%), que vigorava desde 9 de julho. Este subitem sozinho teve a maior influência benéfica em agosto, contribuindo com 0,05 ponto percentual.

De acordo com o G1, os preços dos bilhetes da Caixa Loterias subiram em julho. Os aumentos de preços impactaram a Dupla Sena, Quina, Lotofácil, Mega-Sena, Loteca e Super Sete.

De acordo com a Caixa Econômica Federal, o aumento tem como objetivo ampliar as premiações e impulsionar as transferências sociais.

Inflação cai para menos de 5%

Em uma base anual, a inflação caiu para 4,95% em meados de agosto, de 5,30% em julho. O resultado foi um pouco maior do que a previsão mediana da pesquisa da Reuters de 4,91%, mas foi a primeira vez que o número anual caiu abaixo de 5% desde fevereiro.

A queda aproximou a inflação geral da meta do banco central de 3%, mais ou menos 1,5 ponto percentual. Com o limite superior fixado em 4,5%, o valor de agosto é um pouco maior, mas reflete o progresso na contenção dos preços ao consumidor após um período de pressão inflacionária persistente.

Impacto e perspectivas da política

A redução da inflação ocorre enquanto o Banco Central do Brasil mantém as taxas de juros perto de uma alta de duas décadas.

Em julho, as autoridades interromperam um ciclo de aperto que havia adicionado 450 pontos-base à taxa Selic de referência, elevando-a para 15%, o nível mais alto desde julho de 2006.

A campanha robusta tem sido fundamental para os esforços para estabilizar as expectativas de inflação e retornar os preços ao consumidor à meta.

A leitura mais recente, embora impactada por medidas temporárias de energia, sugere que a política monetária restritiva está esfriando a demanda e desacelerando o crescimento dos preços.

O número da inflação brasileira em meados de agosto marca um ponto de virada após meses de fortes pressões de preços. O IPCA-15 caiu pela primeira vez em dois anos, e a inflação anual caiu abaixo de 5%, dando ao banco central algum espaço para respirar em sua postura de política.

No entanto, a viabilidade a longo prazo deste alívio será determinada pela forma como a dinâmica fundamental dos preços evolui quando fatores temporários, como descontos energéticos, desaparecem.