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Ações da Ambipar ampliam queda em meio a preocupações legais e de crédito

Ações da Ambipar ampliam queda em meio a preocupações legais e de crédito
Noris Soto
03 de out. de 2025, 13:11 PM
  • As ações da Ambipar caem 30,9% à medida que a proteção ao credor e a turbulência financeira abalam a confiança dos investidores.
  • Supostas irregularidades em um fundo de crédito levantam questionamentos sobre a liquidez e governança da Ambipar.
  • Reestruturação da dívida em andamento, mas risco de falência permanece alto em meio a passivos de R$ 10 bilhões.

As ações da Ambipar (AMBP3) abriram sexta-feira (3) em queda de 30,91%, para R$ 1,90 (R$ 0,34) e, em seguida, suspensas para leilão após queda de 61,48% no último pregão.

De acordo com a mídia local InfoMoney, essa queda destaca a gravidade da crise de confiança, já que a empresa entrou com pedido de proteção contra credores no final do mês passado.

A Ambipar é uma multinacional brasileira fornecedora de soluções de resposta a emergências ambientais e gerenciamento de resíduos.

Hoje, a empresa é um dos principais players de sustentabilidade da América Latina, com uma presença global crescente e um dos nomes mais reconhecidos no mercado de capitais do Brasil.

Essa expansão agressiva e o esforço de crescimento alimentado por dívidas agora estão no olho de uma tempestade financeira e judicial que deixa os investidores em frenesi.

Alegações de irregularidades no fundo de crédito

O último golpe veio da notificação das chamadas anomalias em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) em que a Ambipar disse ter uma parcela de sua liquidez.

Foi sugerido que as partes associadas à corporação podem ter se envolvido em atividades ambíguas, dando crédito ao mesmo tempo em que o emprestavam.

Essas alegações vieram à tona logo após a Ambipar obter uma medida cautelar de um tribunal do Rio de Janeiro.

A empresa entrou com pedido de proteção temporária e disse que as ações dos credores podem ativar cláusulas de inadimplência cruzada exigindo que ela pague imediatamente mais de R$ 10 bilhões (US$ 1,8 bilhão) em dívidas.

As cobranças já estavam retidas há 30 dias devido à liminar, que pode ser prorrogada por mais 30 dias.

Ainda não é uma recuperação legal formal, mas a iniciativa é vista como um passo crítico se as negociações com os credores falharem.

Bancos contestam proteção ao credor

A manobra legal está sendo questionada.

O Banco Sumitomo informou que a Ambipar utilizou ilegalmente contratos para abrigar 353 empresas e questionou a necessidade de protecção, tendo em conta que o grupo reportou R$4,7 mil milhões (850 milhões de dólares) em dinheiro, sendo que R$2 mil milhões (360 milhões de dólares) estariam disponíveis em liquidez imediata.

No entanto, esses dados estão sob revisão devido a supostas violações de FIDC.

Outra fonte de conflito é a jurisdição.

Enquanto o caso da Ambipar está sendo tratado no Rio de Janeiro, credores importantes como ABC Brasil, Bradesco, BB, Santander, Sumitomo Mitsui e Itaú afirmam que São Paulo, sede do conselho da empresa e da maior parte de sua receita, deve supervisionar os procedimentos.

Intensificam-se os esforços de reestruturação da dívida

Depois de não conseguir chegar a um acordo com a Seneca Evercore, a Ambipar contratou a BR Partners para prestar assessoria em reestruturação.

Ao mesmo tempo, os detentores de títulos começaram a se mobilizar para negociar ativamente com a corporação.

A urgência é evidente. As dívidas da Ambipar vêm aumentando há anos e, apesar das melhorias nos preços das ações no início de 2024, seus indicadores financeiros continuaram a se deteriorar.

Analistas alertam que a corporação está ficando sem tempo.

Risco de falência no horizonte

Especialistas em reestruturação corporativa argumentam que um pedido de falência é inevitável.

A Ambipar enfrenta a ameaça de inadimplência nos próximos meses devido à sua capacidade limitada de gerar o caixa necessário para cumprir suas obrigações.

As agências de notação de crédito já responderam. A Fitch alertou que qualquer plano formal de reestruturação da dívida provavelmente reduzirá os ratings da Ambipar para "RD" (default restrito) ou para "D" se o processo de falência for iniciado.

A SandP Global Ratings agiu mais rapidamente, rebaixando os ratings globais de emissor e emissão da empresa para "D" de "BB-".

Perspectiva do investidor: extrema cautela

A XP Investimentos, uma corretora, alertou os investidores a agirem com cautela.

Para aqueles sem exposição atual, o perfil de risco permanece elevado, e manter-se longe dos ouvidos aplicativo para investir na bolsa é a opção mais segura.

Para os acionistas existentes, a decisão é mais difícil.

Vender agora resultaria em grandes perdas, enquanto continuar implicaria apostar em um processo de recuperação incerto, com a perspectiva de novos declínios - ou talvez perda total - se a Ambipar buscar a recuperação judicial.

Uma empresa em uma encruzilhada

O desenrolar da crise na Ambipar ressalta a facilidade com que a confiança dos investidores pode vacilar quando a governança corporativa e a transparência financeira são questionadas.

A empresa está em um momento crítico, com mais de R$ 10 bilhões (US$ 1,8 bilhão) de passivos que podem começar a vencer, e sua pilha de caixa agora é uma fonte de controvérsia.

Não está claro se a Ambipar poderia negociar com seus credores e ficar longe da falência.

No curto prazo, os investidores estão se preparando para mais chicotadas, e os acionistas estão em um atoleiro de alto risco sem uma saída clara.