O que está por trás do processo de US$ 440 milhões do Credit Suisse contra o SoftBank e por que ele falhou

O que está por trás do processo de US$ 440 milhões do Credit Suisse contra o SoftBank e por que ele falhou
Devesh Kumar
15 de out. de 2025, 07:43 AM
  • O Credit Suisse processou o SoftBank por US$ 440 milhões vinculados à Greensill e à Katerra.
  • Juiz do Reino Unido decide que o SoftBank agiu de boa fé na reestruturação da dívida.
  • O caso destaca as consequências contínuas do colapso da Greensill Capital.

Um tribunal do Reino Unido rejeitou uma ação de US$ 440 milhões contra o grupo japonês SoftBank movida pelo Credit Suisse por perdas com o colapso da Greensill Capital.

O juiz Robert Miles, da Suprema Corte de Londres, considerou que as atividades do SoftBank em transações com a Katerra, uma construtora norte-americana apoiada pelo conglomerado japonês, eram de boa fé.

A demissão marca um grande revés para o UBS, que assumiu o Credit Suisse em 2023 após seus problemas financeiros ligados ao fim da Greensill.

A decisão marca o fim de uma das disputas de maior destaque decorrentes das perdas de investimento do banco suíço.

Decodificando o processo de US$ 440 milhões do Credit Suisse

O processo de US$ 440 milhões do Credit Suisse contra o SoftBank Group do Japão remonta ao colapso de 2021 da Greensill Capital, uma empresa de financiamento da cadeia de suprimentos cuja falência eliminou bilhões para os investidores e desempenhou um papel fundamental na própria queda do Credit Suisse.

No centro da disputa estavam os empréstimos que a Greensill havia feito à Katerra, uma construtora americana apoiada pelo SoftBank.

O Credit Suisse alegou que, sob a direção do SoftBank, a Greensill perdoou a dívida de US$ 440 milhões da Katerra em troca de ações, que acabaram com uma afiliada do SoftBank, deixando os investidores do fundo do Credit Suisse segurando a bolsa.

O SoftBank, por outro lado, insistiu que agiu de boa fé.

Ele afirmou que os US$ 440 milhões faziam parte de um plano de reestruturação destinado a reembolsar os investidores do Credit Suisse, mas o dinheiro nunca chegou a eles devido à má gestão interna da Greensill.

A empresa argumentou que o Credit Suisse estava tentando transferir a culpa por suas próprias decisões arriscadas e falhas de supervisão.

O processo também está dentro das consequências mais amplas do colapso da Greensill, que forçou o Credit Suisse a fechar US$ 10 bilhões em fundos de investimento e, por fim, levou ao resgate apoiado pelo governo em 2023 pelo UBS.

Para o UBS, que herdou a reivindicação, o caso é um esforço para recuperar as perdas de um dos fiascos financeiros mais emaranhados e de alto perfil dos últimos anos.

O que o veredicto significa para o Credit Suisse, UBS e confiança do investidor

O veredicto do tribunal do Reino Unido veio como outro episódio embaraçoso para o Credit Suisse e sua controladora UBS.

Para o Credit Suisse, essa perda ressalta os problemas legados em andamento e destaca as falhas de gerenciamento de risco de longa data do banco que contribuíram para sua queda e o resgate de emergência pelo UBS em 2023.

Os investidores acompanharam de perto essas disputas legais, pois elas se relacionam diretamente com os esforços para recuperar bilhões perdidos de fundos financeiros da cadeia de suprimentos que foram comercializados como de baixo risco, mas se mostraram desastrosos.

O UBS, que fez uma grande aposta ao herdar as responsabilidades legais do Credit Suisse e as reivindicações dos investidores na fusão, tentou restaurar a confiança dos investidores por meio de uma oferta para reembolsar até 90% dos fundos restantes aos investidores.

No entanto, o revés legal dificulta a recuperação de perdas, potencialmente desencorajando investimentos futuros em produtos similares e colocando pressão adicional sobre as operações legadas do UBS.