Argo Blockchain sairá da Bolsa de Valores de Londres depois que o credor assumiu o controle

Argo Blockchain sairá da Bolsa de Valores de Londres depois que o credor assumiu o controle
Charles Thuo
21 de out. de 2025, 09:37 AM
  • A Growler Mining assume o controle de 87,5% por meio de troca de dívida por capital.
  • Argo Blockchain será retirado da Bolsa de Valores de Londres em 9 de dezembro de 2025.
  • Os acionistas da Argo saíram com apenas 2,5% de participação após a reestruturação.

A Argo Blockchain se retirará da Bolsa de Valores de Londres depois que seu principal credor assumiu o controle por meio de uma reestruturação supervisionada pelo tribunal que reduz drasticamente a participação dos acionistas existentes.

Notavelmente, a mudança marca o fim da corrida de seis anos da Argo como uma das poucas mineradoras públicas de criptomoedas da Grã-Bretanha e muda o foco de mercado da empresa para os Estados Unidos.

Credor assume o controle da Argo Blockchain

A Growler Mining, maior credora da Argo e fornecedora de equipamentos de mineração, converterá cerca de US$ 7,5 milhões em empréstimos garantidos e fornecerá novos financiamentos em troca de 87,5% do patrimônio recapitalizado da empresa como parte do plano de reestruturação, arquivado sob a Lei de Empresas do Reino Unido.

Os detentores de títulos de US$ 40 milhões em notas não garantidas da Argo devem receber cerca de 10% do negócio reestruturado, enquanto os atuais acionistas reteriam apenas 2,5%.

A recapitalização está no centro de um plano supervisionado pelo tribunal chamado Projeto Triunfo.

Se o Supremo Tribunal da Inglaterra e País de Gales aprovar o plano, a maior parte da dívida existente da Argo será apagada e o controle passará para seus credores, e não para seus investidores públicos.

Saída da Bolsa de Valores de Londres confirmada

A Argo confirmou que sairá da Bolsa de Valores de Londres, com a exclusão prevista para entrar em vigor em 9 de dezembro de 2025.

A empresa disse que os acionistas do Reino Unido manterão seus direitos legais após a exclusão, mas não se beneficiarão mais das proteções regulatórias adicionais oferecidas pelo mercado do Reino Unido.

As ações da Argo despencaram em reação ao anúncio, com as impressões de abertura caindo mais de 15,38% no início do pregão e as impressões posteriores mostrando quedas significativas.

A empresa divulgou que sacou US$ 5,38 milhões de uma linha de empréstimo de US$ 7,5 milhões da Growler, destacando o quão urgente a necessidade de financiamento se tornou.

A reestruturação da Argo visa evitar a insolvência

A Argo Blockchain disse aos investidores que, sem a reestruturação, não conseguiria obter o financiamento necessário e enfrentaria insolvência tanto no fluxo de caixa quanto no balanço.

A troca de dívida por capital é apresentada como um resgate que substitui passivos insustentáveis por novo capital e suporte operacional.

Parte do acordo, descrito como "Exit Capital", também transferiria a propriedade da Growler USCo - uma unidade com ativos de mineração mais novos - para a Argo em troca de ações, um movimento projetado para dar ao credor controle operacional e modernizar uma frota envelhecida.

A Argo alertou que muitas de suas máquinas correm o risco de obsolescência até 2026, e a atualização visa evitar um colapso na produção.

A Argo já mudou sua presença operacional vendendo a instalação da Helios no Texas para a Galaxy Digital e concentrando a mineração em seu site Baie-Comeau no Canadá, juntamente com operações hospedadas no Tennessee e no estado de Washington.

Impacto no investidor e próximos passos

Para muitos acionistas, o plano proposto representa uma eliminação quase total do valor patrimonial, transformando o que antes era uma história de sucesso do mercado público em uma empresa liderada por credores focada em sobrevivência e recuperação.

A Argo foi uma das primeiras a entrar nos mercados públicos quando foi listada em Londres em 2018, levantando cerca de US$ 32 milhões e atraindo atenção significativa como uma mineradora de criptomoedas pioneira.

Uma reestruturação bem-sucedida também preservaria a listagem da empresa na Nasdaq, mas isso permanece condicionado ao cumprimento das etapas de conformidade, incluindo um desdobramento reverso de ações planejado antes de janeiro de 2026.

A aprovação final do Supremo Tribunal decidirá se o Projeto Triumph prossegue, e a capacidade do credor de injetar capital e atualizar os ativos de mineração determinará se a empresa pode estabilizar as operações e restaurar a produção.