Petróleo offshore da América do Sul e Vaca Muerta devem abastecer o fornecimento global até 2030, diz Rystad Energy

Petróleo offshore da América do Sul e Vaca Muerta devem abastecer o fornecimento global até 2030, diz Rystad Energy
Sayantan Sarkar
07 de nov. de 2025, 02:45 AM
  • A offshore da América do Sul e Vaca Muerta fornecerão petróleo com custos competitivos.
  • A demanda global de líquidos atingirá o pico de 107 milhões de bpd no início da década de 2030.
  • O investimento anual em upstream na América do Sul é projetado em torno de US$ 50 bilhões.

Uma nova análise da Rystad Energy destaca a forte posição da América Latina no mercado global de petróleo, prevendo que a produção offshore do Brasil, Guiana e Suriname, juntamente com o xisto argentino de Vaca Muerta, fornecerá barris competitivos em termos de custo até o final da década.

Espera-se que a demanda global de líquidos atinja o pico no início da década de 2030, em aproximadamente 107 milhões de barris por dia (bpd), de acordo com a pesquisa da Rystad Energy.

A previsão indica que a demanda permanecerá acima de 100 milhões de bpd até a década de 2040, antes de uma queda gradual, atingindo cerca de 75 milhões de bpd até 2050.

O papel crucial da oferta da América do Sul

O equilíbrio do mercado de petróleo depende da oferta de países não pertencentes à OPEP +, sendo a América do Sul particularmente crucial.

Espera-se que forneça barris competitivos em termos de custo que compensem o crescimento desacelerado da produção de xisto dos EUA, mesmo que os preços permaneçam baixos, disse a Rystad Energy.

"Os poços de hoje devem fornecer menos da metade de sua produção atual até 2030, ressaltando a necessidade de investimento contínuo em campos novos e existentes", disse Radhika Bansal, vice-presidente da equipe de pesquisa upstream da Rystad Energy, na análise.

Prevê-se que os produtores não pertencentes à OPEP + contribuam com quase 60% do subdesenvolvimento convencional e dos volumes de petróleo descoberto, traduzindo-se em quase 5,9 milhões de bpd, até 2030, mostrou a análise.

Expansão offshore impulsiona a oferta

Enquanto isso, a América do Sul deve ser o principal impulsionador do crescimento da oferta este ano, contribuindo com mais de 560.000 bpd de petróleo bruto e condensado, com a América do Norte seguindo com aproximadamente 480.000 bpd.

Olhando para 2026, espera-se que as adições da América do Sul ultrapassem 750.000 bpd.

Esse aumento sustentado posicionará a região, juntamente com o Oriente Médio (excluindo os países da OPEP +), como uma das poucas com adições superiores a 500.000 bpd, alimentando o crescimento geral não OPEP +.

Até 2030, os campos petrolíferos offshore colocados em operação desde 2020 devem representar mais de 65% da produção convencional da América do Sul, de acordo com a análise.

Essa expansão substancial é em grande parte impulsionada por desenvolvimentos no Brasil e na Guiana, que estão aumentando a utilização de navios flutuantes de produção, armazenamento e descarga (FPSO).

A desaceleração na taxa de novas descobertas ressalta a necessidade contínua de exploração, com apenas cerca de 420 milhões de barris de reservas líquidas encontradas no ano passado. Este número representa o nível mais baixo desde 2017.

De acordo com as projeções do cenário base da Rystad Energy, prevê-se que a demanda por petróleo exceda a oferta atual em meados da próxima década (meados da década de 2030).

Essa perspectiva destaca a crescente necessidade de uma nova exploração e recuperação aprimorada de petróleo, um domínio no qual a América do Sul está estrategicamente posicionada para desempenhar um papel vital.

Desbloqueando reservas futuras

O investimento upstream em campos petrolíferos sul-americanos atingiu seu nível mais alto desde 2015 no ano passado, ultrapassando US$ 46 bilhões.

Espera-se que essa tendência ascendente continue este ano, com investimentos projetados para crescer 10%.

Embora o crescimento deva desacelerar nos anos subsequentes, espera-se que os investimentos anuais permaneçam próximos da marca de US$ 50 bilhões ao longo da próxima década.

Esses gastos serão divididos em duas categorias principais.

Novos projetos, ou Greenfield Investments, serão impulsionados principalmente pelos ativos não desenvolvidos do Brasil e da Guiana.

Os campos produtores existentes na Argentina, Brasil e Colômbia serão o foco para sustentar e expandir as operações atuais, o que é conhecido como Brownfield Spending.

O setor upstream na América do Sul é uma pedra angular do cenário energético global, impulsionado por contribuições substanciais tanto para a produção convencional de petróleo quanto para novas descobertas nos últimos dez anos, disse a Rystad Energy.

A região é uma fonte chave e sustentada de exportações líquidas de petróleo, um papel que continuará, liderado pela Argentina, Guiana, Suriname e Venezuela.

Brasil, Colômbia e Equador também devem manter níveis significativos de exportação, pelo menos até meados da década de 2030.

A região possui um potencial futuro considerável, com investimentos adequados em exploração sendo vitais para desbloquear novos volumes e aumentar os recursos recuperáveis dos campos existentes.

As bacias offshore do norte estão se tornando uma perspectiva de exploração notável no Peru. Recentemente, uma parceria composta pela Chevron, Anadarko (Occidental Petroleum) e Westlawn foi formada para explorar três blocos offshore - Z-61, Z-62 e Z-63 - situados no Mar de Grau, na costa norte de La Libertad.

"A exploração bem-sucedida pode adicionar novas reservas significativas, onde uma descoberta comercial pode render entre 100.000 e 150.000 barris por dia no pico de produção", disse Rystad.