A Alemanha enfrenta riscos de crescimento enquanto o FMI defende reformas "ousadas" para fortalecer a recuperação

A Alemanha enfrenta riscos de crescimento enquanto o FMI defende reformas "ousadas" para fortalecer a recuperação
Ananthu C U
26 de nov. de 2025, 07:49 AM
  • O FMI vê a Alemanha melhorando, mas alerta que o crescimento pode ficar atrás sem reformas ousadas internas e da UE.
  • O estímulo fiscal pode ajudar na recuperação, mas os gastos devem direcionar a produtividade e a expansão de longo prazo.
  • A burocracia excessiva ainda dificulta o crescimento, já que a Alemanha enfrenta uma perspectiva econômica frágil.

A recuperação econômica da Alemanha continua frágil e pode enfraquecer ainda mais sem reformas estruturais para impulsionar o crescimento de longo prazo, alertou o Fundo Monetário Internacional em sua última avaliação do país.

Em um relatório anual do Artigo IV divulgado na quarta-feira, o fundo sinalizou que a maior economia da Europa corre o risco de não alcançar uma expansão significativa, a menos que os formuladores de políticas acelerem mudanças tanto no nível doméstico quanto na União Europeia.

O FMI elevou ligeiramente sua previsão de curto prazo, projetando um crescimento do PIB alemão de 1% em 2025, acima da estimativa anterior em outubro.

Espera-se que o crescimento se fortaleça gradualmente para 1,5% até 2027.

No entanto, o FMI alertou que "os riscos para a perspectiva estão inclinados para baixo", apontando para fundamentos fracos, desaceleração do momento e desafios estruturais persistentes.

Perspectiva de crescimento modesta obscurecida por restrições estruturais

Embora se espere que a Alemanha retorne a um crescimento moderado, o FMI observou que a recuperação carece de profundidade sem apoio político direcionado.

O fundo afirmou que o aumento do investimento público ajudará a aumentar a capacidade econômica ao longo do tempo, mas esforços de reforma mais amplos ainda são necessários para garantir uma expansão sustentável.

"Sem mais reformas ousadas tanto internamente quanto no nível da UE, a Alemanha ainda enfrenta uma perspectiva de crescimento de médio prazo persistentemente desafiadora", afirmou o relatório.

A avaliação reforça a cautela semelhante já expressa dentro do país.

Os próprios assessores econômicos do chanceler Friedrich Merz recentemente reduziram a previsão de crescimento para o próximo ano para menos de 1%, ressaltando o risco de que a Alemanha possa ter dificuldades para recuperar o impulso após uma prolongada estagnação.

O otimismo anterior se concentrava na expectativa de que grandes pacotes fiscais poderiam estimular investimentos e produtividade.

No entanto, preocupações estruturais, incluindo o envelhecimento da força de trabalho, altos encargos tributários e a lenta adaptação industrial, continuam pesando sobre a confiança.

O aumento fiscal é visto como útil, mas os gastos devem ser direcionados

Um ponto positivo destacado pelo FMI foi o projeto de lei histórica de gastos de Merz, apresentado antes de ele assumir formalmente o cargo em maio.

O fundo afirmou que a política fiscal está posicionada para proporcionar "um impulso bem-vindo ao crescimento", mas alertou que a eficácia do estímulo depende fortemente de como os recursos são utilizados.

O FMI recomendou direcionar fundos para investimentos de longo prazo, incluindo melhorias de infraestrutura, reforma tributária e prioridades estratégicas como gastos com defesa.

O grupo pediu a Berlim que evite medidas "fiscalmente caras e discricionárias", citando cortes de impostos específicos por setor, como a recente redução do IVA anunciada sobre refeições em restaurantes, como exemplos de gastos menos produtivos.

Para reforçar a competitividade, o FMI argumentou que a Alemanha precisa de políticas que aliviem a carga tributária, apoiem a modernização industrial e enfrentem as rigidezes do mercado de trabalho.

O relatório observou que o investimento público e os incentivos à inovação podem aumentar significativamente a produtividade se implementados de forma eficiente.

O ônus regulatório ainda é um peso para a produtividade

Além da política fiscal, o FMI enfatizou a necessidade de reduzir a complexidade regulatória, um problema antigo para as empresas alemãs.

A burocracia excessiva desacelerou a inovação e dificultou o crescimento da produtividade, segundo o relatório, e continua sendo um dos principais obstáculos estruturais à expansão.

Embora a economia alemã esteja posicionada para uma melhora gradual, o FMI concluiu que alcançar um crescimento mais forte e duradouro exigirá uma ação decisiva.

O alerta do fundo aumenta a pressão sobre os formuladores de políticas enquanto Berlim navega por debates orçamentários, demandas por transição energética e mudanças nas condições do comércio global.

A Alemanha agora enfrenta uma questão crítica: se o apoio fiscal planejado, combinado com a reforma estrutural, será robusto o suficiente para restaurar o impulso econômico — ou se a recuperação corre o risco de perder força antes de se firmar totalmente.