Taxa de desemprego no Brasil atinge nova mínima histórica, mas analistas sinalizam sinais de resfriamento

Taxa de desemprego no Brasil atinge nova mínima histórica, mas analistas sinalizam sinais de resfriamento
Noris Soto
28 de nov. de 2025, 11:33 AM
  • A taxa de desemprego do Brasil atingiu uma mínima histórica de 5,4% no trimestre encerrado em outubro, abaixo das expectativas.
  • Rendas recordes e forte emprego continuam a apoiar a atividade apesar da política monetária restritiva.
  • Analistas alertam que o mercado de trabalho está entrando em uma fase de final de ciclo, com sinais de moderação gradual.

A taxa de desemprego do Brasil caiu para 5,4% no trimestre de outubro , o menor número da série histórica do IBGE e uma confirmação da resiliência do mercado de trabalho do país.

A última edição da Pesquisa Nacional Contínua de Amostragem Domiciliar (PNAD Contínua) na sexta-feira mostrou um número ligeiramente inferior à previsão mediana de 5,5% em uma pesquisa da Reuters.

O número atual representa uma melhora significativa em relação à taxa de 5,6% registrada nos três meses encerrados em julho.

Também é muito menor do que o nível de 6,2% registrado no mesmo período do ano passado, destacando a robustez do mercado de trabalho apesar das condições financeiras mais apertadas.

A pontuação também melhorou em relação ao recorde anterior de 5,6% no trimestre de setembro, que foi o menor desde o início da pesquisa em 2012.

Mercado de trabalho resiliente ajuda a compensar a desaceleração econômica

O mercado de trabalho brasileiro permaneceu forte em 2025, ajudando a proteger a economia dos efeitos da política monetária contrativa.

O Banco Central mantém a taxa Selic em 15%, o nível mais alto em duas décadas, enquanto trabalha para devolver a inflação à meta de 3%.

Embora o forte emprego apoie os gastos das famílias durante um período de desaceleração do crescimento econômico, ele também desafia a gestão da inflação, especialmente se os salários dos trabalhadores atingirem novos máximos.

De acordo com o estudo, os salários médios aumentaram 0,8% em relação ao período anterior de três meses e 3,9% em relação ao ano anterior.

Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, enfatizou como o crescimento substancial do emprego influenciou o comportamento de busca por emprego.

"O alto número de pessoas empregadas nos últimos trimestres contribuiu para reduzir a pressão para buscar emprego e, como resultado, a taxa de desemprego continua a cair", disse Beringuy ao veículo local Infomoney.

Queda no desemprego e novos registros de emprego

Em termos absolutos, o número de brasileiros desempregados caiu para 5,910 milhões, o menor desde o início da pesquisa. Isso representa uma queda de 3,4% em relação ao trimestre anterior e uma queda de 11,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

O número de empregados também atingiu um recorde de 102,555 milhões, um aumento de 0,1% em relação ao trimestre anterior e 0,9% ano a ano.

No entanto, por trás dos dados principais, os pesquisadores percebem sinais iniciais de desaceleração.

Leonardo Costa, economista da ASA, citou a série ajustada sazonalmente da pesquisa, dizendo que outubro registrou a terceira queda consecutiva na população empregada, sugerindo que o mercado de trabalho começa a refletir a desaceleração maior da atividade econômica, "embora muito lentamente."

Empregos formais aumentam, mas dados recentes sugerem um enfraquecimento futuro

O emprego com contrato formal do setor privado totalizou 39,182 milhões, um aumento de 0,2% nos três meses encerrados em julho e outro recorde.

O emprego informal também se expandiu, com o número de trabalhadores sem contratos formais aumentando 1,0%, para 13,605 milhões.

No entanto, novas estatísticas do registro de vagas Cage, divulgado um dia antes, indicam uma possível mudança.

Segundo Ariane Benedito, economista-chefe da PicPay, o Brasil produziu 85.147 empregos formais em outubro, o menor total mensal da história do New Caged e ficando aquém das previsões.

Ela disse que esses números apoiam a ideia de que o impulso do mercado de trabalho está diminuindo.

"O resultado de outubro (do IBGE) confirma um mercado de trabalho ainda aquecido, mas em uma fase avançada do ciclo, com sinais claros de moderação tanto no emprego formal quanto no emprego geral, conforme medido pela PNAD", continuou Benedito.

Perspectiva: estabilidade à frente após mínimos históricos

O mercado de trabalho brasileiro permanece no auge, estabelecendo recordes históricos e impulsionando os ganhos das famílias. No entanto, os economistas assumem cada vez mais que o ciclo atingiu o pico.

Com o Banco Central mantendo taxas de juros restritivas e o crescimento econômico desacelerando, os próximos meses podem ver um mercado de trabalho mais modesto, mesmo que as circunstâncias de emprego permaneçam razoavelmente restritivas pelos padrões históricos.