O consumo do Reino Unido cai no ritmo mais rápido desde 2021, à medida que a incerteza orçamentária pesa sobre a confiança

O consumo do Reino Unido cai no ritmo mais rápido desde 2021, à medida que a incerteza orçamentária pesa sobre a confiança
Vatsala Gaur
09 de dez. de 2025, 06:31 AM
  • Os gastos com cartões do Reino Unido caíram 1,1% em novembro, a queda mais acentuada desde o início de 2021.
  • A Black Friday proporcionou apenas um impulso limitado, pois os compradores evitaram comprar festivamente.
  • Economistas esperam que o Banco da Inglaterra corte as taxas diante do enfraquecimento do crescimento e do aumento do desemprego.

As famílias do Reino Unido reduziram drasticamente os gastos no mês passado, registrando a maior queda anual em quase cinco anos, à medida que a incerteza em torno do orçamento do governo e as crescentes preocupações econômicas levaram os consumidores a adiar as compras de Natal.

O Barclays informou que os gastos com cartão caíram 1,1% ano a ano em novembro, a maior queda desde fevereiro de 2021, ressaltando a fragilidade do sentimento do consumidor ao entrar no período festivo-chave.

Embora a Black Friday tenha proporcionado aos varejistas seu dia de negociação mais movimentado do ano, o impulso geral foi significativamente mais fraco do que o habitual.

Os varejistas veem um aumento moderado das promoções da Black Friday

O Barclays afirmou que o volume de transações na Black Friday foi 62,5% maior do que a média dos dias de 2025, mas o padrão geral de gastos permaneceu contido.

O British Retail Consortium (BRC) e a consultoria KPMG observaram que os compradores pareceram mais hesitantes este ano, citando a "ansiedade" generalizada antes do orçamento de 26 de novembro.

A Black Friday normalmente marca o início da temporada de compras de Natal e é utilizada pelos varejistas para avaliar o apetite dos consumidores.

Este ano, porém, o aumento foi modesto.

O BRC disse que as vendas gerais em novembro ficaram apenas ligeiramente acima do ano passado, sustentadas principalmente pelo aumento dos gastos com alimentos.

As vendas de alimentos aumentaram 3%, mas o aumento ficou abaixo da taxa de inflação de 3,6%, o que significa que as famílias continuaram a sentir pressão sobre os orçamentos de supermercado.

As vendas de produtos não alimentares tiveram um aumento marginal de 0,1% ano a ano, bem abaixo da taxa média de crescimento de 1,6% em 12 meses.

Os varejistas de moda enfrentaram dificuldades, pois o clima ameno no início do mês diminuiu a demanda por roupas de inverno, embora os artigos para casa e estofados tenham se comportado mais forte enquanto as famílias se preparavam para os encontros de fim de ano.

Tensões políticas e preocupações econômicas aprofundam a desaceleração

Partidos de oposição culparam a chanceler Rachel Reeves por prolongar a ansiedade do consumidor ao manter meses de especulação antes do orçamento.

Varejistas e operadores de pubs também a incentivaram a repensar as mudanças planejadas nas tarifas comerciais, alertando que elas podem impactar desproporcionalmente as redes de médio porte.

Dados do Barclays sugeriram que o enfraquecimento dos gastos não se limitou ao varejo.

Os gastos com pubs caíram 1,5% em novembro, com adultos mais jovens optando cada vez mais por bebidas e atividades sem álcool.

A pesquisa também observou que, embora a confiança nas finanças familiares tenha melhorado ligeiramente, a confiança econômica geral permaneceu contida.

Economistas disseram que a desaceleração do crescimento, o aumento do desemprego e os desafios cada vez maiores nas ruas comerciais devem levar o Banco da Inglaterra a cortar as taxas de juros de 4% para 3,75% ainda este mês.

Havia, no entanto, bolsões de resiliência.

Agentes de viagens registraram um aumento de 10,7% nos gastos durante as promoções da Black Friday, enquanto as assinaturas de streaming aumentaram 3,5%, apoiadas pela popularidade de programas de sucesso como Stranger Things e Pluribus.

Líderes do varejo pedem ações para reviver a confiança

Jack Meaning, economista-chefe do Barclays no Reino Unido, disse que 2025 foi marcado por desaceleração econômica, acrescentando que a durabilidade da desaceleração dependerá se a queda da inflação e a redução das taxas de juros conseguirão reavivar o apetite dos consumidores.

Helen Dickinson, diretora executiva do BRC, ecoou preocupações, alertando que o desempenho moderado de novembro destacou o impacto dos nervos pré-orçamento.

Ela instou os formuladores de políticas a priorizarem medidas que apoiem a confiança e reduzam os custos operacionais para os varejistas.

"Olhando para 2026, é vital que as políticas públicas criem as condições para a renovação dos gastos dos consumidores e uma recuperação sustentável", disse ela.