Polícia do Brasil invade investidor Nelson Tanure em investigação Banco Master

Polícia do Brasil invade investidor Nelson Tanure em investigação Banco Master
Noris Soto
14 de jan. de 2026, 11:00 AM
  • A Polícia Federal executa uma nova fase da Operação Compliance Zero com o alvo das atividades financeiras.
  • As autoridades investigam supostos empréstimos fictícios e suspeitas de manipulação do mercado.
  • As ordens judiciais incluem buscas amplas e o congelamento de bilhões em ativos.

Na quarta-feira, a Polícia Federal do Brasil executou ordens de busca e apreensão contra o empresário e investidor Nelson Tanure como parte da segunda fase da Operação Compliance Zero, uma ampla investigação sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e entidades relacionadas.

Tanure é bem conhecido no ambiente corporativo brasileiro, especialmente por seus investimentos em empresas em dificuldades financeiras.

Segundo o veículo de mídia local InfoMoney, a ação policial mais recente o coloca entre as principais figuras investigadas pelas autoridades por possíveis operações criminosas, gestão fraudulenta de instituições financeiras, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Apreensão e liberação do aeroporto

O telefone de Tanure foi apreendido na manhã de quarta-feira no Aeroporto Internacional Galeão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, conforme reportado pela TV Globo.

Ele estava preparado para viajar para Curitiba em uma breve viagem e não carregava nenhuma mala no momento da aproximação.

Autoridades policiais apreenderam seu celular e documentos. Tanure aceitou prontamente o pedido e logo foi liberado, embora não tenha conseguido a viagem. A operação não resultou em sua prisão.

A Polícia Federal também cumpriu mandados em residências associadas a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, bem como em bens pertencentes a seus parentes.

Investigadores estão investigando a suspeita de emissão de empréstimos fraudulentos por parte da Master como parte de um esquema maior em investigação.

Escopo da operação

No total, agentes estão executando 42 mandados de busca e apreensão emitidos pelo juiz da Suprema Corte Dias Toffoli.

O juiz também ordenou a apreensão e congelamento de ativos e fundos totalizando 5,7 bilhões de reais.

O tamanho das ordens judiciais enfatiza o escopo da investigação, que foi além de um único indivíduo ou instituição para incluir várias pessoas e organizações empresariais associadas ao Banco Master e suas operações.

As autoridades não revelaram como os ativos congelados são distribuídos entre os alvos da operação, nem divulgaram procedimentos operacionais adicionais além da execução dos mandados.

Acusação anterior e estratégia jurídica

Tanure foi indiciado no final do ano passado pelo Ministoria Federal em São Paulo, o que motivou essa ação policial.

Os promotores o acusaram de usar conhecimento privilegiado para obter vantagens financeiras em negócios envolvendo ações da Gafisa, uma empresa de construção da qual Tanure é um acionista-chave.

Tanure negou qualquer má conduta.

O caso está atualmente sendo processado no 5º Tribunal Federal Criminal de São Paulo.

A equipe jurídica de Tanure, no entanto, solicitou que o processo fosse transferido para a Suprema Corte, alegando que o caso está claramente relacionado ao Banco Master.

O pedido decorre da investigação policial, que envolveu petições para mandados de busca e apreensão e o levantamento da confidencialidade para os acionistas da Master, Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado.

Os investigadores também analisaram as responsabilidades do Planejador e do Curador, bem como dos gestores de fundos e administradores afiliados ao Grupo Mestre.

Ligações com o Banco Master estão sob investigação

Os advogados de Tanure tentaram situar as alegações em um contexto mais amplo envolvendo o Banco Master e sua liderança.

"Os fatos evidenciados nesta acusação criminal incluem, entre outros indivíduos e entidades jurídicas, os membros do Banco Master S/A, o próprio controlador, Daniel Bueno Vorcaro, e também o Mestre SA Corretora e Curador", escreveu o advogado da acusação.

A investigação da Polícia Federal ainda está focada em saber se ações coordenadas por pessoas e organizações dentro do grupo Master constituíram atividade criminosa segundo a lei brasileira.

A Operação Compliance Zero continua, com as autoridades sugerindo, pela amplitude das atividades de quarta-feira, que medidas adicionais de investigação podem ser tomadas enquanto examinam documentos confiscados e informações financeiras relacionadas ao caso.