O Banco Central do Brasil está prestes a ter o primeiro corte de juros em quase dois anos, à medida que o crescimento vacila

O Banco Central do Brasil está prestes a ter o primeiro corte de juros em quase dois anos, à medida que o crescimento vacila
Noris Soto
23 de jan. de 2026, 13:41 PM
  • Espera-se que o banco central do Brasil mantenha as taxas em janeiro, mas comece a cortar o índice de referência Selic em março.
  • Taxas de juros mais baixas e medidas de estímulo devem apoiar o consumo e compensar a fraqueza do setor.
  • Apesar do crescimento mais lento, analistas veem potencial para a economia brasileira surpreender em alta.

Espera-se que o banco central brasileiro comece a afrouxar as taxas de juros em março, pela primeira vez em quase dois anos, enquanto os formuladores de políticas buscam apoio a uma economia em dificuldades em meio a pressões inflacionárias em declínio.

As perspectivas de uma pesquisa da Reuters com economistas estão aumentando a confiança de que o afrouxamento monetário está logo ali após um longo período de políticas restritivas.

Ao reduzir os custos de empréstimo, juntamente com medidas de estímulo especialmente ajustadas, o consumo das famílias deve ser mais robusto e compensar o fraco desempenho do grande setor industrial brasileiro.

Analistas pesquisados dizem que esses efeitos aumentam as chances de que a maior economia da América Latina possa crescer mais forte do que o esperado atualmente, especialmente nos meses que antecedem a eleição presidencial de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca renovar seu mandato.

As taxas de janeiro provavelmente vão ficar suspensas

Economistas preveem em grande parte que o banco central manterá sua taxa de referência da Selic em 15% em sua reunião de 28 de janeiro, antes que qualquer flexibilização ocorra.

Trinta e dois dos 35 economistas pesquisados entre 19 e 22 de janeiro previram que os formuladores de políticas manterão as taxas em espera pela quinta reunião consecutiva.

Dois previam uma queda de 25 pontos-base para 14,75%, enquanto um previu uma queda maior de 50 pontos-base, para 14,50%. Apenas uma pequena porcentagem esperava uma mudança rápida.

Em vez disso, março é o centro das atenções. 28 dos 34 economistas que responderam a uma pergunta de acompanhamento sobre a próxima ação do comitê de política monetária do banco central, ou Copom, previram que o primeiro corte ocorreria naquele momento.

Dessas, 13 previam um corte mais cauteloso de 25 pontos-base, enquanto 15 previam uma redução inicial de 50 pontos-base.

Se implementado, este seria o primeiro corte de taxa desde maio de 2024.

Em reação ao aumento dos preços ao consumidor na época, as autoridades adotaram uma postura mais agressiva, alternando entre aumentos de juros e longos períodos de manutenção dos custos de empréstimos altos.

As tendências de inflação abrem a porta

À medida que os dados de inflação melhoraram, a justificativa para relaxar aumentou.

A meta de inflação do banco central está fixada em 3%, com uma faixa de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual, e a inflação anual terminou no ano passado em 4,26%, diminuindo ainda mais e ficando abaixo do limite de 4,5%.

Segundo economistas, a Copom tem margem para pensar em iniciar um ciclo de redução devido à combinação de expectativas de inflação mais baixas, inflação atual mais fraca e perspectivas de melhora sustentada.

Mesmo que as taxas permaneçam as mesmas nessa reunião, esse ambiente também pode resultar em pequenas modificações na redação da declaração que acompanha a decisão de janeiro.

Analistas especulam que, ao eliminar as referências à possibilidade de aumentos nas taxas retomarem, os oficiais podem estar sinalizando uma mudança.

Para mostrar que as reduções nas taxas estão se aproximando, poderiam ser feitas novas modificações na redação, como alterar frases que enfatizam a prudência, o gradualismo ou as consequências tardias da política monetária.

Perspectivas de crescimento e riscos

De acordo com outra pesquisa da Reuters, o crescimento econômico deve enfraquecer no primeiro semestre do ano, o que deve ajudar ainda mais a conter as pressões inflacionárias antes que os preços retomem o ritmo perto do final de 2026.

O produto interno bruto deve crescer 1,8% este ano, em comparação com 2,3% em 2025, segundo projeções medianas de 47 economistas. Os números oficiais do PIB do ano anterior serão divulgados em março.

Os riscos para a previsão são percebidos como tendenciosos para cima, apesar da moderação.

Doze dos dezoito economistas que responderam a uma pergunta de acompanhamento sobre riscos de crescimento afirmaram que a expansão pode surpreender favoravelmente este ano, enquanto seis acreditam que a probabilidade favorece um resultado mais lento do que o esperado.

Quando combinadas, as pesquisas apontam para um equilíbrio em mudança para o banco central do Brasil, já que as autoridades agem com cautela após uma longa era de ajustes monetários restritos, enquanto a queda da inflação e o crescimento mais lento reforçam o argumento para o afrouxamento da política.