Pagamento de US$ 2 bilhões da Glencore e avanço no cobre compensam queda nos lucros

Pagamento de US$ 2 bilhões da Glencore e avanço no cobre compensam queda nos lucros
Sayantan Sarkar
18 de fev. de 2026, 08:59 AM

A Glencore anunciou na quarta-feira que retornaria US$ 2 bilhões aos acionistas, juntamente com o relato de uma leve queda em seus lucros principais de 2025.

Esta notícia segue a recente tentativa fracassada de aquisição por sua maior concorrente, a Rio Tinto.

Apesar de uma queda relatada no lucro anual, as ações da Glencore estavam em alta na quarta-feira.

As ações da Glencore subiram mais de 3% após o relatório.

Essa alta também foi impulsionada pelas ambiciosas metas de produção de cobre da empresa e pelo compromisso com o retorno aos acionistas, que compensaram com sucesso a queda nos lucros relatada em relação ao ano anterior.

O preço das ações da Glencore subiu aproximadamente 19% desde o início do ano.

No momento da redação deste texto, a ação estava em 498,45 GBp (pence esterlina), alta de 2,6% em relação ao fechamento anterior.

Visão geral financeira e pagamento aos acionistas

A empresa relatou um declínio significativo no desempenho financeiro. 

A mineradora e comercializadora de commodities com sede na Suíça relatou uma queda de 6% nos lucros ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) no ano passado, caindo para US$ 13,51 bilhões. 

Este valor, no entanto, superou a estimativa de consenso dos analistas de US$ 13,3 bilhões.

Isso marca o terceiro ano consecutivo de declínio para a empresa, que seguiu dois anos de lucros recordes.

“Apesar de um resultado de EBITDA ajustado ligeiramente inferior em relação ao ano anterior, o ímpeto subjacente no segundo semestre foi claro. O EBITDA ajustado industrial de US$ 6,2 bilhões foi 65% superior ao do primeiro semestre, enquanto o EBIT ajustado de marketing foi 15% superior”, disse o CEO Gary Nagle em um comunicado oficial

Como resultado das escolhas de alocação de capital feitas na época, o Grupo recomprou US$ 2 bilhões de suas próprias ações durante 2025.

Em 13 de fevereiro, essas ações recompradas estavam avaliadas em US$ 3,2 bilhões no mercado.

A distribuição base de 2026 está fixada em US$ 10 centavos/ação (cerca de US$ 1,2 bilhão), com base nos fluxos de caixa de 2025, de acordo com o comunicado.

Esse valor inclui um fixo de US$ 1 bilhão proveniente de fluxos de caixa de marketing e US$ 0,2 bilhão proveniente do fluxo de caixa livre de capital ajustado industrial.

Estratégia de crescimento focada no cobre

Com o cobre sendo essencial para energia, construção e para a transição para a energia verde, as mineradoras estão competindo ativamente para aumentar a produção por meio de expansão orgânica e aquisições estratégicas. 

O comunicado oficial da Glencore indicou que um aumento de 49% nos lucros principais durante o segundo semestre do ano passado foi resultado do aumento dos preços dos metais e de melhores volumes de produção, particularmente para o cobre.

Os preços de referência do cobre na London Metal Exchange saltaram mais de 40% no último ano.

O sentimento positivo do mercado em relação à Glencore é impulsionado em grande parte por sua ênfase estratégica no cobre. 

A ambição da empresa é ser uma das principais produtoras globais de cobre, com uma meta de cerca de 1,6 milhão de toneladas de produção anual até 2035. 

Um desenvolvimento fundamental nesta estratégia é a finalização do pacote de acesso à terra para a KCC (Kamoto Copper Company), que tem o potencial de adicionar aproximadamente 300ktpa (quilotons por ano) à sua produção de cobre.

A estratégia de crescimento focada no cobre da Glencore ganhou um ímpeto claro em 2025, um ano caracterizado por um desempenho operacional robusto e otimização contínua do portfólio. 

Conforme destacado pelo CEO Gary Nagle, esse progresso significativo ressalta a dedicação da empresa em cumprir seus objetivos de 2026 e gerar valor sustentado de longo prazo para seus acionistas.

Embora os lucros anuais tenham diminuído, o segundo semestre de 2025 mostrou uma recuperação e ímpeto significativos, com um aumento de 49% no EBITDA ajustado em relação ao primeiro semestre. 

Consolidação do setor e revisão de custos

Apesar do fracasso do acordo com a Rio Tinto, Nagle confirmou que sua perspectiva sobre a consolidação do setor permanece inalterada. 

Ele tem defendido consistentemente essa consolidação como um meio de atrair maior investimento e gerar valor dentro do setor.

A posição de Nagle sobre a necessidade de consolidação do setor, que ele acredita encorajaria maior investimento e criação de valor, permanece consistente mesmo após o colapso do acordo com a Rio Tinto.

Os acionistas devem receber um pagamento de US$ 2 bilhões, o que equivale a 17 centavos por ação.

Este é um ligeiro decréscimo em relação aos 18 centavos por ação do ano passado.

O pagamento é composto por uma base de 10 centavos proveniente do fluxo de caixa de 2025 e um complemento de 7 centavos, que é apoiado pela valorização da participação da Glencore na comercializadora agrícola Bunge.

Separadamente, a Glencore iniciou uma revisão de seus ativos industriais em julho.

Essa medida visa alcançar US$ 1 bilhão em economia de custos até o final de 2026 e já envolveu aproximadamente 1.000 cortes de empregos.

“Continuamos focados em entregar nossas prioridades de 2026, atingindo nossas metas operacionais e reduzindo os riscos e progredindo com sucesso em nossas opções de crescimento de produção orgânica, tudo com o objetivo de apoiar a criação de valor a longo prazo para os acionistas”, acrescentou ele.