Inflação do Brasil sobe para 0,70% em fevereiro

Inflação do Brasil sobe para 0,70% em fevereiro
Noris Soto
12 de mar. de 2026, 12:34 PM
  • Inflação do Brasil sobe para 0,70% em fevereiro com disparada dos custos da educação.
  • Passagens aéreas disparam 11,40% e transporte vira segundo maior motor da inflação.
  • Inflação anual desacelera para 3,81% apesar de pressões mensais mais fortes.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) do país subiu 0,70% em fevereiro, ante 0,33% em janeiro.

A maior parte da inflação mensal foi impulsionada por ajustes sazonais de preços no início do ano letivo e por maiores custos de transporte.

Nos últimos 12 meses, a inflação caiu de 4,44% para 3,81%.

Apesar da recente aceleração, o IPCA havia subido 1,31% em fevereiro de 2025, indicando uma elevação mensal mais branda neste ano.

Dois setores responderam pela maior parte do resultado de fevereiro: transporte e educação.

Ajustes do início do ano letivo elevam custos na educação

Com variação mensal de 5,21%, a categoria Educação respondeu por cerca de 44% do resultado total da inflação e contribuiu com 0,31 ponto percentual para o índice de fevereiro.

As mensalidades regulares, que subiram 6,20% à medida que as instituições de ensino aplicaram os reajustes anuais normalmente realizados no início do ano letivo, foram a principal causa do aumento.

Entre as maiores altas estiveram:

• O custo do ensino médio aumentou 8,19%.

• Alta de 8,11% nas mensalidades do ensino fundamental

• O aumento na educação infantil foi de 7,48%.

Custos de transporte pressionam ainda mais

Com contribuição de 0,15 ponto percentual, o aumento de 0,74% do grupo Transporte teve o segundo maior impacto no índice de fevereiro.

A alta do grupo foi majoritariamente puxada pelo forte aumento de 11,40% nas passagens aéreas. Outros aumentos relevantes foram:

• Alta de 5,62% no seguro auto facultativo

• Aumento de 1,22% nos reparos de automóveis

• Elevação de 1,14% nas tarifas de ônibus urbanos

Devido às diferenças nas políticas locais, as alterações no transporte público variaram muito entre as cidades.

Devido à gratuidade do transporte público aos domingos e feriados, as tarifas de ônibus em Brasília caíram 9,54%, enquanto em Curitiba as tarifas caíram 1,27% nos mesmos dias.

Cidades como Belém, por outro lado, continuaram a registrar leves altas.

Alterações locais refletiram-se também nas tarifas de trem e metrô.

Após ajustes tarifários feitos no início de janeiro, as tarifas de metrô e trem em São Paulo subiram 0,94%.

Em função de mudanças legislativas locais, as tarifas de táxi também subiram em diversas cidades, incluindo Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro.

Os preços dos combustíveis caíram 0,47% no conjunto, apesar desses aumentos, aliviando parte da pressão sobre os custos de transporte.

Habitação e saúde registraram alta

Após cair 0,11% em janeiro, a categoria Habitação subiu 0,30% em fevereiro.

A alta foi puxada principalmente pelas tarifas de água e esgoto, que subiram 0,84% após ajustes em várias cidades, incluindo Porto Alegre, Belo Horizonte, Campo Grande e São Paulo.

A bandeira tarifária verde permaneceu em vigor, indicando condições relativamente estáveis de geração de energia, embora as tarifas residenciais de energia elétrica tenham aumentado 0,33%.

Em contraste, os preços do gás encanado caíram 1,60% devido a reduções tarifárias em Curitiba e Rio de Janeiro.

No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, os planos de saúde (0,49%) e os produtos de higiene pessoal (0,92%) contribuíram para a alta de 0,59% do grupo.