Fechamento de Hormuz afeta comércio global de fertilizantes e amônia
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- Fechamento do estreito afeta 21% do comércio global de ureia e 15% do comércio de amônia.
- A Índia é a mais vulnerável, importando 6% a 8% de seus fertilizantes do Golfo.
- Choque de oferta ameaça a segurança alimentar; não se espera alívio até cerca de 2030.
Os mercados globais de fertilizantes e amônia se preparam para forte pressão após o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz, enquanto as negociações diplomáticas entre os EUA e o Irã permanecem em impasse.
Segundo o mapeamento comercial da Rystad Energy, um eventual fechamento poderia afetar o comércio de 15% da amônia mundial e 21% da ureia, um tipo de fertilizante de alto teor de nitrogênio.
Os principais produtores são Arábia Saudita e Catar, com Kuwait, Barém, Emirados Árabes Unidos, Irã e Iraque também incluídos.
A atual disrupção logística deve impactar severamente os já enfraquecidos mercados de amônia e ureia, segundo a análise da Rystad Energy.
Esse choque tem alta probabilidade de se estender rapidamente às cadeias de abastecimento alimentares e agrícolas, afetando inicialmente os países mais dependentes dessas rotas comerciais específicas.
Riscos a jusante
A mensagem para formuladores de políticas e consumidores sobre segurança energética e alimentar é inequívoca: o comércio de mais de um quinto da ureia pelos exportadores do Oriente Médio impacta diretamente a produção e a atividade agrícola, disse Minh Khoi Le, vice‑presidente sênior e chefe global de hidrogênio da Rystad, na análise.
A Índia é a mais vulnerável, pois obtém aproximadamente 6% a 8% de seus fertilizantes desses países do Golfo.
“O fechamento do estreito pode se traduzir rapidamente em riscos a jusante reais, incluindo possíveis escassezes alimentares, interrupções na manufatura, comprometimento do abastecimento de água e outros desafios globais significativos, dependendo da duração da guerra”, disse Khoi Le.
Várias nações, principalmente na região Ásia‑Pacífico — incluindo Coreia do Sul, Tailândia e Austrália — dependem de fertilizantes importados por meio do estreito.
As Américas, especificamente os EUA e o Brasil, também dependem de ureia dessa rota comercial.
A disrupção também afetará mercados secundários que recebem reexportações desses importantes países importadores, segundo a Rystad.
Grandes importadores, notadamente Índia e Coreia do Sul, serão compelidos a garantir fontes alternativas para suprir suas necessidades de amônia.
“Embora produtores com ativos em outros países possam aumentar a produção de fertilizantes, eles frequentemente estão em regiões onde o custo de produção é muito maior, como na Europa, levando a custos alimentares mais altos e a potenciais riscos de inflação”, disse a agência de inteligência energética com sede na Noruega.
E‑amônia: soluções alternativas
No entanto, o recente desenvolvimento de amônia verde e eletrolítica pode oferecer uma possível solução, especialmente no contexto da segurança de abastecimento, ao desvincular a dependência dos fertilizantes nitrogenados de combustíveis fósseis.
A e‑amônia, ou amônia produzida apenas com energia renovável, foi proposta como solução para as necessidades energéticas da Europa após a invasão da Ucrânia pela Rússia, espelhando uma resposta geopolítica comum, mas teve sucesso limitado.
Essa alternativa agora está sendo explorada na China, embora seu potencial para substituir ou deslocar significativamente o fertilizante tradicional seja incerto.
A e‑amônia geralmente tem custos mais elevados, mas recentes licitações indianas mostraram preços se aproximando da paridade com a amônia convencional.
O mercado também tem visto surgirem novos acordos de compra este ano, como o acordo entre Uniper e AM Green para e‑amônia produzida na Índia com destino à Europa, e os acordos da Yara com a ATOME no Uruguai.
Sem alívio imediato e cronograma de fornecimento
No entanto, como esses volumes contratados não devem estar disponíveis até cerca de 2030, qualquer alívio imediato das restrições de oferta é improvável, disse a agência.
O comércio global de amônia registrou uma queda em 2025, caindo para aproximadamente 10,9 milhões de toneladas por ano (Mtpa) ante 12,3 Mtpa em 2024, segundo a Rystad.
Cerca de 15% disso poderia ser afetado por um fechamento prolongado do Estreito — principalmente da Arábia Saudita, que seria impactada, já que grande parte do fornecimento e do comércio ocorre em sua costa leste, acrescentou a agência.
Além disso, se houver interrupções no fornecimento de fertilizantes ao setor agrícola, a Rystad prevê queda na produção total global de culturas alimentares.
A dependência da Índia de países do Oriente Médio por produtos fertilizantes é particularmente evidente no mercado de ureia.
Em 2025, o comércio global de ureia foi de aproximadamente 50,8 Mtpa. Significativamente, cerca de 10,6 Mtpa desse total se origina de nações‑chave afetadas, principalmente Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
A Índia importou 2,2 Mtpa desse volume, ressaltando sua dependência.
Outros países, incluindo Tailândia, Austrália, Brasil e os EUA, também importam atualmente quantidades consideráveis de ureia dessa região.
O evento no Estreito de Hormuz não é exclusivo da indústria de fertilizantes, já que outras rotas comerciais enfrentaram pressões nos últimos anos.
Embora o volume da Rússia tenha diminuído significativamente desde a sua invasão da Ucrânia, a Rússia ainda desempenha um papel importante no comércio de fertilizantes de 2025, respondendo por cerca de 5% do comércio global de amônia e 15% das exportações de ureia.
“Os eventos recentes no Oriente Médio adicionam outra camada de risco a um cenário de comércio de amônia e fertilizantes já pressionado, destacando o quão concentrados esses fluxos estão por meio de um pequeno conjunto de fornecedores e pontos de estrangulamento”, disse a Rystad.
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