Futuros FTSE 100 e DAX caem após Trump endurecer postura contra Irã; petróleo +6%

Futuros FTSE 100 e DAX caem após Trump endurecer postura contra Irã; petróleo +6%
Devesh Kumar
02 de abr. de 2026, 03:55 AM
  • Futuros do Euro Stoxx 50 caem 2% com ameaça de ataque de Trump ao Irã.
  • Brent dispara 6% para $107.98; March registra o maior ganho mensal.
  • Ameaça de tarifas a farmacêuticas aumenta a pressão enquanto ações estendem perdas.

Os contratos futuros de ações europeias caíram acentuadamente na quinta-feira depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu sobre uma ação militar severa contra o Irã, reavivando temores de um conflito prolongado no Oriente Médio e levando os preços do petróleo aos seus níveis mais altos em meses.

Os movimentos ocorreram enquanto os mercados de energia já reagiam aos ataques lançados pelos US e Israel contra o Irã em 28 February.

O episódio desencadeou uma onda de ataques retaliatórios por todo o Golfo e levou Brent crude subiu mais de 60% em March, o maior ganho mensal desde o início dos registros na década de 1980.

Mercados caem com o retorno dos temores de guerra

Futuros do Euro Stoxx 50 recuaram 2% nas negociações iniciais de quinta-feira, enquanto os futuros do DAX perderam 1,9% e os do FTSE 100 caíram 0,9%.

Os futuros do CAC 40 francês ficaram amplamente estáveis.

Os declínios reverteram um rali tímido da sessão anterior e refletiram a preocupação renovada de que o conflito entre os EUA e o Irã esteja se ampliando, em vez de se encaminhar para uma resolução.

Petróleo dispara diante da escalada do conflito

Os futuros do Brent crude subiram mais de 6% para $107.98 o barril após o discurso de Trump, no qual ele prometeu que as forças dos EUA atingiriam o Irã "com extrema dureza."

Os mercados de energia estavam em alerta desde que os ataques EUA-Israel se intensificaram, provocando retaliação iraniana, e as observações mais recentes de Trump reforçaram a visão de que as interrupções de oferta podem persistir por semanas.

Tarifas a farmacêuticas aumentam a pressão

A administração Trump está se movendo para impor tarifas a empresas farmacêuticas que recusaram aceitar preços de medicamentos mais baixos no mercado dos EUA, com múltiplas companhias agora na mira do governo, segundo a Bloomberg.

Tarifas poderiam ser introduzidas dentro de semanas, informou a CNBC.

A ameaça adicionou uma camada adicional de pressão ao sentimento acionário, já fragilizado pela volatilidade nos mercados de energia.

Empresas e setores em foco

Royal Dutch Shell está em negociações com o governo da Venezuela para explorar quatro áreas dentro de algumas das maiores reservas offshore de gás natural do mundo, informou a Reuters.

No setor de aviação, o CEO da Ryanair advertiu que o Reino Unido é o país com maior exposição entre as companhias europeias a uma escassez de querosene resultante do conflito com o Irã.

Três variáveis devem orientar a direção do mercado nas próximas sessões: a trajetória do conflito com o Irã e quaisquer sinais de cessar-fogo; a escala e a duração das interrupções no fornecimento através do Estreito de Hormuz; e o momento e o alcance das tarifas farmacêuticas anunciadas pela administração.

Com os preços do petróleo e as ações caindo em conjunto há semanas, qualquer clareza sobre a duração do conflito terá significado de mercado desproporcional.