Zona do euro cresce 0,1%; BCE enfrenta riscos energéticos

Zona do euro cresce 0,1%; BCE enfrenta riscos energéticos
Rivanshi Rakhrai
30 de abr. de 2026, 07:04 AM

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EUR vendido vs USD

Compra: nenhuma. Venda EUR/USD (ou opere vendido em EUR via forwards de FX/ETFs). A zona do euro está crescendo 0,1% tri a tri, enquanto a inflação é pressionada por choques de energia, forçando o BCE a adotar uma postura de “aperto mesmo assim”. Essa combinação é negativa para o EUR: crescimento fraco limita o apetite por risco e expectativas de juros mais altos por mais tempo não se traduzem em suporte ao crescimento.

Key Risk: Choque de energia desaparece rapidamente e a inflação cai, permitindo que o BCE corte ou pause claramente os aumentos — EUR se recupera.

Risco de crédito dos bancos da zona do euro

Venda iShares MSCI EMU Financials ETF (EUFN) ou opere vendido em índices de CDS de bancos da zona do euro. Crescimento fraco (0,1% tri a tri), deterioração do sentimento e condições de crédito mais apertadas indicam aumento das perdas com empréstimos e queda nas receitas de taxas. Se o BCE for forçado a subir juros devido à inflação impulsionada por energia, os custos de financiamento permanecerão altos e o estresse de crédito se agrava.

Key Risk: Condições de crédito aliviam e as perdas com empréstimos não se materializam — bancos se estabilizam e o ETF se recupera.

  • Crescimento da zona do euro desacelera para 0,1% no 1º tri, abaixo das previsões.
  • Riscos energéticos e tarifas pressionam o sentimento empresarial e a atividade.
  • BCE enfrenta desafio à medida que pressões inflacionárias sobem em meio ao crescimento fraco.

A economia da zona do euro registrou crescimento fraco no primeiro trimestre do ano, oferecendo um primeiro indicativo das condições econômicas após o início do conflito no Irã.

Uma estimativa preliminar divulgada na quinta-feira mostrou que a atividade econômica no bloco se expandiu apenas marginalmente, refletindo pressões crescentes decorrentes de tensões geopolíticas e perturbações comerciais.

A zona do euro, importadora de energia, é considerada particularmente vulnerável a interrupções no abastecimento, especialmente as que afetam petróleo, gás e outros carregamentos que passam pelo Estreito de Hormuz.

Essas interrupções começaram no final de fevereiro e levantaram preocupações sobre a resiliência econômica da região.

Crescimento do PIB fica aquém das expectativas

Dados do Eurostat mostraram que o produto interno bruto na área monetária de 21 países cresceu 0,1% trimestre a trimestre nos três meses até março.

Esse número ficou abaixo das expectativas dos economistas e representou uma desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando o crescimento foi de 0,2%.

Os dados mais recentes sugerem que a economia da zona do euro está perdendo impulso, com o crescimento permanecendo frágil em meio ao aumento das pressões externas.

Pesquisas apontam para nova desaceleração

Uma série de pesquisas empresariais divulgadas esta semana indica que as condições econômicas podem continuar a se deteriorar nos próximos meses.

O sentimento empresarial deteriorou-se em todo o bloco, com a atividade de serviços desacelerando e os lucros corporativos em queda.

As exportações permanecem sob pressão devido a desafios contínuos relacionados a tarifas, pesando ainda mais no desempenho econômico geral.

Os bancos também relataram condições de crédito mais apertadas, sinalizando menor acesso a financiamento para empresas e famílias.

Esse aperto pode diminuir ainda mais o investimento e o consumo, contribuindo para a desaceleração.

Riscos energéticos complicam perspectiva inflacionária

O cenário econômico moderado apresenta um desafio complexo para o Banco Central Europeu (BCE), sobretudo à medida que as pressões inflacionárias voltam a subir.

O aumento da inflação está sendo impulsionado em grande parte pelos custos de energia, ligados às tensões geopolíticas em curso e às interrupções no abastecimento.

Essa combinação de crescimento fraco e inflação em alta cria um ambiente de política difícil para o BCE, que precisa equilibrar a necessidade de apoiar a atividade econômica e, ao mesmo tempo, conter as pressões sobre os preços.

Mercados esperam altas de juros apesar do crescimento fraco

Apesar da perspectiva econômica frágil, espera-se amplamente que o BCE mantenha as taxas de juros inalteradas em sua próxima decisão de política monetária na quinta-feira.

No entanto, os participantes do mercado já estão antecipando uma política monetária mais restritiva nos meses seguintes.

Os mercados financeiros estão precificando três a quatro aumentos de taxas ao longo do próximo ano.

Essa expectativa reflete preocupações de que uma inflação persistente possa forçar o BCE a agir, mesmo com o crescimento econômico permanecendo moderado.

No geral, os dados mais recentes destacam os crescentes desafios enfrentados pela economia da zona do euro, com tensões geopolíticas, perturbações comerciais e aperto das condições financeiras contribuindo para uma perspectiva mais fraca.