Invezz

Alemanha removerá Huawei e ZTE das redes 5G até 2029 por questões de segurança

Alemanha removerá Huawei e ZTE das redes 5G até 2029 por questões de segurança
Diya Poddar
11 de jul. de 2024, 20:48 PM
  • As redes 5G da Alemanha são consideradas parte da “infraestrutura crítica” do país.
  • A decisão da Alemanha reflecte uma tendência crescente entre os países ocidentais de examinar minuciosamente as empresas chinesas.
  • Mudança estratégica impulsionada pelas lições da guerra na Ucrânia e da crise energética.

A Alemanha anunciou planos para eliminar gradualmente componentes das gigantes chinesas de telecomunicações Huawei e ZTE das suas redes 5G até 2029 devido a preocupações de segurança nacional.

Esta medida estratégica visa mitigar os riscos de segurança e reduzir a dependência destas empresas para infra-estruturas críticas.

Componentes principais serão substituídos até 2026

Até ao final de 2026, a Alemanha eliminará a utilização de peças Huawei e ZTE nas suas principais redes móveis 5G, de acordo com o Ministério do Interior.

As redes centrais, que lidam com dados sensíveis e funções essenciais de comunicação, são consideradas o “sistema nervoso central” da infra-estrutura empresarial e de comunicação do país.

“Estamos protegendo o sistema nervoso central da Alemanha como local de negócios – e estamos protegendo a comunicação dos cidadãos, das empresas e do Estado”, afirmou o Ministério do Interior.

Esta iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para reforçar a segurança nacional e garantir a integridade das infra-estruturas críticas.

Substituição total da infraestrutura de acesso e transmissão até 2029

Além da rede principal, o governo alemão determinou que os sistemas de infraestrutura de acesso e transmissão 5G da Huawei e da ZTE sejam substituídos até o final de 2029.

Este cronograma permite uma transição gradual, garantindo que a funcionalidade da rede e a qualidade do serviço sejam mantidas durante o processo de substituição.

O ministério enfatizou a importância desta medida, afirmando: “Devemos reduzir os riscos de segurança e, ao contrário do passado, evitar dependências unilaterais”. O objetivo é diversificar a cadeia de abastecimento e minimizar potenciais vulnerabilidades na infraestrutura crítica do país.

Infraestruturas críticas e laços económicos

As redes 5G da Alemanha são consideradas parte da “infraestrutura crítica” do país, essencial para setores como saúde, transportes e energia. Garantir a segurança e a fiabilidade destas redes é uma prioridade máxima para o governo.

A Alemanha e a China, a segunda e a terceira maiores economias do mundo, mantêm há muito tempo laços económicos estreitos. No entanto, os recentes desenvolvimentos geopolíticos, incluindo a guerra na Ucrânia e a subsequente crise energética, levaram Berlim a reavaliar e reduzir a sua dependência económica da China.

Os riscos associados à dependência excessiva de recursos e tecnologias essenciais num único país tornaram-se mais evidentes.

Implicações mais amplas e perspectivas futuras

A decisão da Alemanha reflecte uma tendência crescente entre os países ocidentais de examinar e limitar o envolvimento de empresas tecnológicas chinesas em projectos de infra-estruturas críticas.

As preocupações com a potencial espionagem e a integridade das redes de comunicações levaram ao aumento das ações regulatórias e à procura de fornecedores alternativos.

Embora esta medida possa prejudicar as relações económicas entre a China e a Alemanha, alinha-se com a estratégia mais ampla de Berlim para diversificar as suas parcerias económicas e reforçar a segurança nacional. Ao reduzir a dependência da Huawei e da ZTE, a Alemanha pretende construir uma infraestrutura tecnológica mais resiliente e segura.

A transição dos componentes chineses para as redes 5G exigirá investimentos significativos e coordenação com os operadores de telecomunicações.

No entanto, o governo alemão acredita que os benefícios a longo prazo do reforço da segurança e da redução da dependência superam os desafios a curto prazo.

À medida que a Alemanha avança com este plano de eliminação progressiva, outros países poderão seguir o exemplo, moldando ainda mais o panorama global das telecomunicações e das infra-estruturas críticas.

O equilíbrio entre os laços económicos e as considerações de segurança nacional continuará a influenciar as decisões políticas nos próximos anos.