Cidade sul-coreana de Paju venderá ativos criptográficos apreendidos de sonegadores para recuperar dívidas não pagas

Cidade sul-coreana de Paju venderá ativos criptográficos apreendidos de sonegadores para recuperar dívidas não pagas
Rony Roy
18 de nov. de 2024, 11:19 AM
  • A cidade de Paju planeja liquidar ativos criptográficos apreendidos de contribuintes inadimplentes.
  • A cidade já apreendeu US$ 72.000 em criptoativos.
  • A Coreia do Sul continua a impor uma supervisão rigorosa ao setor de criptomoedas.

A cidade sul-coreana de Paju planeja apreender e vender ativos em criptomoedas de moradores que não devem impostos, com o objetivo de recuperar milhões em dívidas.

Em 18 de novembro, autoridades da cidade de Paju emitiram notificações a 17 contribuintes que não quitaram suas dívidas.

As autoridades alertaram que seus ativos de criptomoeda mantidos em bolsas seriam confiscados e liquidados se os pagamentos não fossem feitos até o final do mês.

De acordo com relatos da mídia local, as autoridades destacaram a medida como parte dos esforços contínuos para reprimir a sonegação fiscal e recuperar valores pendentes.

No total, os indivíduos em questão devem 124 milhões de wons coreanos, o que equivale a aproximadamente US$ 88.600.

Esta ação segue medidas semelhantes tomadas no início do ano.

Em 29 de julho, as autoridades de Paju apreenderam ativos de criptomoeda no valor de 100 milhões de wons (cerca de US$ 72.000) de contribuintes atrasados, uma medida que as autoridades alegam ser necessária porque os cidadãos estavam convertendo fundos em ativos digitais para sonegar deliberadamente obrigações fiscais.

As autoridades descreveram essa prática como uma tentativa de explorar o relativo anonimato e a descentralização das criptomoedas para evitar o pagamento de impostos, mesmo tendo meios para pagar o imposto devido.

Em relação ao aviso recente, um funcionário disse:

De acordo com o relatório, o país viu um aumento no número de indivíduos convertendo seus ativos fiduciários em criptomoedas para evitar a cobrança de dívidas.

Os esforços para enfrentar esses desafios estão alinhados às iniciativas mais amplas da Coreia do Sul para incorporar a tecnologia blockchain em seus sistemas tributários e financeiros.

Recentemente, o NongHyup Bank (NH Bank) fez uma parceria com a Fireblocks, uma plataforma de ativos digitais, para tokenizar reembolsos de imposto sobre valor agregado (IVA) e imposto sobre bens e serviços (GST) em compras no varejo.

Mantendo o setor de criptomoedas sob controle

Além de aprimorar sua estrutura tributária, a Coreia do Sul intensificou sua repressão à não conformidade relacionada a criptomoedas.

Conforme relatado anteriormente pelo Invezz, a Unidade de Inteligência Financeira (FIU) lançou recentemente uma investigação sobre a Upbit, uma das maiores exchanges de criptomoedas do país.

A investigação identificou de 500.000 a 600.000 potenciais violações do programa Conheça Seu Cliente (KYC), incluindo casos em que os titulares de contas usaram detalhes de identificação incompletos ou confusos.

Tais violações podem resultar em penalidades de 100 milhões de wons coreanos (US$ 71.500) por infração.

No início deste ano, a Coreia do Sul introduziu a Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais, obrigando empresas e bolsas de criptomoedas a avaliar rigorosamente as criptomoedas listadas com base em critérios como conformidade regulatória, protocolos de segurança e medidas de proteção ao investidor.

Tokens com histórico de problemas de segurança ou aqueles emitidos por exchanges correm o risco de serem excluídos da lista, enquanto códigos de contratos inteligentes devem ser divulgados e atender a padrões operacionais rigorosos.

Uma supervisão adicional se estende às inspeções de rotina do Serviço de Supervisão Financeira (FSS), que monitora a conformidade com esses regulamentos.

Essas inspeções visam garantir transparência e proteger os interesses dos investidores no setor de criptomoedas.

A polícia sul-coreana também colocou sua mira em fraudes relacionadas a criptomoedas. No início deste mês, a polícia da província de Gyeonggi prendeu 215 indivíduos ligados a um esquema massivo de quase-investimento.

A operação, liderada por um famoso YouTuber, fraudou mais de 15.000 vítimas em 325,6 bilhões de wons (US$ 230 milhões).

Os criminosos promoveram 28 criptomoedas, atraindo investidores com promessas de altos retornos, que acabaram não se concretizando.